As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Borboletas

Hipnotizado

Pela chama da vela

Pelo som nascendo

Cortando o tempo

Na cadência imprecisa

do vento


Encantado 

Pela poesia falada

Encantada

Pela palavra nua

Vestida de vida 

e sentimento


Emocionado 

Com a tarde decaindo

Na tabela periódica das cores

E fico imaginando, sonhando 

Desnecessariamente


A canção

Ressoando em minha boca

Balançando meus pés e mãos

Enquanto me percorre o corpo

Frio na barriga e gratidão

Fé, poesia, inspiração

domingo, 8 de fevereiro de 2026

FREVO DANADO

Em cada passo

De nossas vidas

Cada compasso

Cada batida


A gente dança

A gente agita

A gente acalma

A gente grita


Mas sempre a cantar

A nossa alegria

Passarinhando a voar

Na imensidão do dia


E assim a vida segue

Vamos somando improvisos

Divindindo os percalços

Multiplicando sorrisos


Pulamos alto

Descemos até o chão

Dançando frevo danado

O meu e o teu coração

sábado, 7 de fevereiro de 2026

ELEMENTAR

Tão imenso o vasto o céu 

E as cores que o preenchem

Tocando nossas retinas 

Ainda assim, além do azul,

O vislumbre da matéria escura 

E as incontáveis estrelas


Os sonhos cruzam essas pontes 

Cores, luzes, escuros e silêncios

Na forma poderosa dos sons

Que compõe a existência 


As mãos no chão, os pés na água

Os ouvidos extravasando o tempo 

E a mente pairando no firmamento

Da natureza ao espaço profundo


Nasce uma canção 

Uma oração pra o infinito

O peito em ebulição

Explodindo e suave grito

O coração das estrelas

Fundindo as elementos

É a poesia do universo 

Pulsando viva dentro de nós

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Vida Bela

O verso é livre

Pra cantar histórias

E plantar memórias

Nesse chão de solo vivo


O verso é vivo 

O olhar é um firmamento 

A voz, rezo, encantamento

E da canção nasce um sorriso


E do sorriso

Nasce uma luz como uma rosa 

Seja verso ou seja prosa 

A poesia é quem decide


O tempo incide 

Na canção que se revela

Na gira que nos revela

A visão de uma vida

domingo, 1 de fevereiro de 2026

NAVEGANTES (da zona habitável)

Quem entende o tempo e o espaço

Do corpo (terrestre, celestes)?

Quem calcula a rota pra o retorno

Do canto? (O lugar, a voz)


Pois o laço gravitacional

Nos abraça estável, confortável

Na dança continua dos astros


Quem se liberta e segue caminho

Ou por vontade decide ficar? 

Quem consegue imaginar 

Tamanha grandeza?

O amor sentido e descrito

Em papiros sobre a pedra-mesa


No suspiro dos amantes do tempo

Na luz que escreve o diamante 

Na pulsão do coração da terra

Na noite que inspira o sonho

No descanso quando inventamos 

Ciência, magia, alquimia, astronomia

Poesia, dúvida, reza e intuição


A arte nos concedendo

Um vislumbre do infinito

Os céus nos dando 

Paz, sentido e localização

Pra escolhermos o caminho

A direção


(Do deslivro do cosmos )