As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Instrumento da Salvação

A maturidade é uma poesia
Que a vida deescreve
Em seu decorrer

Em prosa
O tempo dá
O tempo tira

Em versos
O espaço
Fica cheio e se esvazia
E num pulsar quântico
É prenho preenchido
Com sabedoria

E feito repente
A idade encara o mote:
A cara da morte

Repete-se em loops a canção
E a vida retorna-se:
- Instrumento de salvação
Partes de um todo, de um tudo
Inteiramos-nos ao nada, do nada
Juntam-se os cacos da consciência
Quebrados pela insistência
Da negação da física distância
Da espiritual lembrança
Da desnecessária explicação
Da existência

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Fluxo

Uma sombra movia-se contraria ao sol
Enquanto deslocava-se o tempo no espaço
A gravidade, atraia os corpos ao eixo do movimento inicial
Uma dança dos astros que tecia influências sobre os corpos terrestres
Não apenas pela água de suas composições
Ou pelos elementos contidos em sua densa matéria
Nem dos fragmentos de estrelas em suas canções-memórias.
Havia poesia nas engrenagens do cosmos
E nas conexões entre as dimensões
Nossas mentes captavam em fractais
Os sentimentos que vagavam no céu
Pelos signos e aglomerados de estrelas
E espíritos errantes cruzando vidas e existências
Sob a consciência universal até a reencarnação
E a dependência momentânea do carbono...
De alguma forma, eu sabia o que dizer
Quando ela me perguntava as horas
Olhava pra cima e reparava
Na fase da lua, o solsticio,
Nas cores da vegetação predominante naquela estação
Tudo tinha um elo bastante claro, não era raro nem de complexo entendimento
Nunca existiram fronteiras no firmamento
Estávamos todos aqui
Ocupando um mesmo lugar
Bastava sentar no batente
Numa tarde do sertão e sintonizar
Como um mote de repente, na cantoria infinda das vidas
Toda história possível estava representada
No amor que tinhamos conosco
Não apenas nos versos óbvios
De uma individualidade romantica apaixonada
Mas nos sentimentos que eu só poderia entender
Quando na verdade simplesmente me permiti
Sentir
Era o movimento
Que vinha e partia.
Não havia isso de morrer, viver
Era apenas o processo que importava
Encontrar-se
E seguir

sábado, 4 de julho de 2015

Distância

Em algum lugar entre o polo norte real e o magnético
Se encontrou a minha perdida canção
Nos sonhos que giram mundo
À necessidade de dançar,
Que migra seguindo o sol nascente
E o meu desejo nômade,
No desencontro da tristeza com a poesia
A incerteza, esta amiga atrevida que me convida a desafiar a maldade do mundo...

Em algum lugar nesse tempo e espaço onírico, está você, e sua alegria e sorriso iluminado
Sinto-me imensamente feliz
E agradecido, mesmo na distância,
Porque sei que o seu amor é maior que qualquer físico deslocamento
E tua bondade está sempre a semear felicidades
Como as flores que nascem nos teus passos
E o perfume que deixas onde passas
Com tua fértil e benfazeja
Pueril esperança

domingo, 28 de junho de 2015

Crepúsculo

Ela se emociona no colo da terra
Nos abraços onde estou.
E segue com o pôr do sol
Desterrando os olhos ao horizonte.

Lá estará, num vislumbre o seu caminho?

A luz divina em teus olhos refletida,
Mostrará o destino como um canto do arrebol
O sol, a lua, se pondo e renascendo num bailado eterno
A cada dia
Vida
Dádiva

Estenda suas mãos ao tempo
E colha os frutos da esperança
Que nascem a cada oração
Alimentando os sonhos, crianças
Sejamos como as lembranças
Saudades e reencontros
Equilibrando alma, mente e coração

sábado, 20 de junho de 2015

Profecia Universal

Quando nos encontraremos pela estrada?
Em qual estação seremos sol e chuva?
Quando o céu for propício,
E os astros estiverem alinhados
Aos olhos e corações do hemisfério norte e sul
Seremos eclipse 
O movimento de rotação e translação
Será a dança sagrada das novas gerações
O mundo partilhará do amor divino
com nas profecias e contos da antiguidade
Então seremos uma singularidade
Nem homem, nem mulher
Cada uma será tudo o que quiser
E o gênero estará além dos antigos humanos
A maldade e a intolerância pertencerão ao passado
Assim como o presente será das crianças
Num futuro já realizado

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Movimento III

Aqui a lua cheia de saudade vai minguando
O céu, do hemisfério sul ao norte
Parece um tanto quanto calmo
Até que as estrelas afoitas riscam os céus
Alvoraçados, os desejos dos amantes
As palavras dos poetas
As marés em seus bailados eternos
- O corpo das mulheres que dançam -
Sentem a influência dos astros
E numa energia sutil que rodopia
Em rotação e translação infinita
Se recria o amor que percorre todo o universo
Assim todos se sentem a conexão
E no fundo, vivem a mesma paixão inevitável
A deusa canta sua oração d'aurora
E o velho-novo ciclo se refaz
A vida-morte segue em suas coexistências
Duvidas e fés renovadas
Sem descriminar gêneros
Luz e escuridão
Silêncio e canção
Partida e chegada

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Recomeço

Foi tão bonito, tão intenso
Tão verdadeiro propenso
Que feito estrela surgiu e se findou
Como uma joia de brilho raro
Mas que delicada se quebrou
E ficamos catando as notas
Cantando o caminho, as rotas
Catando os cacos do carinho que ficou

Juntamos as partes quando partimos
Transformamos em sonho o que sobrou
Em poesia, sentida e praticada, amalgamada
Porque tudo deu tão certo que recomeçou
Era o fim, esse outro inicio de estrada.
E assim ficamos e seguimos
Com outros sabores, vivos
Nas dores e alegrias
Do que vivemos
E crescemos
Em todo
O nosso
Reciclado
Transmutado
Reconfigurado
Amor

Tarefas do Dia:

Fazer do som, música
Do movimento, dança
Da vida, poesia
Romance, conto, espetáculo
Do amor um caminho pra tudo isso
* E tudo mais do que acontecer naturalmente
Sem intervenção humana,
Que seja visto com os olhos
Apaixonados de uma criança
Que brinca e vê beleza
Em tudo                       ...
E qualquer aparente nada

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Fogueira

A matéria, entregue ao fogo
Transmutava-se
O plasma consumia
O âmago orgânico
Do combustível corpo
Emprestando calor
E energia luminosa
Aos que brincavam ao seu redor
No alto, o céu mostrava-se
Despido dos tempos
As palmas
Os tambores
O coro
Em transe
O calor da fogueira
O orvalho da madrugada
Assim adentramos à noite
Conectados à ancestralidade
Em canto entoado
E poesia bailada
Na madrugada o ritual
O terreiro era o canal
E a festa
Abençoada

sábado, 2 de maio de 2015

Escrevi no Feminino_

Ele anda procurando um amor
Corre o mundo,
Buscando o universo dentro de si
Em busca de paz
E perfeição

Nas voltas
Eu aqui ao seu lado
Sempre fui sua amiga,
Tudo o que precisaria
Pra não me apaixonar
Mas o que?!
Agora já era tarde

O vinho
E canção da noite
Brindaram nossa amizade
Embalando
Nossa despreocupação

Ofegantes cantamos
Varamos a noite
Essa longa estrada,
Percorremos paixões
Pela madrugada

Quando acordei, ainda sonhava
Ele ao meu lado estava
Tão lindo, numa poesia
De luz e cobertor
Ai como é bom!
Dormir
Sonhar
E acordar
Com este, aquele,
Qualquer um que seja,
Um verdadeiro amor

sábado, 18 de abril de 2015

Diálogos

Quando dei por mim
Estava à mesa
Em algum lugar
Entre Caetano Veloso e Russo Passapusso
As conversas, os assuntos atravessados
Entrecortados, aos sussurros e gritados
Esgoelados
A marcha engasga do ônibus
O bondinho não passado
A aniversariante sorridente embriagada
Os amigos cantando mais que o cantor
O violão tocando tanto quanto o tocador
Toda aquela algazarra era uma canção
Todo o dito barulho era uma harmonia
E eu sabia que até amanhecer o dia
O silêncio seria impróprio
Para os desejos mudos que atravessavam a mesa
Falavam os nossos olhos
Uma língua qualquer desconhecida
Por todos
Só entediamos e dialogávamos amor
Eu e ela, sem palavras
Assim foi a nossa primeira conversa

Orgulho

Está tudo certo...
Foi tudo resolvido...
Mas, as vezes caminhando
Fecho os olhos
E vou além do que poderia estar sonhando
Penso que por um momento
Ao abrir os braços
E esticá-los em minha frente
Agarrarei o espaço
E tomando-o pra mim, abraçado a gravidade
Viajarei no vento
E voltarei até o segundo
Em que demos um tempo
Por vaidade
orgulho
Imaturidade...
Não
Por necessidade.


Rota

A minha solidão
Se faz e se desfaz
Na tua solidão

Enquanto o silêncio dorme
Despertamos ao pressentir 
Um amanhã disforme
Formando-se e levantando-se
Sem saber o porque
Da estrela incandescente 
Nem tão perto e distante 
Que nos possibilita a vida.
Tão perto e distante
Da quinta dimensão.
Se todo esse amor é apenas
Uma invenção
Desisto também de escrever 
Qualquer algo mais 
Que esteja além de minha razão
Já não me basta o porque
Da não canção
Me concentro e revejo a rota
De onde vim - viemos
Onde estou - estamos
Pra onde vou - vamos
Sigamos caminho
De três pontos no universo
Outras vidas
Outras formas
Paralelas
Num feixe de luz
Todas as cores
Vivas
Vidas

terça-feira, 7 de abril de 2015

Teoria da Inspiração


Poderíamos evitar os termos bélicos...
As atitudes rudes, agressivas
E nesse momento de transição
Entre o velho e o novo momento
Apenas defendermos-nos
E impor, expor o olhar, a alma
Jogar fora o peso do escudo e da espada
O não ataque é a melhor defesa.
Não ignorar, encarar os pensamentos maus
Assumir os sentimentos ruins
Para transpor, que assim seja, nossa humanidade
Estas forças existem e se manifestam em nós
Fazem parte de nossa composição e energia
Matéria organica inorgânica,
Priorizemos o amor
Essa forma de infinito
Inexplicável e simples
Como o universo
Paralelo, côncavo ou convexo
Todos são românticos versos
Cantados pelos menestréis errantes
Que montam estrelas cintilantes
A elevar e mergulhar na escuridão
Faróis de fé em esperança
A oralidade, a singularidade
Das mensagens orações
Em forma de canções
E poesias quânticas

quarta-feira, 25 de março de 2015

Interdimensional

Num suave momento de lucidez
Senti ao redor
A sutileza de uma impossível realidade
Presente nas pessoas em canto e dança
Como num círculo sagrado de magia negra-branca

Foi num devaneio às avessas
Que percebi minha paz exterior
Onde dentro eu já me sentia feliz
Quando no mundo fora de mim
Nem meu, nem seu ou dela
Em um velho novo mundo nosso 
Nos encontraríamos, e assim,
Construiríamos novos círculos
E pontes de luz que nos ligassem
Pelo espaço-tempo e relativas gravidades
Agora sendo interseções
Como as tantas sensações de um filme de arte
Em minhas várias formas de querer
Em suas várias formas de sentir
Todos éramos um
Um mesmo amor
Interdimensional

quarta-feira, 18 de março de 2015

Blues Butterflies

Em meu quarto compasso sonhado
Ainda era noite 
Mas ela veio numa valsa em G
E me acordou com seu canto celular
Sua luz me tocou como um beijo de fada
E em fotossíntese
Eu que era uma fóssil borboleta azul
Acordei suspirando
Canções floridas do juazeiro

domingo, 15 de março de 2015

Bandeiras

Nem azul nem verde amarelo
Sem bandeira inventada
Simbolizando o desnecessário
Demarcando os que se dizem donos
Dessa terra usurpada
Apesar do amor pregado, na cruz
Na foice e no martelo dos funcionários
Dos soldados, seguindo as ordens do estado
Da paixão, pelo poder, pela necessidade
E até penso em Cristo e Maria Madalena
Nos crentes em suas mil verdades egoístas interpretadas.
Mas não. Nem vermelho também... 
Por que a luz tem todas as cores
Os tons e semitons que preciso
E é o que me serve enquanto artista
Mas me olho no espelho, a tela desligada
Que serve de apoio para o xaxim
E sua flor, responsáveis pelo prisma na sala
E vejo todas as cores dentro de mim
Sentado no sofá, estou na ala das baianas
Das cearenses, de todas as sertanejas
(Na avenida, no carnaval, nas cozinhas, nos canaviais
Nos salões de beleza, nas senzalas, clamando por liberdades sexuais)
Sim, falo feminino, das mulheres, além dos gêneros
Dos homens não se carece comentar
Como homem eu calo por vergonha talvez
Desse peso no corpo
Da superioridade do escroto
Que traz um pênis entre a as pernas
Mas voltando ao devaneio
Na realidade, eu sonho
Acredito que nessa confusão
Nessa convulsão dos sentidos 
O amor, a humildade e a tolerância 
É paralelamente um caminho
A ser trilhado por todos
De mãos dadas
Tocando, cantando e dançando
Em nossos círculos espirituais
Em nossos ciclos históricos
Em nossos circos familiares
Levante a mão quem for o palhaço triste
Agora sorria, que assim o espetáculo segue
E a alegria transforma o caminho
Em uma estrada nublada de esperança
Sejamos todos as crianças
Elas serão o reflexo
Do que vêem em nós

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O que nos resta

Onde a palavra encontra afago
A paixão veste-se por acaso
Sentindo "o sem saber" dos carinhos que encontra
O sorriso, adornando o rosto
Contornando os cabelos
Transforma-se em desejo
E a canção solfejando o olhar
Nos refaz, acreditar,
Que no fundo o que importa é a amizade.

Quando a saudade transmuta-se em dança
E esse movimento não descansa
Dancemos!
O que nos resta
É sempre o amor

Abestado

Ela me olhou e perguntou
O porque do meu sorriso
Eu mudei o semblante
Não falei nada
Fiquei contido
Sério e calado.

Esperei alguns eternos segundos
E assim como quem não queria tudo
Apenas um pouco de absurdo
Num cinema mudo brincado
Implodi uma risada boba
Que começou pelo canto da boca
E se espalhou pelo céu alem dentes

Inclinando a cabeça às nuvens
Num rápido devaneio de mil bel'imagens
Suspirando feito adolescente apaixonado
Equilibrei minha alegria e entusiasmo
E voltei a sorrir assim tão honestamente
Que ela finalmente entendeu o recado
E sem me perguntar mais porquês
Desnecessários
Dançamos as mãos, embailados

Ela disse eu meu pé d'ouvido
Que às vezes eu parecia um menino
E me disse pre'u deixar de ser abestado
Eu cantei um trecho de uma canção
Que tocou seu coração 
E voltamos a falar a mesma língua
Universais reginalismos
Saliva, suor e pecado 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Sobre a Mesa

Na minha voz da consciência
Ressoa um canto de criança
Que saltava, ressaltava nos quintais de esperança
Entre uma vida e outra de eternidade
Tendo surtos de sua individualidade
Quando ela sonhava com sua gente 
E reconhecia aqueles com quem entrelaçaram caminhos
Nas veredas noturnas dos sentimentos
Gerou-se alguma forma de comunicação com outros mundos
Como se nos primórdios a poesia, e toda arte fosse uma tecnologia
Uma pontes entre dimensões 
Em palavras que acalentam as almas
Nada mais são que vivos-versos-verdades, divinas, comunhão
Intercessão
Ponho as cartas na mesa branca
E me deixo ser instrumento
Da salvação

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Vidas

As vezes sinto como se o corpo fosse sucumbir
E em um nauseado bailado
Viro os olhos e encontro tuas mãos no céu
E o tonteio transformou-me em valsa
Beijaste minhas mãos
Eu senti tua energia branda
E então ja éramos dança
E tua canção se fez em mim
A fraqueza transmutou-se força
A tristeza transbordou-me em lágrimas
A alegria se fez
A cura se fez simples assim
Como o sorriso
No milagre da felicidade
Nessa vida-baile baile baile de máscaras
Sem máscaras
O carnaval
A reencarnação
A morte e a ressurreição 
Da carne, fraca, da matéria em recomposição 
Tudo é uma desfarsa encenada?
Entra em cena a realidade
O câncer vem e confunde o corpo
A obsessão vai e confunde a alma
A oração, a fé, as músicas que traço
Tudo isso me faz achar graça
E eu não pago pra ver
Por uma eternidade
Não me cobrem o amor
Pois o amor é de graça
O perfume da flor
A luz do sol
As cores dos céus
A tempestade que me lavra
É de graça
A canção do vento
A bailado das águas
A poesia...
A mulher,
As mulheres que rogam por nós
A virgem Maria
É cheia de graça