As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Celebrança

E num vislumbre de outra vinda

Tive a sorte ou oportunidade

De rever teu sorriso

E cantar com o olhar envolto

Nesse descanso profundo que é tua paz


Poder falar as coisas mais belas

Ou mais difíceis

Como a percepção complexa do amor

Ou a sincera descrença dos signos

As proezas mais impossíveis da paixão madura

Equilibrada com o entardecer dos anos


A maturidade

A racionalidade de perceber o corpo E saber respirar enquanto o mundo explode

Saber a hora de parar um pouco e descasar

Sentir, sonhar e poder falar sem medo:

- Que bom estar aqui

Vivenciar nossa amizade

Compor canções

Dançar tranquilamente

Tecer paisagens

E futuras lembranças

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Passeio

No caminho

A ventania passa

E a gente cambaleia.

Na falta de chão, voe!


Equilibre o pensamento

Na intenção do amor

Por si, antes de tudo.


Coloque o coração no lugar

A mente a sonhar

E a alma a cantar dançando


Só então, no respiro da vida

Transforme os fardos em canção

Os escorregos em impulsão


E o descanso

Dos acordes da tarde,

Em sorrisos pra o espelho.


Agora sim, saia por aí

Plantando e colhendo flores

domingo, 8 de dezembro de 2024

Janela pro Céu

De alguma maneira 

Escuto a voz que ecoa do mundo 

Não é uníssona, nem uniforme 

E seu ritmo é rouco e intenso

Lento como a manhã sem vento


Me inspiro

Como tudo que me toca e reverbera

A flor que decai em meu colo 

O ar que adentra o peito 

E me alimenta por dentro

Do corpo físico à lembrança da alma


Quanto tempo tenho

Até o silêncio me cantar outro sonho

Quanto espaço me cabe

Até o anoitecer do pensamento?


Quão denso é o desejo 

A tecer os acordes tenros da matéria

Será a leveza da poesia 

A onda luminosa no vácuo

A onda sonora das árvores

A onda gravitacional que nos abraça


Retribuo a alegria

Que nos atravessa

En cantamento

domingo, 24 de novembro de 2024

Canto Verde

Encontrar o tempo

do descanso

Como a vegetação

da caatinga

Se perder na liberdade

do caminho

Se encontrar na terra 

em que pisa

Assimilar a luz

que toca o corpo

Acender os sentimentos

Na fotossíntese da pele

Semeando as vontades 

de chover, de florir

Espalhando solrisos

Mundo afora

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

DOIRADO

Paro e respiro

Suspiro o breve momento

Onde nasce uma poesia

Como o vento soprando

Uma leve profecia

Que desencanta o Juazeiro

O tempo descansa

Nas asas do beija-flor

A luz se derrama nas folhas

Exalando amor sem alarde

O sol doirado cantando

No colorido da tarde

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

A Poesia das Horas

O sol a pino tocando a pele
Emite lembranças sonoras
A água brotando do corpo
O corpo soando memórias

Os sons transpirando cheiros
As cores refratando histórias
A luz que afasta os males
E queima a vista que chora

O vento quente que eleva 
A poesia que resiste na flora
O gosto da comida de mãe
No domingo que a missa demora 

Amor é saudade que perdura
É o rio da rua da glória
Cego Oliveira tocando Rabeca
Na calçada da minha escola

Tudo isso é um pouco da infância
Que voou e me trouxe agora
Pra o exato momento onde
A poesia me deu as horas

terça-feira, 5 de novembro de 2024

Vida II

A gente passa

A arte fica

A poesia nasce

Onde o amor

É semente


Caule

Galhos

Folhas

Flores


O vento que sopra

A luz do sol ardente

Música da chuva

Dança de água corrente

Estio e quadra invernosa

Os ciclos de fora

E de dentro da gente

sábado, 2 de novembro de 2024

Lucidez

Tudo isso é uma “loucura”
A sanidade é uma invenção

Abraço Gravitacional

Em nossa gravidade

Circundam fragmentos de vidas

E corpos que podemos abraçar

Para mantermos em nosso espaço

Ou pegar impulso

Para criar boas distâncias

Não deixe que a ilusão do tempo

Transforme suas experiências

Em distorcidas visões de fracassos

Coisas “boas e ruins” acontecem

E enquanto estamos

Paralisados pelo medo

O pensamentos negativos

Passeiam e brincam

Com nossas fragilidades


Cante

Que o vento soprará poesia

Dance

Que o espaço se dilatará

Respire

Que a vida mal começou

A inspiração 

Assim como a eternidade

É uma conquista

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Meditação

Céu 

Flor

Manga

Goiaba


Mico

Andorinha

Formiga

Lagarta


Terra

Folhagem

Manejo

Plantio


Trabalho

Descanso

Silêncio 

Assovio


Em canção

Desanuvio


* Desanuvio - desanuviar

 = desparecer, tranquilizar, relaxar 





terça-feira, 15 de outubro de 2024

Valsa

O vício

É um precipício

O prazer

O vôo imaginário

A realidade

O chão


A vontade

Pode ser breve

O desejo

Pode ser livre

O amor

Deve ser leve


Pise firme

Dance e vibre

Toque o céu

E abra o portal


Na inspiração do sonho

O entendimento da oração

A vida o meio a conexão

Cantemos pra subir

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Movimento

Cadê o vento?
Pra correr sertão
Cruzar caminhos
Dançar o tempo
Assanhando o mato?

Descansar o corpo
Soprar nos ouvidos
Limpar a vista
E sonhar as tardes 
Como quem brinca?

Colorir o cinza
Enfeitar calçadas
Semear canteiros
Esvoaçar cabelos
Fazer revoadas?

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Saudade

De olhar pra tua cara

Do teu olhar, dos teus olhos

Em formato de amêndoas

Que olham lá dentro


Do abraço

Que preenche o corpo

Nos vazios do peito


Saudade 

Do sotaque

Das conversas

Das risadas

Das piadas bobas

Incansáveis


Gosto de tudo isso

De todos os resquícios

Das boas lembranças

 

De que adiantaria a vida

Se não pudéssemos

Guardar souto, o amor

Em forma de poesia

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Relembrança

Foram são tantas coisas boas

Revivo os detalhes com carinho

Passeando a memória 

Em pontos de luz e réstia

Que deixamos no caminho

Estações de encantamentos

Poesias, canções, sorrisos e lágrimas

Muita dança surge desses movimentos

Eternizando os momentos

Com sorrisos gratuitos

E divinas comédias


Houveram embates, claro

Desentendimentos, discursões

Quais amores não tem questões?

Mas o que fica, começa pela alegria

E termina, sem precisar ter fim

Num abraço de amizade

Quando o corpo distensiona 

E a paz faz um laço

E nos reúne

OM

Não é técnico

Mas é bonito, entender o tempo

Não como uma dimensão

Mas como uma poesia

Na percepção atrevida do mundo

Além da matéria encarnada finda e frágil

Para a grandeza de pensamentos vivos

Por isso sonhar é tão belo e inspirador

Seja acordado ou no descanso do corpo

Com os olhos abertos para dentro

Nos mostrando bem, o que fomos, somos

O que poderíamos, e o que poderemos ser

Esse poderia ser um escrito de auto ajuda

Uma canção antiga do legião urbana

Mas, é apenas a reflexão de um peito

Que se dedica a tentar sobrentender

O descaimento dos elementos

Ou o incômodo que é o silêncio

Para quem canta as horas

Na timidez da noite

E divide o juízo

Entre sons

E sonhos

OM

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Benzer Nossos Caminhos

Chuvas e sóis

Muitas estradas

A serem caminhos

Pra nossa fertilidade


Cultivando sonhos

Inspirações e poesias 

Rimando rosas e espinhos

Rezando danças e canções 

Benzer nossos caminhos


Assim com os olhos d’água

Reinventar nossos destinos

Mesmo nos tempos mais áridos

Pois temos nossos encantos

Pra sustentar o corpo

E alimentar a alma

Com suor, amor

E a devida calma


Só assim

Nos fortalecemos pra vida

Não só pras batalhas

Mas pra todas as lidas

E descasos

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Abacate

Depois do trabalho
Parei pra arrumar as coisas de casa
Tomei banho, deite e parei pra ler um pouco 
“Do nada”, lembrei do abacate que tirei da fruteira, por estar no ponto, e o coloquei na geladeira
Cortei um pedacinho pra comer
(Adoro comer abacate puro)
 E quando termei, aliás, enquanto terminava, lembrei claramente da minha mãe
Ela nos dava abacate com açúcar quando éramos crianças 
Ela começava amassando um pouco, e depois deixava o resto pra gente ir amassando a mistura e ir comendo
O gosto do abacate está tão doce
A saudade também 
Terminarei de escrever essa lembrança
Vou ler um pouco mais
E esperar um tempinho pra poder escovar os dentes antes de dormir
Quero descansar 
E sonhar 
Com as coisas boas da vida

sexta-feira, 14 de junho de 2024

TEMPO PRA O CAFÉ

Enquanto o mundo corre
Podemos caminhar lentamente
Ou até parar e tirar os sapatos
Botar os pés pra cima
De repente 

Sem querer
Ouvir os sussurros do mundo
Os silêncios da gente
A paz inconsciente
Descansando 
Dessa pressa de viver
Desdenhando
Dessa pressa pra morrer
Na qual tanta gente se calça

E o tempo do sonho?
Nosso espaço na realidade
A matéria escura pra o canto
Na dança da gravidade

Enquanto o mundo corre
E falamos sobre as ciências da alma 
Podemos tomar um café
E botar os assuntos em dia
Questionar a nossa fé
Com pães de queijo e calma

quinta-feira, 6 de junho de 2024

Vagalumes

A luz verde que reflete
Quando olho nos olhos da relva
É como um suspiro de descanso
Nos sons que vão virando acalanto
No vento que vai soprando mais calmo
E nos abraçando

As vozes perdidas no tempo
Vão virando sussurros
Quem sabe são orações de amor
As sentenças que vencem o medo
E realizam-se em feitiços de poesia
Tão óbvias quanto o lado escuro da lua

Sejamos caminhos
Contornando as dificuldades da vida

Não tão raramente
As paixões temem virar tédio
E a salvação pra os sorrisos
Pode estar na simples vontade
De expressar os sentimentos
Que passeiam feitos vagalumes
Acesos na serenidade
Dos corações dançando
Em orvalho e festa