As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

sábado, 12 de setembro de 2026

Repare



Nessa loucura

A quem repare para sonhar

E fazer honrações

Descansar, se alimentar

Dessa luz, dessa sombra

Desse silêncio, desse canto

Dessa arvore, desse manto

Desse quintal, dessa poesia

Que o tempo segue

Concretizando

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

O Momento

Tem uns momentos

Que a gente para

E vê poesia em tudo 

E faz poesia “do nada”

A luz escorrendo 

Por entre as folhas

A sombra atenta

Percorrendo as horas 

Desenhando formas 

De passar o tempo

Ilustrando o momento

Em verde, azul e sentimento 

E o perfume das flores

Enchendo de core

O pensamento

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Cheiros

O cheiro
Do algodao
Do branco, do azul
Do verde, do rosa 

O cheiro 
Da rosa
Do pano 
Da tinta 
Do tecido

O cheiro 
Da rosa pintada
 no pano tecido

O cheiro da inspiração
De quem sonhou, pensou 
Das mãos que construíram   
A utilidade e poesia da estampa

O cheiro vivo
Da textura do tecido limpo
Do amor acordado
Da paixão dormida
Do desejo gasto

Por entre escamas de pele 
A poeira e poesia dos livros 
Dos afetos e dos pelos dos gatos

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Quando o Peito Explode

Do nada me pego 

Respirando lento 

Inspirando o ar 

Que é tão impuro

Quanto inocente 


E nesses dias quentes 

O juízo implode

Feito a canção do vento

Se faz tão bela

E tão mais forte 


É quando o ar se torna

Leve e perfumado

Me vejo espelhado 

Cantando os sonhos 

Colorindo os olhos


Mas é que quem não dorme 

Escolhe encarar a noite 

E espalhar sorrisos 

Explodindo o peito 

De amor e gozo 

domingo, 19 de julho de 2026

Passeios

No fundo dos olhos
Repousam verdes melodias
Nos passeios leves onde a paisagem 
Se faz em nossa presença
Se desfaz em nossa ausência
E se refaz em nossa constância
Como a canção das taquaras
Roçando, dançando
Rangendo com um velho abraço 
Que se renova quando sorrimos 
Nos ciclos das águas
Nas sombras das árvores
Nas sobras de tempo
Nos sopros dos ventos
Nos giros do céu 
Nos largos do espaço
Que nos damos 
Quando sonhamos 
E vivenciamos
Esses momentos 
De felicidade 

domingo, 5 de julho de 2026

Reflexo

Refaço

Canções com o som do vento

Danço

Passeando os olhos em teu sorriso

Brinco

Como quem desdenha da má sorte

Rodopio

Feito a criança enpunhando

Sua espada sem corte

Resistimos!


Construímos

Armaduras de cetim

Lantejoulas e vidros reluzentes

Refletimos

A poesia de nossa gente

O tempo passa

E o espaço vai ficando diferente

Mas ao som das maracas

Vamos nos fortalecendo

Vamos amadurecendo

Vida viva, viola e repente

Percurso

Brotou o dia

Numa semente de amanhã

Na nanhã

Diretamente

Do ventre da Serrra


Minha visão não erra

Mas facilmente se entorpece

Na ilusão do horizonte

Do campo de visão

Em relação ao monte


A percepção da vida

A concepção da sorte

A inversão do norte

Da esfera celeste


Reescrevo o caminho

Desenhando as pontas soltas.

Se existe ou não destino

Eu não o aguardo

Pelo contrário

Eu o percorro


segunda-feira, 29 de junho de 2026

Nave Sol

Nave sol

Que me leva

Delicadamente

Em teu abraço


Viajamos dançando

Em teus laços 

Como quem cai

E é segurado

Pelos teus braços


Tua luz, teu calor

Desdobrando o espaço-tempo

Na poesia dos teus ventos 

E rodopios gravitacionais 

terça-feira, 16 de junho de 2026

Cosmos

Na imensidão do horizonte de eventos

O olhar corre solto

Sonhando ganhar o espaço 

Na canção que harmoniza o tempo


Eu sei das vozes que a luz carrega

Das ondas sonoras que tocam na gente

Nos impulsionando suavemente


Do infinito além dos tons de azuis

Aos corpos que reinam na liberdade do céu

Da solitude da tarde aos suspiros da noite


Um abraço verdadeiro rompendo a saudade

Os mistérios do cosmo além das dimensões

Os efeitos da luz que nos atravessa 

Relembrando o nascimento


Quando a ignorância vence o medo

O conhecimento se espalha feito poesia

Inspirando os corações mais atentos 

Ninguem precisa ser especial

Pra acreditar e realizar

Coisas impossíveis 

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Mapa Celeste

Metade de mim

Te vê apaixonadamente  

A outra metade, racionalmente

Seja pela força de tua presença 

Ou meu olhar que te compõe calmamente 

Como a suavidade das cores na luz da manhã 

Que iluminam o vale hasteado um arco-íris 

Inspirando as mais delicadas

Projeções de futuro 


E mesmo que nada saia como planejado

Ainda assim, a canção no tempo se faz bela

E se propaga em ondas pelo espaço 

Durante as músicas que ouvimos

Pela poesia do encontro

A paz dos sorrisos

E até os silêncios


O abraço real e duradouro

Quase como uma dança gravitacional 

Contornando os mais profundos segredos 

Desenhados nos mistérios dos astros

E ganhando espaço em natureza celeste

domingo, 3 de maio de 2026

Medidas

Eu sei que parece muito

Mas é muito pouco

O que pra uns é tanto

Pra outras é nada

O suspiro profundo da Santa

O delírio suave das fadas


tempo sutil das formigas

A longa vida das pedras

O perfume das flores

As idades da terra


Assim eu canto

O que não cabe nas coisas

O que não cabe em mim

O que até cabe em mim

Mas por vezes transborda

O que nos falta, o que nos sobra


Um sonho, uma ideia

Uma poesia que se forma 

Como um pequenino grão

Que nasce, cresce 

E nos transforma

terça-feira, 31 de março de 2026

Calmaria

Acredito

Não cegamente 

Ou num devaneio lógico

Numa certeza mística 

Ou surpresa matemática 


Escolho

Não temo a decepção

Não me consome

A fome do verso

A triste sutileza da apatia

Nem a descrença da meia idade 


Meu coração resiste 

Ao degredo da dúvida 

A fragilidade do tempo 

A rigidez das notas ocidentais 

Ou o peso cristão que me almeja as costas 


Essa é minha verdade 

Não precisa fazer sentido

Não temo o silêncio da noite

O perfume do dia 

O infinito das tardes


Essa canção não tem pressa 

É uma poesia comum

Uma dança ordinária

Uma brisa suave

Sem alarde

Amor

segunda-feira, 23 de março de 2026

PODA

Poderia apenas
Cortar os galhos livres
Que cresceram naturalmente
Buscando as veias do céu 

Mas olhei 
E preferi pensar
No cuidado de estar 
Atento a imensidão do quintal
 
Cuidar das folhas
Dar passagem a luz que nos toca
Reparar  na poesia do chão 

A cada gole d’água 
A lâmina cortava o vento 
E o horizonte ia se tornando maior  
O sol preenchendo minha tarde
Por entre suor e fotossíntese 

domingo, 22 de março de 2026

Sensações

Uma lembrança trouxe 

Na iluminura do sorriso

Descanso e sonho.

No sabor da manhã, ao café,

Senti o gosto das coisas

Como quem beija.

Até abstraí um pouco

Das demandas do mundo 


A tarde chegou suave 

Como os raios do sol  

Entrecortando as nuvens

Carregando leves prenúncios 

Passeando entre sol e chuva  

Desejos úmidos de fertilidade

A paisagem verde que o diga 


No momento abraço a palavra

Que salta as casas

Através das mãos

O peito alegre  

Feito pão de milho

Me chama a atenção

Com o cheiro de pronto

Tomando conta da casa


A música agora

No que antes era apenas palavra

Dimensiona o afeto em três dimensões

Que preenchem os sentidos

Passeando entre a alma

A mente e o coração 

sábado, 7 de março de 2026

Ofícios

Na lida diária

Meu silêncio é abrasivo 

Meu verso é introspectivo 

Enquanto transformo metais

Na forja que queima em meu peito 


Uso limas, lixas e esmeris

Como tenho esmero com as palavras

Minha fala é forte por necessidade

Mas minha canção é doce, 

Como as águas que brotam

Das profundezas da terra

Onde a Maara canta 

E se encanta


É simples

São simples minhas palavras

Não porque eu queira ou deseje

Por desleixo ou ego

São porque são 

São porque soo

Mesmo quando falo com as mãos

Enquanto descanso os calos da voz

Por entre ruídos das máquinas 

E a frequência sútil dos motores

O barulho do fogo

E a fuligem do tempo

Miudezas

A forma não importa 
Nos importa o conteúdo
O conteúo e sua essência
A essência da fragrância
Caminhar por aí, sentir as coisas
Correr mundo até cansar
E descansar 

A ânsia de sonhar
Dormir e acordar 
Realizar o impossível 
É disso que se trata
É assim que a gente se trata
É sobre isso essa poesia
É sobre tudo nossa prosa 

A canção que nasce nossa
A vontade de viver e celebrar 
É assim que somos festa
E vivemos as alegrias e tristezas
Nossa amizade é de miudezas*


*Miudezas referem-se a objetos pequenos, de baixo valor, bugigangas, ou pormenores minuciosos.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Borboletas

Hipnotizado

Pela chama da vela

Pelo som nascendo

Cortando o tempo

Na cadência imprecisa

do vento


Encantado 

Pela poesia falada

Encantada

Pela palavra nua

Vestida de vida 

e sentimento


Emocionado 

Com a tarde decaindo

Na tabela periódica das cores

E fico imaginando, sonhando 

Desnecessariamente


A canção

Ressoando em minha boca

Balançando meus pés e mãos

Enquanto me percorre o corpo

Frio na barriga e gratidão

Fé, poesia, inspiração

domingo, 8 de fevereiro de 2026

FREVO DANADO

Em cada passo

De nossas vidas

Cada compasso

Cada batida


A gente dança

A gente agita

A gente acalma

A gente grita


Mas sempre a cantar

A nossa alegria

Passarinhando a voar

Na imensidão do dia


E assim a vida segue

Vamos somando improvisos

Divindindo os percalços

Multiplicando sorrisos


Pulamos alto

Descemos até o chão

Dançando frevo danado

O meu e o teu coração