As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

domingo, 3 de maio de 2026

Medidas

Eu sei que parece muito

Mas é muito pouco

O que pra uns é tanto

Pra outras é nada

O suspiro profundo da Santa

O delírio suave das fadas


tempo sutil das formigas

A longa vida das pedras

O perfume das flores

As idades da terra


Assim eu canto

O que não cabe nas coisas

O que não cabe em mim

O que até cabe em mim

Mas por vezes transborda

O que nos falta, o que nos sobra


Um sonho, uma ideia

Uma poesia que se forma 

Como um pequenino grão

Que nasce, cresce 

E nos transforma

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