As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Elipses

Nosso tempo já passou
Nosso tempo é agora
Está passando
Enquanto você pensa demais
Eu estou sentindo muito
E canto no tempo que quiser
Tráfego entro o futuro e o passado
A música é meu presente
O tempo é o que o sentimos
O espaço é o que pensamos (que sabemos)
O amor
O amor é um substantivo feminino
Uma singularidade
A paixão que vivemos
Que atrai os corpos
É gravidez é gravidade
O que nos faz eternos
São nossas almas girando
Nessas elipses
Há espiritualidade

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Maria do Mar

Maria ia
Ia ao mar
Ria
No caminho
Eu também ria
Seguindo para o Rio
O rio levando ao mar
O mar nos fazendo sorrir
Enquanto íamos o sorriso nos levava
Nós estávamos nos caminhos das águas
E em toda lugar onde a gente sonhava
Maria estava e seu sorriso brilhava
E de tempos em tempos
Escorriam lágrimas de alegria
Como nos ciclos da natureza

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Reza

oração é uma forma poesia
Não adianta ser apenas decorada
De nada vale ser apenas repetida
So tem função se for pensada
Só tem sentido se for sentida

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Companheira

Amanheceu
Ela acredita
Depois do eterno luar
Em que nos sacralizamos
Com todos os feitiços pronunciados
A menina dançou, cantou
Ela acredita
Sentiu toda a ancestralidade
A individualidade de sua alma
O peso e a leveza do seu corpo e mente
A sabedoria inevitável da feminilidade
Da fertilidade, o sangue e a seiva da vida
Que jorravam de suas profundezas
A menina cantou, dançou
Em sua fé inabalável
Na certeza de seu sexto sentido
Ela me olhou por cima do ventre
Por entre os seios
E me derramou suor e lágrimas
Gozamos a vida, tragamos os sonhos
Conversando sobre o futuro
Ele pegou minha mão
Beijou meu destino
Leu meus lábios e interpretou
A poesia que eu ainda nem havia escrito
Eu cantei sobre seu corpo
O tempo o espaço e a gravidade
Em quais dimensões mais
Poderíamos existir em amor e tão leve poesia em densa material? 
Ela olhou pra mim e disse:
Amanheceu...
Eu acredito
Acredite
Tenha fé.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A Tao da Física

Quando paro pra pensar
O tempo passar por mim
Quando penso caminhando
Quase sempre consigo acompanhar o tempo
E acredito que sigo no tempo das coisas
Mas, quando não paro pra repensar
Desnecessários porquês
Sinto que me sobra um tempo relativo
Aos sentimentos que temos pelas coisas simples
Tempo pra o que sentimos em razão do sonho
Tempo pra o que acreditamos em função da arte
Tempo para a fé cega às intolerâncias
A gravidade torna-se leve
E o espaço traduz-se 
Pressinto a comunhão do espírito
Com a matéria em estado de composição 
Minha música, inexplicavelmente
Propaga-se no vácuo
Deixando um rastro fecundo de vida
Como uma poesia, varando o infinito
Sem carecer de explicações
Escrita pelos ciclos das vidas
O amor, numa língua ancestral, universal
Em cinco dimensões

Tenro

Ontem-hoje
Cheguei pelo céu aberto
O tempo choveu
Encarregando-se de aguar o terreiro
Brinquei como um cão rolando no chão
Enquanto a noite despia-se das nuvens
, pra mim,
Durante meu entressono
Os silêncios transmutaram-se
Dando espaço aos sonhos do dia
Os pássaros cantaram fortuitamente
Senti-me em casa 
Escrevendo meus pensamentos
Como se minhas impressões
Na gravidade da luz
Fossem tivessem o som de poesias matriciais
Ou mesmo, indo além,
Cheiro, cor e lembranças
Das provas finais em estêncil
Feito o branco-azul-manhã
Dos meus jardins da infância
Tenro

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

EnCantoria

Do firmamento, invisível de tua janela
Em silêncio entro em sinfonia com o universo
E de alma debruçada sobre o teu corpo celeste
Vejo a luz curva-se em seu horizonte infinito
E nesse estático movimento de dança
Ouço a noite passar sem sair do canto

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Amor

Não prendam-se a nada
Esteja livre em tudo
Para que assim
Seja desnecessário
O desejo de fugir-se
Mas enfim
Se algum dia encontrar-se
Sentir-se, sem sentir
Apele pra o amor
Essa oração libertadora
Desatadora dos sós

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Passado

Ela me falou, áspera
Muito mais do que ressentia ou precisava
Eu, não lhe respondi nada, 
Mesmo com todo silêncio que eu tinha
Preferi
Por tristeza ou maturidade
Refletir
Fazendo uma canção
Para
A poesia inacabada
Que eu nunca lhe daria

domingo, 9 de novembro de 2014

Os pequenos João e Clarice

Ele as vezes chegava do nada
Me contava uma história engraçada
Me arrancava uma gargalhada
E fazia amor comigo

Vez ou outra chegava ao meu lado
E assim como alguém acolhido
Me arrancava um sorriso calado
E me abraçava como um amigo

Sempre quando ele sumia
Em alguma de suas viagens
Me mandava umas mensagens
Com canções e trechos de poesias

Parecia nunca estar triste
Mesmo quando sabia que estava
Mas ele dizia que passava
Logo depois que eu sorrisse

E assim ele me conquistava
E quando dei fé já estava
Casada, com suas palavras,
Silêncios, canções e meiguices

E sempre que ficamos
Chateados com a mesmice
Ele canta essa canção e dançamos
Contando como nos apaixonamos
Pra os pequenos João e Clarice

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A Menina Dança

Como meus versos e corações
Ela pula. Pulsa.  Dança.     .       .
Incansável
Em seu tempo de cena. Uma criança.
Quisera eu
Ter aquele sorriso saltando da boca
Sempre que o mundo me parecesse hostil
Na fotografia, em câmera lenta
Sinto o seu movimento eterno
E ouço a voz de seu peito
Me declamando alegrias.
Suas palavras são canções
São poesias
Que impulsionam a mim e o mundo
Pra um lugar qualquer no futuro
Onde as coisas não perdem
O tempo da felicidade

sábado, 1 de novembro de 2014

Dramaturgia moderna

O tempo das coisas
Da vida,
Anda um tanto estranha, enfim,
A cronologia existe mais pra dizer que não.
O sorriso quase sempre acontece depois da alegria passada
Porém, assim,
A tristeza finda por desencontrar-se de si
Quando já não mais existe
E o dia renovou-se
Com outros sentidos
Sentimentos e percepções
Que tendem para a esperança
Em uma ingênua e necessária fé

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

A palavra que quiser

Hey, senhorita Bei
Metade mulher, metade outro gênero,
A meia a-palavra-que-quiser
Vamos tomar um café com hibiscos?
Caminhar pelo tempo
Vendo flores onde não existam
Motivos pra cantar poesias
Pra declamar declarar silêncios
Plantar cores inimagináveis
Onde seja desnecessário
Desenvolver um absurdo diálogo
Como quem observa
Estrelas do mar candentes
Lindas e indecentes
Nos mais profundos abismos
Sociais abissais da velha São Paulo

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Peão

Nesse jogo, sou uma peça clássica
Onde ao menos, é minha a trilha sonora
Sigo no embate, tenho minhas dúvidas.
As peças mudam o tempo todo
Como um jogo de movimentos tétricos
O tabuleiro grande representa o reino dos homens
Onde sei que sou um peão,
Faço o meu trabalho
O trabalho dos outros
Todo o trabalho pesado
Todo o trabalho do mundo
Mas, de tanto trabalhar me sinto leve e canto
Fico rodopiando, em meu movimento de dança,
Compondo músicas aos ventos
E eu nao posso parar,
Em nenhum momento
Não me segure
Se não eu caio

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Oração Dominical

Vibremos na energia do bem
Equilibrando as polaridades
Na freqüência divina da deusa
E sigamos no exercício ininterrupto:
Amor humildade e tolerância!
A canção nos virá como uma oração
Sintonizando Alma, mente e coração
Que o mal e tudo que houver de negativo
Numa dança em círculos
Ao toque do meu tambor
Se transforme em risos
Óh, Força ancestral de onde emana a luz por toda a existência!
Transforme toda inevitável dor em consciência
Transmute todo ódio em fé e resistência
Para que continuemos declamando poesia-esperança
À todos aqueles que não conseguem enxergar as cores,
Consentir o perfume que brota das flores
Em todos,
O renascer dos sóis
Por todos,
Os cantos

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Despido

Hoje seria um bom dia pra sair nu,
Nesse agradável calor e ventania
Nu de roupas, de idéias
Nu até de corpo
Para que a luz pudesse
Vestir minha alma
Em seu prisma refratado
De todos os tons
Arcoíricos

sábado, 20 de setembro de 2014

São Paulo vai virar sertão...

Numa noite dessas
Quando não estou a tocar
Mesmo com o corpo cansado,
Em minha mente,
Não descansam os sonhos
Os sonhos nunca dormem...
Penso na relatividade do vento...
Nas horas seguindo em seu curso
O cigarro se apaga
O frio me envolve
E como o abraço desconfortável de um inimigo
Temo uma incerta confusão das células
Tento compor essa canção
Na ânsia de evitar uma tensão nos órgãos
Pela coincidente falta d'água
Em meus olhos, em São Paulo
No sertão
Na metrópole
Hoje desconfio, tanto faz,
Se não nos chovesse
Se não me viessem as lágrimas
Não seria por falta ou excesso de vontade
simplesmente
Seria por falta de esperança
Por isso, sempre que posso
Guardo comigo lembranças
Porque elas me fazem sentir
Tudo o que preciso
Quando, mais, ou menos, preciso
De motivos pra continuar dançando
Por um mundo, uma vida, ou pelo menos
Por uma madrugada melhor
Em seu silêncio mais suave
Belo e aterrorizante.
Sinto minha alma transfigurar-se
No pulsar quântico de meu coração
O corpo físico, máquina, 
Processando uma nova melodia
Que inicia um novo batimento
Um lugar mágico em que descubro a harmonia
E os sonhos tornam-se reais
Ali, nesse não lugar, rodopia uma bailarina
Vestida de Rainha
O reisado
Agora
É aqui
E todos os entremeios
Brincam em meu peito

terça-feira, 16 de setembro de 2014

#paquera

Na rua nos encontramos
Trocamos meios olhares
Passeando pelas realidades
Com a atenção dividida
Entre os dispositivos móveis
E uma antiquada fixa paixão
Amor não-amor...

Solitários selfes
Bem, não podemos dizer
Que não ouve uma conexão
Não nos beijamos
Mas postamos esse sentimento
Que talvez tenha passado batido
Email a tanta informação
 

Cariri dub Toré

Mandou o som no subgrave
O som estrondou na imensidão
Virou trupé pisei no chão!
Baixou os cabôco, eu digo: salve!
Com o meu Maracá na mão

Numa força ancestral
Convidando à dançar
Num pé começo a marcar
Na energia dos caboclo
Nessa força Eletrolisado
Desconfundindo a consciência
Sintonizo na freqüência
E começo a rodopiar
Uma pra lá e um pra cá
Cariri dub no Toré
Se tu quer ver como é que é
Deixe a maraca te levar

sábado, 13 de setembro de 2014

Em Partes Inteiros

Meio ingênuo
Sou por inteiro sonhador
Imparcialmente romântico
Confiante em meus instintos,
Feminino, menino,
Acredito em tudo o que tu me disser
Até no que não me dizes, mas,
Falam, teus olhos
Porque não?
No máximo, mesmo que nada desse certo
Eu cantaria uma canção,
E no mínimo todos dançaríamos
Juntos ou não
E mesmo que eu não pudesse dançar
Também seria minha a revolução

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

InDescrição

Tivesse eu um amor assim aos tempos

Pra abraçar às minhas vontades, aos ventos 

Dançaria até o anoitecer dos braços, aos abraços


Arredia, findaria minha saudade, aos risos, e sorrisos

Não tardaria por fim, minha canção sem um salto, um vôo

Um harpejo danado até o chão e céu de tua boca

E minha alada fé de paixões inconseqüente, mas, bem amadas


Madrugaria enfim, ao mastigar e ruminar teu corpo.

E o perfume, teu cheiro, em minha nua conspiração, e respiração

Ofegaria, dançante e delirante gozo

Apertando minhas costas, costelas e constelações.


Por fim, seria apenas mais um começo?

Um amanhecer de cantos pássaros

Confundindo-se com o sussurrar

Romântico, clássico

Dos fortuitos beijos?