As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

É isso

Va menina, mas, não leve essa dor
Mesmo que meu peito ja não faça diferença
Quando acreditas em mim
Ou me tens descrença

Sim, eu sei, esse é um samba triste
Mas tem a sua fortaleza
Eu o fiz pensando e você
Inspirado em sua beleza.

É isso. Sempre podemo escolher
Guardas mágoas ou ficar bem
Que então sejam de alegria
Essas lágrimas que nos vêm

Foi muito bom tudo o que passou
Tanto que nos temos saudade
Mas é isso, a vida seguiu seu rumo.
Que do nosso amor fique a amizade.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Indo na Contra-mão (Vontade Maria)

Se nesses contrários sentidos
As mãos bailam
Enquanto se move o corpo,
Se tua alma desenha no vento
Um movimento de fé,
Em favor do teu sorriso,
Ou de tuas lágrimas
Qualquer sentimento
Mas, que seja verdadeiro.

Segue então em tua contra-dança
Pois se teu sentimento inverso
Nesse momento é necessário,
Como um Belisário verso
Que se escuta com o espírito
E se declama com o coração,
Vai Maria! Segue nessa contra-rima
Mesmo que opostos, os caminhos,
Nos dão a certeza, nossos carinhos
Que mais tarde ou mais cedo, se encontrarão
Os sonhos que voltam e meiam e vão
Seja no fluxo mais óbvio da vida
Ou em tua contrariada, momentanea
Resguardada ou espontânea, vontade Maria.
Seguindo pela contra-mão.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Paixão na realidade

Não me olhe dessa maneira
Pois minha vontade,
Ainda menina, é passageira
Pode não voltar. Sair brincando.
Esconda seu olhos
Desperte o desejo dos meus, olhar.

Apenas quando você cantar
Estarei vulnerável
Com o destino favorável
E eu dançarei como o vento
Na cadencia de seus passos
Não acontecerão atropelos
Embaraços. Lembre-se,
Porque nada disso existe
Tudo isso inventamos
O encontro
As palavras
As canções
As danças
...

O beijo,
(Só pra constar,)
Pela sua incapacidade de fingir
Creio que foi de verdade.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Não.

Não faça mais isso conosco
Não aceite mais meu beijo fosco
Pra que o nosso eterno jardim
(Isso por você e por mim)
Fique ainda mais florido
Como nunca antes
Dai-me o teu "não" colorido!
Do teu sorriso sou inmerecido.
Dai-me tua voz alterada, cortante
Tua nobre fortaleza apaixonante
O teu olhar que me deseja distante.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Reciclos

Vamos vivendo
Ensaiando existências
Até que chegue uma eternidade
Seja ela qual for
Seja como flor
Doe sua seiva
Viver
Morrer
Nada, não simplesmente, passa
Tudo finda e recomeça
Animal
Vegetal
Mineral
Mas, sempre
Em cada alma
Um só espírito
A natureza
É o que nos resta.

domingo, 2 de outubro de 2011

Sonho

A pouco
Levantei num susto! Havia cochilado...
Olhei pra o relógio, vi que estava atrasado.
Fui, arrumar-me pra sair, era uma noite especial.
Tudo estava perfeitamente anormal.
Banhei-me,
Lavei os cabelos,
Escovei os dentes
Vesti meu traje mais belo
Calcei meus sapatos novos
Coloquei meu melhor perfume
Fui até a sala, e peguei minha cartola, a bengala
No espelho, conferi meus cuidados com esmero
Percebi que estava faltando algo...
Olhei bem, virei de costas, de lado, conferi o hálito, o desodorante,
Apalpei a gola, revi as mangas, franzi a testa, sorri forçado... estava tudo ajustado...
Mas, ainda faltava algo...
Pensei um pouco.
Então descobri! O tempo todo não estava na minha cara. Era tão óbvio...
Faltava meu corpo,
Eu o deixei em sua casa, essa noite passada, entre nossos sonhos
Vou cuidar de busca-lo, enquanto ainda durmo.

sábado, 1 de outubro de 2011

Agora estou na estrada
Não sei até quando
Nem se, terá, será, um fim
Mas mesmo quando não estou, eu sôo
E vivendo vôu, assim
Seguindo a caminhada
Da estrada que está em mim

Ilusão Sonora

Não se engane,
Esses olhos quase
Ou nada vêem!

A luz refletida em teu corpo sonoro,
Toca-me mais os ouvidos e coração
Me iluminando os sentidos
Na velocidade do sonho,
E não nos transformaria em nada
Que não pudéssemos existir aqui
Nesse plano. Nesse meio, tempo.
Mesmo que mudemos tudo de lugar
Pedras, águas, ventos. O fogo transformador...

Palavras e idéias
Vividas, pronunciadas
Sentidos diversos
De versos sentidos
Incontidos,
DeCantados

Em meus poros
Em tuas narinas
Minhas premonições
Teus instintos,
Felina.

Não nos des'enganam, os sentidos?...
O que é meu, o que e seu?
O que ficou desencontrado
No espaço-vento, intocado
Entre o meu corpo e o teu?

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Alma Moderna

Tenho pra o agora
Na luz dos antepassados, uma janela
De onde tão bela-e-tempestuosamente
Observo e sofro a acção do tempo e do vento
Esse sopro que não é de hoje, as vezes do ontem. Quase sempre do amanhã...
É a voz dos que me circundam.
Cada pessoa que tenho conectada, só me faz crescer. Soma. Fortalece.
Contínuo-ando. Cada célula em mim, que morre, faço questão de torna-la eterna.
Pois aos poucos, meu corpo, se transforma, e cede a condição humana, ao ciclo natural da existência.
Tão pouco, falo de ciência, ou meramente, da poesia que digitalizo e rompe a frieza dos bytes
Talvez alquimia, ou algo que esteja mais no plano do encantado
Um transe, tecnologia que seja...
Mas, independente dos fins, vivo aqui com vcs, :) em abreviatura de chats e essa nova relação com o meio, os meios, em processo.
A virtualidade, como extensão da realidade
Não diminui ou substitui o que que fomos ou o que seremos
Em meu ver, apenas amplifica, e leva a outros, novos planos,
Os sentimentos.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Olhar

Se ele não vê além do preto e branco
De nada adiantaria o seu vestido florido
A não ser que ele encontre no caminho
O imprevisto, sábio olhar de carinho
Que enxerga
 no mundo o colorido
De quem não se limita à visão dos olhos

domingo, 4 de setembro de 2011

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Choveu


Choveu neblinou, minha criança
E eu sai na rua a brincar
Feito louco, mateus, feito menino
Imaginando que você estivesse lá!

Mas se foi a chuva, passageira
Só deu tempo mesmo de sonhar
Que cada gota d'água era uma escada
Em que eu subia o céu pra lhe encontrar!

Agora ficou só o frio e a saudade
Virgem Maria que eu to pra padecê!
Porque o frio do corpo, eu até passo
Mas minha alma só se aquece com você!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Idade


De uma certa forma, abstratas
Um nosso amor ainda existe
Só que o meu peito resiste
Em requerer teu coração.
Pois se não fosse a idade, a razão
Outras tantas paixões me sustentando,
Inda hoje eu estaria sonhando,
Nos teus beijos, teu olhar,
Me em cantando
Hoje ao olhar pro tempo,

Nada estranha a mente,
Sei que na tua prosa
Sem ter um nome,
Minha saudade
Te consome,
Silenciosa.

sábado, 27 de agosto de 2011

Natureza


Eram tantos os sinais de tua natureza
Anunciando as chuvas, os estios,
Em seus ciclos, os fins e recomeços.

Não sei porque insisti
Não observei o meio.
- Talvez abrupto, pela ação do tempo
Ou quem sabe em transe,
De som em sonho, encantado.

Observando as estrelas,
Segui, fiz meus sacrifícios.
Sangrando em tua dor
Ou cantando em teu sorriso,
Fiz tudo o que foi impreciso.
Não me arrependo por isso.

Vez em quando ainda pendo
Mas tenho teu equilibrio
E solidez, e esperança
Estou na maciez de tua lembrança
Acalentado. Amamentado
Como uma criança.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Verbo Sentido

Aquela lágrima,
Não.
Não era uma lágrima de alguma liquida incerteza
Vento caído, terçol, nem de irritados ou mal-olhados, ou mal-amados, olhos.
Nem por mó da poeira da estrada, de alguma desadespedida tarde.

Nem da borrada maquiagem,
Que se aqüefez, n'um soluço que também não, não era de embriaguez
Nem da incerteza bebida, ex-tragada
Nem muito menos, dos anos, fingidos, fingida, ou inventada.

Aquela lágrima, solitária, não era de rijeza.
O suspiro realmente, não! Isso não, essa não, não era de tristeza

Aquela lágrima, era de fato.
De alguém que percebe a cena,
Na triste sina de Cassandra
Na constatação de um coração partido, atrasado.
Porque sempre, há um tempo ido, nunca ainda vivido
Na conjunção de um verbo sentido, mas, quando impronunciado.

Um sonho no Juazeiro

(Numa região paralela, sertão)
O corpo ainda dorme,
Caminha sonâmbulo, vinolento
Pelo centro nervoso da urbe
Uma peleja, desafiando o tráfego
De informação, e outros dados
Enarmonizando os sons, os sonhos,
Entre Seus Zés e Donas Marias
Crianças Cíceras,
Pastoras e anjinhos
(Ao longe, ruídos e freqüências,
Zambumbas e pífanos, torés)
Almas-vivas, penando
Criaturas estranhas nas ruas.
Pessoas, seres fantasticos de carne, osso
Cera, gesso, barro ou imburana
Desse e dos outros mundos, além.

Existe aqui uma certa beleza, mas, discreta
Ou encoberta, esquecida, ou quase apagada
Como lembrança, beata.

Sigo o fluxo dos pensamentos
Nas virtualidades da fé
Entre candeias e trevas
Poesias penadas
Em romaria
Pra salvação

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Joana Madrugou

Joana madrugou, madrugada!
Quais canções foram tocadas?
Em quais desejos, harpejada
Acordada, ela sonhou?

O que compuseram seus segredos?
Do juízo até os dedos
Da cabeça ao coração

Vidas?
Lembranças?
Em suas mãos, inspirada
Tão linda! Em seus anseios
Insone, debruçada.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Um acalanto e uma benção (Carneirinhos)

Carneirinhos. Sim, menina!
Eles sobem pelo horizonte
Onde o chão toca o céu, ao leste,
Brincando de voar, se transformam,
Em nossa imaginação

No perfume da rosa dos ventos.
No movimento da rodas do tempo.

E tudo estava claro,
Perfeitamente,
Na timidez silenciosa das flores.

Essa noite serão outros sonhos
Eles nos dirão sobre o nosso futuro.
(De três em três, por ti passarão, derradeiro ficarão
Se não for o primeiro, será o de atrás)

Do passado ficamos com tudo!
Agora fecharei os olhos e contarei lembranças,
Como esses carneirinhos de nuvens!
Me embalando na imensidão.

Olho pra ti
Segurando em tua mão
E como se fosses minha mãe
Te peço um beijo de boa noite
Um acalanto e uma benção

Relatividade

Agora, a pouco, o relógio olhou pra mim como se eu fosse um corpo estranho a pulsar
E ele me resmungou por alguns segundos, algo distante, relativo ao futuro
Coisas que de qualquer maneira, só entendi no instante em que passou.
Eu respirei, suspirei, e ignorando seus seus tic-tacs, pude sentir meu coração
Parti em minha natureza, porque já era hora.
Antes tarde do que nunca...


Daí olhei pra fora de mim
Então percebi que a manhã se foi
Já havia se ido
A tarde
A noite se foi
A madrugada


Fiquei pensando, inspirado
Na relatividade dos sentimentos

O teu amor me despertou
Por tua causa refleti o agora
Por teu efeito e filosofia vã
Que senti, que percebi
O quando havia se tornado hoje

O amanhã.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Bandeira Verde

Se foi a manhã.
Ja é detardezinha,
Daqui a pouco anoitece.
Está em tempo, os astros
Observo o firmamento.
Sigo em conjunção, em oração
Em minha natureza.
Me afasto um pouco
Hasteio bandeira verde
Demarcando a solidão necessária
Fico em silêncio, introspecto
Sintonizo com o mundo
Da forma mais clara e precisa
A candeia divina me ilumina o externo
Por dentro reencontro os anseio e desejos
Encaro as coisas que me foram colocadas, muitas delas escolhidas
E entre uma lenta respiração e outra, o orvalho da floresta
Sons de maracas, zabumbas e tabocas
Meu povo se aproxima, a reunião está começada.
Falamos da saudade, e sorrimos,
Pois sempre sabendo do reencontro.
As mãos que tocavam, os rostos que tocavam, as canções.
Os pés que dançavam, os corpos que dançavam, as canções.
Amanhã estarei no presente novamente.
Hoje é passado e futuro.
Salve.