As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

domingo, 9 de novembro de 2014

Os pequenos João e Clarice

Ele as vezes chegava do nada
Me contava uma história engraçada
Me arrancava uma gargalhada
E fazia amor comigo

Vez ou outra chegava ao meu lado
E assim como alguém acolhido
Me arrancava um sorriso calado
E me abraçava como um amigo

Sempre quando ele sumia
Em alguma de suas viagens
Me mandava umas mensagens
Com canções e trechos de poesias

Parecia nunca estar triste
Mesmo quando sabia que estava
Mas ele dizia que passava
Logo depois que eu sorrisse

E assim ele me conquistava
E quando dei fé já estava
Casada, com suas palavras,
Silêncios, canções e meiguices

E sempre que ficamos
Chateados com a mesmice
Ele canta essa canção e dançamos
Contando como nos apaixonamos
Pra os pequenos João e Clarice

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A Menina Dança

Como meus versos e corações
Ela pula. Pulsa.  Dança.     .       .
Incansável
Em seu tempo de cena. Uma criança.
Quisera eu
Ter aquele sorriso saltando da boca
Sempre que o mundo me parecesse hostil
Na fotografia, em câmera lenta
Sinto o seu movimento eterno
E ouço a voz de seu peito
Me declamando alegrias.
Suas palavras são canções
São poesias
Que impulsionam a mim e o mundo
Pra um lugar qualquer no futuro
Onde as coisas não perdem
O tempo da felicidade

sábado, 1 de novembro de 2014

Dramaturgia moderna

O tempo das coisas
Da vida,
Anda um tanto estranha, enfim,
A cronologia existe mais pra dizer que não.
O sorriso quase sempre acontece depois da alegria passada
Porém, assim,
A tristeza finda por desencontrar-se de si
Quando já não mais existe
E o dia renovou-se
Com outros sentidos
Sentimentos e percepções
Que tendem para a esperança
Em uma ingênua e necessária fé

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

A palavra que quiser

Hey, senhorita Bei
Metade mulher, metade outro gênero,
A meia a-palavra-que-quiser
Vamos tomar um café com hibiscos?
Caminhar pelo tempo
Vendo flores onde não existam
Motivos pra cantar poesias
Pra declamar declarar silêncios
Plantar cores inimagináveis
Onde seja desnecessário
Desenvolver um absurdo diálogo
Como quem observa
Estrelas do mar candentes
Lindas e indecentes
Nos mais profundos abismos
Sociais abissais da velha São Paulo

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Peão

Nesse jogo, sou uma peça clássica
Onde ao menos, é minha a trilha sonora
Sigo no embate, tenho minhas dúvidas.
As peças mudam o tempo todo
Como um jogo de movimentos tétricos
O tabuleiro grande representa o reino dos homens
Onde sei que sou um peão,
Faço o meu trabalho
O trabalho dos outros
Todo o trabalho pesado
Todo o trabalho do mundo
Mas, de tanto trabalhar me sinto leve e canto
Fico rodopiando, em meu movimento de dança,
Compondo músicas aos ventos
E eu nao posso parar,
Em nenhum momento
Não me segure
Se não eu caio

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Oração Dominical

Vibremos na energia do bem
Equilibrando as polaridades
Na freqüência divina da deusa
E sigamos no exercício ininterrupto:
Amor humildade e tolerância!
A canção nos virá como uma oração
Sintonizando Alma, mente e coração
Que o mal e tudo que houver de negativo
Numa dança em círculos
Ao toque do meu tambor
Se transforme em risos
Óh, Força ancestral de onde emana a luz por toda a existência!
Transforme toda inevitável dor em consciência
Transmute todo ódio em fé e resistência
Para que continuemos declamando poesia-esperança
À todos aqueles que não conseguem enxergar as cores,
Consentir o perfume que brota das flores
Em todos,
O renascer dos sóis
Por todos,
Os cantos

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Despido

Hoje seria um bom dia pra sair nu,
Nesse agradável calor e ventania
Nu de roupas, de idéias
Nu até de corpo
Para que a luz pudesse
Vestir minha alma
Em seu prisma refratado
De todos os tons
Arcoíricos

sábado, 20 de setembro de 2014

São Paulo vai virar sertão...

Numa noite dessas
Quando não estou a tocar
Mesmo com o corpo cansado,
Em minha mente,
Não descansam os sonhos
Os sonhos nunca dormem...
Penso na relatividade do vento...
Nas horas seguindo em seu curso
O cigarro se apaga
O frio me envolve
E como o abraço desconfortável de um inimigo
Temo uma incerta confusão das células
Tento compor essa canção
Na ânsia de evitar uma tensão nos órgãos
Pela coincidente falta d'água
Em meus olhos, em São Paulo
No sertão
Na metrópole
Hoje desconfio, tanto faz,
Se não nos chovesse
Se não me viessem as lágrimas
Não seria por falta ou excesso de vontade
simplesmente
Seria por falta de esperança
Por isso, sempre que posso
Guardo comigo lembranças
Porque elas me fazem sentir
Tudo o que preciso
Quando, mais, ou menos, preciso
De motivos pra continuar dançando
Por um mundo, uma vida, ou pelo menos
Por uma madrugada melhor
Em seu silêncio mais suave
Belo e aterrorizante.
Sinto minha alma transfigurar-se
No pulsar quântico de meu coração
O corpo físico, máquina, 
Processando uma nova melodia
Que inicia um novo batimento
Um lugar mágico em que descubro a harmonia
E os sonhos tornam-se reais
Ali, nesse não lugar, rodopia uma bailarina
Vestida de Rainha
O reisado
Agora
É aqui
E todos os entremeios
Brincam em meu peito

terça-feira, 16 de setembro de 2014

#paquera

Na rua nos encontramos
Trocamos meios olhares
Passeando pelas realidades
Com a atenção dividida
Entre os dispositivos móveis
E uma antiquada fixa paixão
Amor não-amor...

Solitários selfes
Bem, não podemos dizer
Que não ouve uma conexão
Não nos beijamos
Mas postamos esse sentimento
Que talvez tenha passado batido
Email a tanta informação
 

Cariri dub Toré

Mandou o som no subgrave
O som estrondou na imensidão
Virou trupé pisei no chão!
Baixou os cabôco, eu digo: salve!
Com o meu Maracá na mão

Numa força ancestral
Convidando à dançar
Num pé começo a marcar
Na energia dos caboclo
Nessa força Eletrolisado
Desconfundindo a consciência
Sintonizo na freqüência
E começo a rodopiar
Uma pra lá e um pra cá
Cariri dub no Toré
Se tu quer ver como é que é
Deixe a maraca te levar

sábado, 13 de setembro de 2014

Em Partes Inteiros

Meio ingênuo
Sou por inteiro sonhador
Imparcialmente romântico
Confiante em meus instintos,
Feminino, menino,
Acredito em tudo o que tu me disser
Até no que não me dizes, mas,
Falam, teus olhos
Porque não?
No máximo, mesmo que nada desse certo
Eu cantaria uma canção,
E no mínimo todos dançaríamos
Juntos ou não
E mesmo que eu não pudesse dançar
Também seria minha a revolução

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

InDescrição

Tivesse eu um amor assim aos tempos

Pra abraçar às minhas vontades, aos ventos 

Dançaria até o anoitecer dos braços, aos abraços


Arredia, findaria minha saudade, aos risos, e sorrisos

Não tardaria por fim, minha canção sem um salto, um vôo

Um harpejo danado até o chão e céu de tua boca

E minha alada fé de paixões inconseqüente, mas, bem amadas


Madrugaria enfim, ao mastigar e ruminar teu corpo.

E o perfume, teu cheiro, em minha nua conspiração, e respiração

Ofegaria, dançante e delirante gozo

Apertando minhas costas, costelas e constelações.


Por fim, seria apenas mais um começo?

Um amanhecer de cantos pássaros

Confundindo-se com o sussurrar

Romântico, clássico

Dos fortuitos beijos?

sábado, 30 de agosto de 2014

Post

Não quero apenas curtir o momento

Quero curtir e compartilhar o sentimento

Não quero a sensação de tempo perdido

Mais ou menos a sensação da pressa sem sentido

Quero o equilíbrio e sabedoria dos mestres

O domínio sobre o corpo físico

A intimidade do meu espírito

Com todos os nossos espíritos

Ancestrais

Quero poder ser outros. Porque não?

Mas, sem nunca deixar de ser eu mesmo

Em todas as minhas formas

Virtuais

Não quero apenas um livro de rostos

Quero imagens e vivências reais

Sejam de amor as cores guardadas

Ou mesmo da dor inevitável

"Das paradas"

Quero a vida como ela é, e como pode ser

Como ela foi... estamos aqui,

E estamos guardados e linkados

Conectados

Reconhecidas as faces

Não quero apenas a tecnologia

E poder lhe cutucar, lhe notificar meu carinho

Sem o desenvolver, a evolução do ser

Ou não ser, eis a questão,

Quero agora e sempre

Estar aqui, e por aí, pleno

Em corpo, espírito, instinto

E avatar

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Encantamento

Mas se for encantamento de amor

A única coisa no mundo

Que quebra esse encanto

É o desencanto

Por isso seja o que for

Não me importa

Eu vivo

Eu canto

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

O Sertão

Onde o tempo não trafega em avenidas largas
Caminha ou dança ou voa tranquilo
Por entre veredas e céus azulentos
Quando o espaço sem fronteiras, sem cercados
É Indelimitado d'onde a poesia que apenas distingui o ser ambiente em seu meio,
cor a estação a qualidade dos tons de verde
Em verso, o cantador entoa a prosa da gente simples
Que vive alheia as coisas desimportantes que causam câncer (aquela triste confusão das células do corpo).

Onde começa e termina o sertão?
Quero entender esse teu sentimento...
- Perguntou a menina, urbana, de sorriso inocente.
Eu feito "matuto" não tive muito o que falar,
E numa melodia que me veio de repente,
Cantei assim, olhando em seus olhos,
(Porque só isso já diz muita coisa que se sente),
- Menina, o sertão, termina e começa, dentro da gente

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O que Toco?!

Olha, eu sei bem o que toco

E por isso, eu não sei o que toco

Eu toco o tudo, eu toco o nada

Eu toco a vida, a vida me toca

Eu toco você, eu, toco a paixão

Eu toco a alegria, toco o terror

E "taco" fogo no que me prender!

Me toco, eu, toco você, assim,

Me desprendo daqui, vou por aí,

E me liberto, tocando, puro

E curo, qualquer dor

Se toca, te toco

Toco tudo o que você quiser

Se tudo o que você quiser for amor

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Andamento II

Sigo na noite
Sim. Devo estar perdido
Como o som do meu assobio no vento
Me encontro onde tudo posso e nada me envaidece
Sigo pelas vias aéreas
Ofegante
Batendo as asas, vôo rasante
Respirando tudo o que está no ar
O que restou do dia
(Porque nunca a manhã se demora
E nem é tarde demais)
Em uma música cíclica que agora se manifesta
E gira em torno de mim, saci, saltado brincando,
De um lado pra o outro
De meus hemisférios.

As luzes formam o cordão de pouso
Por onde vem e vão as idéias (ilusões?)
Ela está aqui cantando
De alguma forma
Ela está aqui dançando
A natureza de minha alma
Caminha madrugada a dentro
Madrugada a fora
Geralmente nessas horas
Eu paro em meu tempo
Em meu andamento
E guardo
Uma história
Pra quando acordar
Durma ou não
Meu corpo
Eu sonho
O mundo corre
Enquanto caminho brando

sábado, 10 de maio de 2014

Moto-contínuo

Há uma contradição em mim...
Não. Não posso dizer "em nós".
Eu sei, não estamos sós. São tantos sóis
O que há além da individualidade?
Em que lugar do tempo
Deixamos de perceber na pratica
A música da chuva a cair do céu e escorrer pelas calhas?
O som paterno do vento a falar pelas janelas e portas,
Como a voz natural da consciência?
O silêncio dentro da gente quando no fim da tarde,
Esta se torna plena e orquestradamente luminosa
Como um guia espiritual?

Em que lugar não descansa o meu juízo sonâmbulo, entre noites e madrugadas tranqüilas, folheando o livro dos dias enquanto sigo, a vida, a pulsar em meu peito, feito uma estrela-parte do organismo quântico de deus, em mim, o todo, o meio?!...
Porque pensar no início ou fim
Se o tudo e o nada estão agora aqui?
Não perdi meu tempo nessa canção
Pra reencontrar apensas
Mais um sentido efêmero e relativamente real para existência
Dei tantos arrodeios,
Porque a vida é assim,
Uma corriqueira poesia infinita
Que carece mais sentimento que explicação.

São ciclos que se completam num moto-contínuo
E isso independe do universo
Estar ou não em expansão
Cada um de nós é um bigbang eterno
Delicado e simples
O ódio que transfigura-se em amor
E realimenta a alma, a mente
O corpo físico
O coração

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Andamento

Achava que havia esquecido
O quanto era boa a sensação,
Sair com os pensamentos descalços
Pelas ruas da tarde em juazeiro
Sorrir com os pés plantados no firmamento
Feito o doce algodão antes da missa dominical
Ver, ouvir a fé das pessoas
Sentir seus silêncios e orações
Sua paz e sabedoria humildes
Resistindo a arrogância dessa falsa ou equivocada modernidade.
Evoluído mesmo é quem é lento feito a eternidade
Quem fala cantando na língua das aves
A revoar na dança contemporânea
Dos ventos com as árvores

sábado, 26 de abril de 2014

Criança

Eu prefiro dizer que as coisas não são apenas,
Coisas
Que o nada é praticamente tudo
E que mesmo assim, o tudo quase nada,
é tão tanto
Que o mais complexo, é simples
Pela sutileza e delicadeza
Que além de toda desinformação pelas mídias difundida,
As frases de efeito, na verdade,
São poesias,
Em dizeres populares
Em cantigas de roda.
Crer que as pessoas são todas esperanças
Na alma
Muito além do vendido pervertido consumido
Corpo
E quando a mente, não mente
É porque de alguma forma o instinto evoluiu,
De sua forma selvagem
Pra intuição
Que a ciência enfim admitiu
Que tudo é mágico, e magnífico e até meio bobo
E o universo é tão pequeno quanto
A maior das intenções de amor e cuidado
De uma criança
Apaixonada por seus pais
Ou mesmo
Por aquele seu brinquedo
Mais barato
As vezes até inexistente
Inventado
E a sua maior beleza
Vem justamente
Desse seu valor
Insignificante

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Tempestade e calmaria

O meu amor subiu às nuvens
Ela foi e eu fiquei aqui
Mas mesmo em tanta distancia
Sabemos que não é um fim
Uma dia eu vou, ou ela volta,
Mas por enquanto, conectados
Eu na terra, e ela no céu
Trocamos mensagens pelo espaço-tempo
E ela me manda chuvas e raios
Na energia que dança em bons ventos
Sou assim, danado, mas preciso também
De calmaria,
De saudade!
Sim, eu careço da sua paixão
Essa força divina, intuitiva
Que me faz poesia e tempestade
Nos dias de solidão