As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Treme-Terra (ou Grito de Guerra)

Cada dia é mais um dia de mistério
Sei que vai ficar mais sério
Vamos ter de conversar
Sobre o destino de tudo
As nossas vidas o mundo
Pois sem amor onde é que as coisas vão parar?

Esse teu beijo é pecado na boca de quem lhe roubou
Esse teu cheiro me invade lembrando o que passou

Até parece saudade
Nem posso acreditar
Que ainda penso em você
Depois de tanto penar

Essa paixão é canção de louvação ao passado
Essa paixão é zabumba dançado improvisado
É uma pareia de pife tocando bem afinado
É um chiado de prato num contra tempo danado
Meu peito é paixão, é revolução
Minha voz canção, é grito de guerra
Descendo a serra, subindo ladeira
Fazendo zoeira em meu peito se encerra
Levanta poeira amor treme-terra

Ainda penso em você

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Impaciência

Um dia desses eu me desespero
Não mais te espero!
E sem pensar, faço mesmo! Isso! Me desfarço.
Invento um loucura pra te ver
Pego meu violão
Te canto uma canção
Uma dessas antigas,
Que agente diz que acabou de fazer
E fingindo um tipo meio desafinado,
Admito que estou apaixonado!
E que quero você!
Mesmo sabendo que pode ir tudo por agua abaixo
E que poderei te perder!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O amanhã agora

Daqui a pouco
Termina o agora
Vem menina
Corre um pouco
Ainda da tempo
Irmos embora
Pra o amanhã!

Caririaçu

Em meu cavalo de aço
Tocando o céu
Na casa do alto
Como quem vai a capela
Vindo de castela
Em um só salto

Vôu
Cariri

Também penso
E sinto
Em Iansã
Valei-me meu Padim Cíço
Warakidzã!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Desconcertado

Uma horas dessas
Pronunciando um estrondoso silêncio
Em uma algazarra divina
Sinto desejos falando de dentro.
Posso estar louco, ou sonhando.
Talvez seja uma mera saudade.
E se não for?!
O que seria na verdade?
Um desleixo de meu orgulho ou maturidade,
Um relaxo de minha vaidade?
No que estou pensando?
Maldade, a essa altura, esse sentimento.
Como posso estar calado e ainda assim cantando?
Tudo bem, pode ser que eu esteja cansado dessa vida
Com vontade de comer chocolate, andar de bicicleta
Ou mesmo sair voando.
Mas também, pode ser simplesmente, talvez quem sabe
Numa teimosia do tempo, ignorando o peso da idade
Uma adolescente paixão me desconcertando...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Tocando a vida

Ela ja nem mais me ouvia mesmo...
Um dia, então,
Cansado dessa desarmonia
Após um determinado silêncio
Toquei minha vida em frente
Ela assim, percebeu minha ausência
E sentiu saudade
E pensou, e sonhou
Lembrou-se do tempo
Em que o sopro quente de minha voz
Embalava seu sono
E fazia-se presente
Mesmo quando dissonante.

O porque de meu silêncio

Se eu disser que é mentira você saberá que é verdade

Por isso, o meu silêncio...
Não tenho falado
Não tenho cantado,
Não tenho pronunciado
Um som qualquer,
Um assobio sequer,

Tento conter minha respiração
As batidas do meu coração
Ando com cuidado pra não arrastar os pés, em meus compassos
Movimento o corpo evitando a melodia que possa gerar, o vento
Meus lábios não dançam, meus olhos se cansam, nem posso piscar
Meus pensamentos, sem ritmo, harmonia
Nada que pareça música pode soar

Pois você conhece meus sons
E mesmo que minha boca não diga nada
Se me ouvires, escutará as minhas paixões.
Dona de minha verdade, nada posso esconder-te.
Eis o porque de meu silêncio
Não quero magoá-la
Pela minha forma de viver cantando
Inconsequentemente
Num eterno "vez em quando"

Se eu disse que é verdade, você saberá que é mentira
Se eu cantar o que for, você sentirá meu amor, minha dor
Assim, minha esperança é que meu silêncio te inconfunda
Enquanto ainda sempre há tempo!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Dona do meu juizo

Se o seu olhar já não basta pra dizer!
Vá!
Descarregue em mim suas palavras de trovão
Desague toda a sua saliva espessa e venenosa, enfurecida!
Se assim se sentires melhor
Ataque-me com gestos agressivos e de inquietação
Exale esse cheiro de descontentamento!
Sim, isso me fará sofrer, claro.

Mas
Antes que o mundo seja influenciado por tua ira de Deusa!
Experimente desabrochar as boas lembranças da ultima estação!
O orvalho das tuas poesias manhães
O abrir dos olhos num sorriso lento e verdadeiro
E se ainda, não se sentires melhor
Imponha-me os gestos doces do teu equilíbrio feminino
E deixa-me tua falta, teu perfume e companheirismo
Assim, sentirei muito mais, a tua presença, a tua ausência
E minha culpa mesmo que injusta ou absurda, pesará
E tu serás como sempre a dona do meu juízo
Estarei pra ti, como aquele que sucumbi ao golpe da espada.
Tua nobreza, em mim, como farpas

Se quer saber, isso é o que me fará sofrer
E a tua indiferença é o que me mata.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Discursão

Sendo assim
Eu sinto muito
E sinto tanto
E ando penso
E penso, ando
É um peso tanto
Um fado canto
Nu com passo lento
Um colapso intenso.
E se reinvento
De gritar
De tentar
De cantar
Sonhar,
Você me diz que soou demais
Mas que não adianta mais
Falar do que não amais
É faz sentido.
Sentindo
Eu sigo.
Não me arrependo
Eu te entendo...
Tudo na vida
Tem seu motivo e tempo
Eu arrebato a dúvida
Admitindo-a
E você?

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Paciência

Enquanto espero a primavera
Recomendado por ti-a-esperança.
A nossa velha amiga saudade
Aguardando comigo, se cansa.
Fica falando... há horas, em lembranças
Ventos demarcando estações
Mas o tempo não passa de verdades
Enquanto não mudam as vontades
Que soam juntas em nossos corações

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Além da certeza

As estrelas daqui...
Agora não posso ve-las
Mas prefiro acreditar que existem e estão lá
Por trás das nuvens
Por trás dos céus
Além da atmosfera!
Entre o chão da realidade
E a proteção de Enlil e sua abóboda de estanho.
Nas noites sigo, e eu não estranho.
Entre Cariris e Sumérios
Meu sorriso pendido entretantos rostos sérios.

Pra que a dúvida continue a me instigar
Quebro as correntes da certeza
Remo contra a correnteza
Sigo nesse Rio a cantar.

sábado, 14 de agosto de 2010

Senhor do Sonho - Warakidzã

Quando a verdade descer nos meus olhos
E o destino vier nas encostas
O sol me trará novamente
A luz que preciso pra me encandear

Aí serei como o fogo
Descendo no alto da serra
Trazendo na roda do tempo
As horas que marcam o desencantar

Vem que o destino chamou
E é chegada a hora de revelar
Vem que que o fim desaguou
E a grande pedra vai rolar
Eu ja traguei do meu fumo
Guardado comigo o ano interio
E agora revela o teu sonho
A baleia que irá despertar
Com a virgem trazida em seu dorso
Ela nos guiará

Sina de Tocador

Foi no Cariri
Que eu nasci e me criei
E bem cedo eu botei
Na cabeça: - Eu vou tocar!
Eu tive que lutar
Pra poder ser tocador
E a vida me ensinou
A ouvir tudo e cantar

Eu sofri muito
Pra chegar onde queria
Engoli noites e dias
Vomitando sofrimento
No pensamento
A vontade de vencer
No peito muito a dizer
E na mão sempre um instrumento

Posso até ser
Um cantador sem muita sorte
Mais se a vida fez um corte
No meu peito penitente
Trago essa dor
E a canto com alegria
Essa é sabedoria
Que alumia o meu presente

sábado, 7 de agosto de 2010

Arranjos, flores, notas, acordes, melodias, timbres, cores... algo assim.

Uma fórmula...
uma forma, uma norma?
Não... Não há.
Pensar, sonhar,
Imaginar que tudo o que quiser, será
Esse é teu mundo
Sentir, fluir, chorar, sorrir
Rimas óbvias, sentimentos
Esperar os momentos!
Fecundar idéias
Maturar abstratos.
Parindo um desejo
Ele se torna fato.
Componho realidades
Com uma matéria prima que não existe
Ou que pelo menos
Não estava nesses planos
Mesmo assim o instinto não desiste
O cheiro do caminho, amores, desenganos

E a certeza do nada!
Isso já é tudo.
Ter um absurdo,
É o que precisava!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Vai e Vem

Quando estás a me fitar
Reconheço-te através do seu olho direito,
No fundo da retina,
Onde tua graça se faz menina,
E a alma descansa as ilusões da matéria, em recomposição.

Da saudade que se encontra e conta
E se esconde nos ciclos da lua,
No movimento da tardança de tuas vontades
Entre um passe e outro
De dança e energia, em transformação

Vem, me dê a mão simplesmente
Não nos encontramos por acaso.
E o destino agora nos soa
Como uma canção que ressoa
Como nunca, foi, e eternamente. Ação e reação.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Palavras que voam

Se um dia eu te der palavras que voam
Não saia voando com elas
E me deixe aqui falando sozinho
Não se enalteça com meus versos, minha donzela

Meus sonhos são tudo o que tenho pra te dar
E é o pouco que jamais me pertenceu
Pois meu sonho pertence a quem sonhar, Deusa-mãe
E ao nascer eles vão a quem os acolheu

Mesmo assim, ainda alguns crescem ao vento
Se espalhando na forma de canção
E atravessam qualquer espaço tempo
Só pra se enraizar no coração
Já canção.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Ciclos do encantado

Esta era a oportunidade
Em um bem azul e calor de época, alvoroçados.
Vestindo o couro dos antepassados
Investi um rezar profundo, desmandado
Descampando nas pradarias
Do meu coração nordeste
Um caboclo de asas, Cariri
Em um auto, sertão, andaluz

Agreste

Entoando um cantar contínuo
Prestes a entendê-la, a recebê-la
Como um trovão nas águas
Irradiando a flor na correnteza calma

De olhos fechados e mente aberta,
O clarão lúdico nas pálpebras envivecendo,
O invisível, o normalmente imperceptível
Sonhos latentes em anos que se perdem
Como estúpidos nãos ignorantes.

Um novo século, um novo começo, um novo mundo
Sem infortúnios
Meu reino sem latifúndios
Castelos sem paredes nem muros
Sem realezas, sem certezas,
Em reais tragédias e belezas.
Naturalmente como nossas lendas!
Não há nada aqui que nos prenda
Se não, a perdida ou encantada liberdade

Esta era uma oportunidade
Na imparcialidade cíclica das vidas (no vão do tempo)
Nas verdades mais absurdas
Dos desejos veteranos
Um discurso, minha ingênua ideologia
Meu exercito de cantadores imaginários
Inveterados,
A implodir (não reprimir) revoltas!

“Em êxtase,
Dançam sobre o meu calvário
Enquanto voam as folhas
Das árvores, o calendário”

Ela talvez fosse a única, uma oportunidade
E minha ação não se perderia, sem palavras
Sem função, no presente
Minha língua em fogo ardente
Pronunciando poesias
Por entre fumaças mágicas
No circulo dos elementos
Na ânsia de reencontrá-la

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O delicado peso da leveza!

Pensei,

Que fosse mais simples, um ou outro desejo
Que o desenho que fica na parede da consciência
Fosse uma ingênua forma de guardar
Guardar de proteger,
Guardar de tornar,
Tornar de retorno,
De fazer com que seja, também,

Mas essa uma vontade intensa,
Rasgou o ventre da tranquilidade
Nascia assim, de mim, essa falta de ti.
Descobrindo a solidão,
Tornei-me inquieto
E só o sonho me faria ver
O que já era certo.

Então, lhe fiz uma canção
Pra conseguir minha paz
Um encantamentozinho
Nada demais!

Hoje entendo como é simples, toda tua complexidade.

Senti,

Fiquei surpreso!
Ali estava eu,
Digerindo uma certeza,

Surpreendido e preso
Ao delicado peso
De sua leveza.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Fuxico

"Hoje por acaso,
...vocês também perceberam a simplicidade da luz ao tocar o rosto da manhã?!
Menino! E eles ainda seguem juntos até então!"

Do prisma, e doce calor que me invadem,
Refratei palavra e som.
E me sentindo nuvem em meio a tudo,
Estou leve por fazer um fuxico bom.

sábado, 19 de junho de 2010

Desapercebida

Por certo ela chegou e não percebeu
Assim, não imaginava o céu
Sonhou distante mas pensou que era apenas um dia comum
Não. Não era!
Minha razão fez festa! Dos sentimentos nem falo!
Enquanto Kahlo, te escuto tanto em meu juizo!
Desenhemos a vida, que sejam amores e desgostos
Pra mim tudo passa pela expressão do seu rosto.
Os traços e linhas na palma da mão.
Vejo as telas, os filmes, ouço canções, leio Clarices
Não consigo assistir o espetáculo sem dar opinião. Eu sabia,
Quando ela percebesse meus olhos em gestos de paciência em dança
Talvez nos poupasse outra existência.
O que seriam desejos do corpo?
O que seriam necessidades da alma?
O sexto sentido feminino é o que nos salva
O instinto maternal indicou nossa divina providência.
Era o milagre da poesia em nossas vindas
Renascendo 

terça-feira, 8 de junho de 2010

Ancestrais

Ela me dará outra canção?
Meu peito involuntário se contrai
Aguardando impaciente em oração
Ela me consome o coração

Mas o que construí
Não se desfez
(Ai!) Não se desfaz
E ha de não se desfazer jamais!

O passado, os ancestrais
Deuses tortos
O porto, o cais
Da igreja da sé à matriz do juazeiro
É o caminho de um mundo inteiro

A partida, a chegada
O reencontro, o confronto
O crescendo na orquestra!
Eu fico tonto.

Me prometeste uma existência longa e de prazer
Viver o amor, a bel felicidade
Warakidzã, o sonho, o rito de passagem
Rompendo os ciclos de nossa imortalidade

Que nos atrai
E se refaz
E nos disfarça
Só para nos reconhecermos mais

Ancestrais!

Minha menina, te dou tudo o que quiser!
Porque por ti, conheço o perfume da flor
Sou cariri, meu destino é ser cant’a dor
Vi a mãe d’água!  Sei teus segredos, mulher!

Ela me dará outra canção?