As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Quando Kahlo

Raiando dias dentro de mim
No epitáfio frio dos meus olhos
Serro o ultimo gole
Da vida, a indecisão derradeira

A poeira da terra erguida em meu leito
Não feriu minhas retinas
Não construiu um castelo em meus sonhos
Apenas adentrou em meu peito
Pulmões e coração

Nada de saudade transpirante
Escorrendo de minha pele translúzida
Nada de sorrisos rasgados no rosto
Por causa de arrependimentos

Apenas amei
Com o que tinha
Com o que podia
E com o que não

Hoje falo, grito, esbravejo
Mas nunca
Nunca deixarei que nas horas indevidas
O silencio me tome a cena
Quando Kahlo

Tento cantar como quem pinta os sonhos
De dentro
Do interior, dos sertões
As Américas
Os sentimentos
As revoluções...

Frida leve e tempestade
Me levando as profundezas do desespero.
Só admitindo esse desejo, eu me acalmo.

Nas dores da minha almejada felicidade
Nas flores, velas e rezas que trazemos consigo
Nas cores mais fortes que eu puder mostrar em sons

Mesmo que doa!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Disciplina

Hoje,
Eu não tenho novidades
Não tenho vontades
Nem saudades
Sentimentos por, para, púr-pura você
Sacramentos
Sortilégios
Sortimentos
Sacrilégios
Nosso romance da comunhão primeira
Ingénua paixão
Lembrança-prece derradeira

Não tenho motivos pra deixa-la
Nem pra tê-la
Pra vê-la
Sê-la
Acesa vela, que me atrai aos seus enigmas
Mesmo temendo.
...perder o controle
...a loucura eminente
Os delírios da morte
Mentida, metida, desmedida em minha mente
O repouso da san(t)idade em teu seio sacrário
Tu me chamas
Eu te sinto muito, mas não quero,
Tê-la, vê-la, sê-la, acesa, a vela, a chama
Sim, tu me chamas!

Voz na noite, sem dona
Correndo solta, enlouquecendo
Assombração
Fragmento de canção sem prédica
A percorrer o mundo nas tuas pernas
Tuas costas, todo o teu corpo

É a saudade uma penitencia
Meu desejo, apenas um olhar sério
Marcado pela disciplina

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Luz e Sombra

Numa visão oblíqua sob a luz que reflete tua imagem
Sondando as mil e uma possibilidades de teu sexo
Deparei-me assim com o inesperado
Uma saudade não comparável ao que vivemos.

Aproximou-se de nós um certo futuro
Mas os sutis desenhos do universo
Não nos permitiriam no momento
Aqueles vôos sem sentimentos
Assim, aguardei em pensamentos
Que tudo fosse perfeito
Que tudo fosse imperfeito

Como no mundo real

Dores e amores, luzes e cores
Tão claras e necessárias
Quanto o escuridão
Em que caminhávamos e parávamos
Dormíamos e sonhávamos
Sem temer tantos inevitáveis pesadelos

Na ausência tua
Aprendi a enxergar de outras formas
Com outros sentidos
Mesmo contidos
Idos, os anos
Re-voltando-se
Contra nós
A nosso favor
Tudo pela felicidade

Luz e sombra
Foram necessidade

quinta-feira, 19 de março de 2009

Esse sou eu!

Você não percebeu?
São as mesmas palavras, sempre
Soando como carrilhões insistentes
Todos os dias em mil vidas passadas
Hoje presentes em mim, sentes?!

Quem é você com essa voz de destino?

Esse sou eu!

Ensurdecedor como o teu silencio!
A lembrança que rege os anos coloridos
Das sagradas horas em que lhe escrevia.

Já era tarde...

O mundo dormia
O Cariri sonhava
Era noite, eu cantava
Você lacrimejava e sorria.

Sim!!!
Esse sou eu!
O mesmo que te trouxe o perigo e a salvação
Um romeiro antes sem direção
Sem benção, sem padrinho
Entoando benditos
Cabelo e barba esquisitos
Como a branca e azul melodia em questão

Esse sou eu!
Eu sou o mesmo, sempre fui!
Não escrevi palavras sem sentidos!
As abreviações nos desejos é que mudaram.

E mesmo que pra você, a cada dia eu tivesse sido um, não importa
Só vou vivendo a certeza de minhas linhas tortas
Sem medo.

Por que em cada um de nós, sempre houve muita mudança!
Os sonhos anunciavam os dilúvios, mas, inevitavelmente
A calmaria sempre vinha depois das tempestades!

Ainda espero os dias contados nos dedos apontando o céu.
As constelações reaparecendo nas órbitas de meus olhos
Mostrando os caminhos da felicidade prometida.

- Você me teme, porque sabe que trago-lhe uma certa segurança.

Entre a alma e o corpo
Tudo são desejos
Pausadas, minhas palavras, e suas virgulas, na sua língua, são beijos,
Um ponto final de uma fase
Anunciando o inicio de um novo contexto.

Não recordo-me de ter sido outros com você!
Mas lembro-me de ter deixado contigo um olhar que talvez não te sirva mais
Como as profecias que não se realizaram, ou nossos irmãos que não desencantaram
Como as pedras que não evoluíram em areia ou cantaram
Como o sertão que nunca virou mar, ou o mar que nunca virou sertão.
Como a branca e azul melodia em questão, e tudo mais o que ainda não deciframos.

sexta-feira, 6 de março de 2009

O que tu me deu, o que me tirou?!


Por pouco tua raiva me tomava
O sorriso que construí a ferro e fogo
Como o trabalho que teu querer me deu
Com o sofrimento e amor de outrora
Na benção e luz efêmera da aurora
Na singeleza do ponteiro das horas

Por pouco tu me tomas a alegria
Que encontrei lá dentro de mim
Em um lugar que você não dominou
Nem destruiu, com sua ignorante crueldade
Não me deixaste nu, sem a alma que Deus me deu
Porque sou índio, e não consigo ser ateu

Não trouxe ou traguei mágoas
Mas agora, agorinha mesmo
Com as bênçãos de Badzé, em Cristo, Jesus
Defini onde começa o meu futuro.
E eu voltei a olhar o céu
E rabiscar meus pensamentos no escuro
Como quem faz uma oração

Nos astros medindo a vida e o destino
Percebi que te amei como um menino
E o teu desamor me serviu
Pra me fazer agir como homem
Mas sem precisar deixar de brincar
E fazer nas noites os pedidos
Sem que precisem nem ao menos se realizar

Porque no firmamento as estrelas eternamente
Cortam a nossa realidade faiscando desejos
Dando-nos esperança e imaginação.
Pois sempre, somente sempre
Seremos desesperadamente
Inconseqüentemente
Inevitavelmente
Cadentes
Poesias.
Você.
Eu.
...
.

Sentimentos a rasgar a atmosfera
Do meu mundo em constante evolução
Fundindo-se ao meu céu, ao meu chão

Agora teus elementos
Façam mal ou bem
Passam a constituir minha natureza
Este sorriso é teu. Esta lagrima também.
Tenho certeza...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Segredos


Tinha uma coisa aqui
Guardada
Num lugar que nem era tão secreto
Um lugar que talvez nem fosse tão meu
Mas só você sabia do seu valor pra mim
Não queria te acusar
Mas acho que foi você
Que talvez até sem querer
Entrou no meu peito sem bater
Talvez até quisesse me surpreender
Se arrepender
Me arrebatar com um beijo
Me marcar
Com um desejo em sonho
Que acordado não se realizou

Mas então,
Aqui chegamos por outra questão
Tinha uma coisa aqui
A sete luas no meu coração
E alguém levou, tirou, roubou
Arrancou de mim
Sem pronunciar os versos da alta magia
Que à noites e dias me protegiam
De me desencantar
Por alguém que não merecesse
A alma cantante do meu olhar

E só você
Que sabia e compreendia
Pra que serviam as absurdas palavras
Que eu desvendara em tantos amores
E que guardara com tantas dores
Ao confessar o que eram de certo
Pra mim, pra ti, pra nós
Os mil segredos dos nossos lençóis
As profecias da dança de nossas mãos
Percorrendo em silencio a poesia rasgada
Marcada em nossos corpos
Em chamas veladas
Com palavras proibidas, perdidas,
Como nosso povo Cariri

Ai! Minha mãe, menina, mulher
Senhora das águas
Por mais que essa vida me maltrate
Nunca deixarei de cantar e sorrir
Nossos filhos então irão ressurgir pra re-ensinar
O mundo a sonhar
Sem precisar dormir

Tinha uma coisa aqui.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Folguedos


No movimento dos teus olhos
Procuro um lugar pra sorrir
E dançar e cantar
E brincar e sonhar
Sem fingir

Você escondeu-se
Onde eu mais procuraria
Só pra que eu te encontrasse
E assim escutasse,
O pulsar do teu peito
Tua respiração
O som dos teus neurônios em ebulição

Esse jogo de inércia e ação
Folguedos, versos e trupés
Dando-me um ritmo inesperado
Pra que eu me re-componha recompensado
Com o momento encantado que me deste
E te-ser um futuro conjugando carinhos
Uma canção...
Essa canção!
Que não é mais de solidão.
Ao menos!
Eis da palavra, o poder!
Uma pecinha de improviso
Embaixadas que declamo pra você.

Entoando divinos
Nos vejo crianças, alvoroçados
Zabumba, estalos de chicotes, reisados
Em dia de quilombo
Tu se escora em meu ombro
Temendo os mascarados

Eu me viro de repente
Te roubo um beijo inocente
E me vendo adulto novamente
Recordo nosso amor em um segredo

Nunca deixei de estar aqui
Em qualquer lugar
- Aqui
No mundo
- Aqui.

No movimento dos teus olhos
Onde encontrei um lugar pra sorrir
E dançar e cantar
E brincar e sonhar
Sem fingir

Andante


Não encontrei a fonte de minhas palavras
E descrevia toda e qualquer forma de pensamento meu
Seguindo com os olhos cansados e essa sede de idéias

Incandescente

Andante

Os sentimentos me subiam a cabeça
Vinham não sei de onde
Talvez da terra que pisara
Agarravam em meus pés
Como a densa lama do Rio no verão
Da poeira e das chuvas em que, não sei não!
Vinham não sei de onde
Talvez do ar que eu respirara
Penetravam em meus pulmões
Rasgando os restos de solidões
Que a fumaça da juventude deixara

A barra pulsante da paisagem desenhando as letras
Hipnotizou-me, dominou meus olhos
Que das idéias pras mãos em sentimentos
Reafirmava o triste indicio de estar só

Eu escolhi esse destino
Não me arrependo dos “nós” que desatei
Pra não dar corda a saudade
Meu silencio é um ritual sagrado
Como o teu divino olhar estático

És a santa do altar dos meus delírios
Minha fé cega que enxerga a áurea dos encantados

Ser de luz das minhas noites
Estrela maga dos meus céus
Mesmo nas dimensões mais distantes dessa vida aqui

Eu tenho você em meus entre-sonhos
Dançando nas chamas das fogueiras onde acantono
Aquecendo-me, ao preparar meu alimento sagrado

Rezo pra que as manhãs vindouras não sejam apenas ilusões
Descanso meu corpo esperando que minh’ alma também o faça
Porque daqui pra frente tudo é futuro.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Auto-Retrato


Pra desenhar em mim qualquer forma de desejo
Bastam-me esses olhos, traçando uma forma de dizer que o beijo
Vai pintar o futuro numa profecia rabiscada com a dança das tuas mãos
Os versos em questão, os tons dos sons e das cores
Os amores, as solidões, tudo vira flores reverberando sensações
Tentando apenas dizer, que o que se pode fazer, vai além do corpo
Escorre pelos poros, se esparramando pelo violão e pelas telas

Escrevemos, entoamos, desenhamos e sonhamos!
Que simplesmente o mundo possa ver um pouquinho de nós
Como nunca nos imaginamos
Bastam-me esses olhos, que me fitam e dizem tudo
Não preciso mais imaginar algo que não pudesse ser
Uma obra prima, irmã, mãe, avó, todas em uma só você
A mulher que me seduz
Por sua grandeza e complexa simplicidade

Mostre-me o que vem dentro de ti
Através da poesia dos teus dedos
Eu te cantarei meus segredos
Mesmo sem poder esperar
Que me fale dos seus medos
Viverei a tentar ler e traduzir
Através do que reluzir
Inevitavelmente dos teus auto-retratos

Tudo o que posso fazer é te sentir
O resto é incolor
Um ensurdecedor silêncio
Quando calo
















* Fotos e arte de Rebecca Gaillac

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Com-plexos de imortalidade


Em meu destino de astrólogo
Em meus sonhos de estrelas
Sobrevoando os além-céus
Transpassando fronteiras dos sentimentos mais longínquos!

As cantigas guardadas pra essas horas
Dadas as saudades,
Os suspiros falando em mil palavras
Mais que tantos olhares pra o firmamento dentro de nós

Enquanto eu não avistar a lua em teu horizonte
Não poderei seguir em frente
Aguardo que essa noite esteja limpa e que eu possa usar tudo o que aprendi e sinto, pra nos guiar pra uma nova vida, um novo mundo.
E que a magia tenha seu espaço nessa existência, os astros, os elementos, os espíritos, a ciência
A essência que perdemos no limbo da ignorância, arredia ao bem, as coisas boas dessa, e de todas as vindas em que nos encontramos e nos perdemos e nos desencontramos e nos desentendemos, e entendemos e adiamos a eternidade.

Com-plexos de imortalidade?!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Entendendo-se

Enquanto eu não souber te ouvir
Não mais te falarei
Não mais te deixarei sem graças
Não mais te roubarei as palavras
Antes de serem pronunciadas

Não existe sentido assim
Ambos mundos mudos!
Devolva o meu silencio de trovão
Em seu doce áspero e cortante som de rabeca.
Eu devolverei tua ladainha
Tua voz entre abismos de orgulho, cega

Devolverei todas as flores numa chuva de fim de tarde
As poesias recitadas, nunca escritas
Devolverei tua ingenuidade
Devolva a minha, a vontade
De seguir sem rumo!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Transmutando-se



Porque tantos pensamentos arredios?
Estou confuso
O cheiro mutilado da saudade agredida por um temporal de lagrimas.
Agregadas pelo Meio.
Feridas pelo homem.
O quê colher dessa tristeza?!

Inunda-me os sentidos a tua ausência

Vim aqui, te trouxe lembranças
Caminhei léguas de esperança
Sem nem ao menos uma promessa
Um gole frio de um beijo não dado
Por meus delírios de sede, guardados
Amores.
De paixões que fossem (das dores)
- uma rima desnecessária...
Uma explicação pra esse fenômeno sobrenatural de meu peito
Porque o solstício dos olhos se aproxima
Minha mente entrará em conjunção com minh’alma
E a profecia de dentro de nós se realizará
Transmutando essa realidade

O fogo que me queima é interior, por fora, apenas reflito a beleza da flor que observo
Nos dias distantes à minha natureza...

Alquimia e destino
Fundindo-se em meu peito.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Contradição

Ela disse adeus
Mas a voz é de quem vai voltar
Ela nos perdeu
Mas pra poder se encontrar

E o que vou cantar
É pra lhe dizer
O que não consigo falar

Eu lhe disse adeus
Mas num tom de quem vai cantar
E o que se perdeu?
Ai! meu Deus
Me dói lembrar

Queria estar sorrindo
E até tento
Mas os meus olhos
Insistem na verdade
E a boca sem vaidade
Nem tenta disfarçar

Quem dera estar chorando
Talvez fosse melhor, quem sabe?!
Mas minha face se perde sem semblante
A luta entre palavras sem alma
E um olhar que não se acalma
Distante.

Desencontrado jasigo

Descanso, não muito em paz
Em meu eterno repouso inquieto
No socorro
Meus restos mortais
Fundem-se a terra
Minha alma
Sem calma
Clama o céu

As chamas das velas
Os pés descalços
As promessas...

Ouço as preces
Elas me acalantam
Sem me deixar dormir

Antes fosse o limbo, o purgatório
Minha desencontrada estadia nesse mundo, aqui

Porque ando confundindo
Vida e morte.
Existo sem saber
Com lembranças
Guardadas em minha essência

Nem mente ou coração
Vivo-morto numa singela saudade
Vagando pelas ruas da cidade
Uma alma servindo-se da razão
Cantando uma renitente ladainha
Aboio de alma vaqueira, sozinha
Pra suportar a solidão

Hoje só acredito no que não vejo.

Na romaria de desafinados
Ouço teu nome ser
Meus desejos não realizados
Esperar, é o que posso fazer.
Enquanto isso canto essa canção.

Porque alguns acham que me escutam, outros não.
Mas isso não sou eu quem decido...

Palavra da salvação.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Entre idas e vidas

Ando assim
Pedinte
Como o olhar de uma criança
No colo da mãe
Na Rua do Lavradio num dia domingo

Vou seguindo
Construindo
Admitindo
Minha insegurança

Haja-me curiosidade
Mas que me caia o bom senso
Que me sirva de algo, a idade
O martírio do tempo
A sagração da memória
A espiritualização da razão
Sem o clássico medo da morte e do fim dos dias
Que os deuses tenham piedade de mim
Pois acredito neles
Mas tenho andado assim
Perdido...

Pecado?!

Tento recordar as orações
Ensinadas por meu pai
Que me acalmavam nos balanços de rede, solitários
Embalados por ninguém
Ou alguém querendo me dizer coisas do além
E eu não dei atenção

Pendente

Como o olhar da criança
No colo da mãe
Na rua são domingos
No Franciscanos
Em frente à praça das cacimbas
Numa lembrança em super 8
Num dia lavradio

Trago em minhas mãos
Sementes de esperança
Pra plantar aqui
E colher em outras vindas

Quer me ajudar?

- Toma.

Criança-eu
Peço-te perdão.
Prometo não mais fechar
Os olhos pra tua solidão.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Re-sentimentos

Por aqui, me beija o calor de novembro
E eu me curvo a soberania do sol
Nos avermelhandos clarins do arrebol
As aves de fim da tarde desenhando uma saudade
Que se confundi entre aqui e ali, qualquer lugar.

Os caminhos que tomamos
Ainda não mataram nossa sede
Nos aventuramos nesse Rio
Rumores, amigos e amores por um fio
De esperança e ânsia costurando realidades
Os sonhos deixo pra o destino e suas fatalidades
Desencadeando uma dança entre os sentidos

A distancia entre a lagrima e o sorriso
São as travessias desses mundos que se cruzam
E que tornam possíveis as reinvenções do amor
Intervenho essa poesia urbana com uma flor
Que trouxe comigo em palavras que lhe canto
Do meu sertão, tome pra ti este acalanto
Uma sombrinha em teu peito, amenizando essa dor

E tudo o que eu falar daqui pra frente
Será uma meia lua de contentamento nos dentes
Querendo transmutar como uma paixão nascente
Exercendo poder sobre tuas águas
Os outros elementos não te trazem magoas
E reconhecem tua poesia insistente

A terra, o fogo e o vento
E tudo o que reinvento
A razão e os delírios do corpo
Sim, tudo re-sentimentos!

Iansã


Bons ventos
Bons tempos e destinos
Os dias e noites
Sentidos
Sopro ou ventania
Brisa, que seja
Mas que nos leve daqui
Nos mova daqui
Pra qualquer lugar
Que não esteja fora de nós!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Insônia


Tua agre-mão não mais
Lavrará meu peito
Nem mais há de ferir
O meu elemento terra

Quebrando minha voz
Deixando-me sem canção
Roubando-me a palavra.
Toda a palavra...

Não quero chorar
Pra não regar
A semente de solidão
Que plantaste em meu sorriso
Espero não ser preciso
Sonhar essa estação

Vivo numa insônia dos sentidos

Ai! Pudesse dormir,
Quem dera!
Pra só acordar
Com um beijo sem mágoas
Na primavera.

domingo, 2 de novembro de 2008

O passeio das almas


De paixão ela nada entendia ou sentia
E ignorava meus bel-desejos.
Vestindo cinza nas noites sextas
Fugia da incerteza dos sábados.

Ela não lia os olhos, mas tudo bem...
Pois não se encantava com ninguém
Que fossem inodoros os cheiros
Que fossem galantes os silêncios

Fique com minhas flores
Eu aceito suas dores

(E todos os seres de imaginação pintados
Ganhando vida em outros corpus
Dominando as peles que os vestem)

Sempre que te vejo calada
Apenas concordando com os absurdos
Escuto vontades em clarins, taróis e surdos
Desfilando como num sete sem setembro
Em arranjos de luz, teu pensamento
Seduzido azuis, meio des-dobrados
Num confuso domingo agoniado
Em que o peito explode calado
Alvoroçado com a fanfarra dos sinos
Num fim de tarde eterno franzino
Solitário, sem noite, madrugada
Sem segunda feira, sem nada!

No Juazeiro, nos franciscanos
O passeio das nossas almas,
Penadas

A manhã não vem?...


Ouço o canto abafado das árvores
Através dos muros que criei
Pelas portas e janelas que cifrei
Pra nos afastar

Ouço o tempo sem passar.
O som do silêncio entrecortado em suspiros
Enquanto adormeço.

Um estrondo rompe o martírio dos cílios,
Quebrando o cristal de sereno nos olhos!

Estou em transe...
Misturam-se sonho e realidade,
Sigo pelas ruas da cidade
O meu corpo são palavras
Minha alma, são canções.

No socorro
Acendo velas e angustias
O incenso nas narinas me causa aflição
Te rezo, e tenho uma leve impressão
De ouvir tua gélida voz me consumindo o juízo

Pra enlouquecer de vez
Tudo o que precisava agora
Era desconfiar que ainda habitas em meu peito
E eu fico assim sem jeito
Tua presença me apavora

Os pássaros, onde estão?
A manhã não vem?!...

sábado, 1 de novembro de 2008

Tormentas


O que você quer de mim?
Quer que eu lhe conquiste?!
Mas como posso fazê-lo se você não insiste?

Quem me dera, me banhar
Ou que fosse apenas navegar nas tuas águas!
Dançar com a fúria e beleza de um ciclone

Calmaria ou tempestade

Só não quero ficar aqui
No porto seguro da saudade
Entre canções atuantes
No precipício dos amantes
Que não expressaram suas cores
Com o corpo, com os olhos
Todos os sentidos!

Esta inércia me atormenta
Eu mesmo prefiro as tormentas
Temporais são necessários

De teu amor serei corsário
Sendo água, és sereia, me encante!
Pois sem terra, sou marinheiro errante

Que teus olhos me vejam e sejam
Meu farol, minhas candeias, e que eu cante!
Os ciclos da tua natureza!