Normalmente
Sou um desconcerto
Não acerto a nota
Não encontro o tempo
Perco a palavra
Sem momento
E fico ali, de canto, olhando o céu
Como que rezando pro alto
Mirando a estrada, sentindo o vento
Essa é minha qualidade
Ou talvez meu problema
Tenho poder sobre o nada
Até parece encantamento
De um pensamento aleatório
Que transcende dimensões
Misturo minhas questões
E elevo o padrão vibratório
Seria um milagre, ou só confusão?
Quando suspiro, eu puxo o ar
E me vem uma canção
Ou no mínimo algumas palavras
Que ficam agrupadas sem intenção
Eu falo quando não canto
Escrevo porque preciso
Me devo isso e não nego
Mas não deixo prejuízo
Botar pra dentro o que nos alimenta
Botar pra fora o que não nos cabe
Sentindo isso, me pego
O que posso fazer?
Nem quero chamar atenção…
Mas alguém uma vez disse:
Cutucando a intenção
De onde vim, antes de nascer
Chamam isso de inspiração
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