As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

domingo, 18 de dezembro de 2011

Caminheiro

Se avexe meu destino
Que eu não espero mais nada
Já estou envelhecendo
E ainda sigo nessa estrada

Desde quando eu era jovem
Que eu sonho com a chegada
Em uma terra distante
Que me dê paz e morada

Pre'u poder cantar repente
Menestrar nas alvoradas
Pois de lá de onde eu venho
Onde a morte castigou
Tive coragem eu lutei
Mas a seca ecoou
Numa cantiga encarnada
Que quase me dominou

Lá não podia cantar mais nada
Não havia nada vivo
E a morte não canto mais não
Pois o poeta quando canta
Ele canta de coração
E meu peito se encheu de morte
E tristeza não aguento mais não

Hoje eu sigo pela estrada
Entoando a solidão
Procurando u'a melodia
Pra alegrar meu coração

Minha Rainha

Minha flor morena
Tão cheia de cores
De tantos perfumes
De tantos amores

Onde me cabe em seu peito?
Onde me cabe em sua corte?
Como um bobo dos teus desejos?!
Um saltimbanco de tuas paixões?!

Oh! Minha Rainha!
Vinde em tua realeza
Em tua força
E tua delicadeza

Árabe, negra, cabocla,
A rodopiar feito criança
São minhas as tuas asas?
Seja tua minha esperança!

domingo, 27 de novembro de 2011

Modernos Símbolos

Entre um gole e outro de silêncio
Mastigo em movimento, crenças e fés irracionais
Trago canções que vou recolhendo no tempo, nada mais
Nas esquinas, nas pessoas, das melodias e barulhos urbanos
Tudo se choca, e se quebra, e se re-une no sertão no meu peito,
E pelas veredas e becos e praças, vivo vidas às milhares
Sonho sonhos, durmo, acordes, morros, renasço
Sempre tanto, sempre tudo. Envelheço criança
Madrugo, amanheço, entardeço, anoiteço
Mas nunca cambaleio, ou retardo,
As vezes quando descanso
Firmemente, observo o firmamento.
Leio a poesia dos astros
No céu está o destino

Busco nas estrelas o sentido pra me reencontrar
Porque aqui leio placas mas sem entender,
Apenas caminho os caminhos a serem seguidos.
Vejo maldades, vejo bondades!
Invêjos, invejos, inversos, dispersos, incertos, carinhos.
Sempre tão, tantos, tão indecifros
São estes pré-fabricados
Modernos
Símbolos.

Alma de Flores

Pela janela do meu apartamento
Acabou de entrar um vento
E era o cheiro do quintal de minha casa
Num sopro de lembranças da minha infância
Ouvi a voz do meu pai me chamando ao trabalho
A voz de minha mãe me chamando pra comer
Os gritos de minhas irmãs e irmãos em algazarra
Misturado-se com os sussurros dos vizinhos
O som dos sinos, das antenas, das sirenas, das luizinhas
Meus inventos e magias
Em uma tarde em desencanto
O Juazeiro em romarias
Me senti meus filhos...
Brincando.
E se foi o vento
Mas o meu pensamento
Como que no futuro
Lembrando o passado
Ficou num perfume
Para sempre presente
Algo parecido com alma de flores
Ou seiva de alfazema

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Asa Quebrada

Estou de asa quebrada
Meu canto pende
Meu desejo era voar
No imenso da tarde
Para te encontrar

Tanto já aconteceu
Foi um milagre
O sonho do Juazeiro
Movendo montanhas
E um vale inteiro

Pois só o amor nos livra de todo pecado

Aquela nossa história
Varou o tempo e se perdeu
Quem sabe já estávamos juntos
E nem nos demos conta
Conta por conta
Um día agente se encontra

Seguirei essas candeias

Se não agora
Dia de finados
Amor penado
Se não então
Te dou louvores
Na romaria da Mãe das Dores
Essa canção correrá toda cidade
Vencendo toda maldade
Pra só restarem os amores

Pois só o amor nos livra de todo pecado

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

É isso

Va menina, mas, não leve essa dor
Mesmo que meu peito ja não faça diferença
Quando acreditas em mim
Ou me tens descrença

Sim, eu sei, esse é um samba triste
Mas tem a sua fortaleza
Eu o fiz pensando e você
Inspirado em sua beleza.

É isso. Sempre podemo escolher
Guardas mágoas ou ficar bem
Que então sejam de alegria
Essas lágrimas que nos vêm

Foi muito bom tudo o que passou
Tanto que nos temos saudade
Mas é isso, a vida seguiu seu rumo.
Que do nosso amor fique a amizade.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Indo na Contra-mão (Vontade Maria)

Se nesses contrários sentidos
As mãos bailam
Enquanto se move o corpo,
Se tua alma desenha no vento
Um movimento de fé,
Em favor do teu sorriso,
Ou de tuas lágrimas
Qualquer sentimento
Mas, que seja verdadeiro.

Segue então em tua contra-dança
Pois se teu sentimento inverso
Nesse momento é necessário,
Como um Belisário verso
Que se escuta com o espírito
E se declama com o coração,
Vai Maria! Segue nessa contra-rima
Mesmo que opostos, os caminhos,
Nos dão a certeza, nossos carinhos
Que mais tarde ou mais cedo, se encontrarão
Os sonhos que voltam e meiam e vão
Seja no fluxo mais óbvio da vida
Ou em tua contrariada, momentanea
Resguardada ou espontânea, vontade Maria.
Seguindo pela contra-mão.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Paixão na realidade

Não me olhe dessa maneira
Pois minha vontade,
Ainda menina, é passageira
Pode não voltar. Sair brincando.
Esconda seu olhos
Desperte o desejo dos meus, olhar.

Apenas quando você cantar
Estarei vulnerável
Com o destino favorável
E eu dançarei como o vento
Na cadencia de seus passos
Não acontecerão atropelos
Embaraços. Lembre-se,
Porque nada disso existe
Tudo isso inventamos
O encontro
As palavras
As canções
As danças
...

O beijo,
(Só pra constar,)
Pela sua incapacidade de fingir
Creio que foi de verdade.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Não.

Não faça mais isso conosco
Não aceite mais meu beijo fosco
Pra que o nosso eterno jardim
(Isso por você e por mim)
Fique ainda mais florido
Como nunca antes
Dai-me o teu "não" colorido!
Do teu sorriso sou inmerecido.
Dai-me tua voz alterada, cortante
Tua nobre fortaleza apaixonante
O teu olhar que me deseja distante.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Reciclos

Vamos vivendo
Ensaiando existências
Até que chegue uma eternidade
Seja ela qual for
Seja como flor
Doe sua seiva
Viver
Morrer
Nada, não simplesmente, passa
Tudo finda e recomeça
Animal
Vegetal
Mineral
Mas, sempre
Em cada alma
Um só espírito
A natureza
É o que nos resta.

domingo, 2 de outubro de 2011

Sonho

A pouco
Levantei num susto! Havia cochilado...
Olhei pra o relógio, vi que estava atrasado.
Fui, arrumar-me pra sair, era uma noite especial.
Tudo estava perfeitamente anormal.
Banhei-me,
Lavei os cabelos,
Escovei os dentes
Vesti meu traje mais belo
Calcei meus sapatos novos
Coloquei meu melhor perfume
Fui até a sala, e peguei minha cartola, a bengala
No espelho, conferi meus cuidados com esmero
Percebi que estava faltando algo...
Olhei bem, virei de costas, de lado, conferi o hálito, o desodorante,
Apalpei a gola, revi as mangas, franzi a testa, sorri forçado... estava tudo ajustado...
Mas, ainda faltava algo...
Pensei um pouco.
Então descobri! O tempo todo não estava na minha cara. Era tão óbvio...
Faltava meu corpo,
Eu o deixei em sua casa, essa noite passada, entre nossos sonhos
Vou cuidar de busca-lo, enquanto ainda durmo.

sábado, 1 de outubro de 2011

Agora estou na estrada
Não sei até quando
Nem se, terá, será, um fim
Mas mesmo quando não estou, eu sôo
E vivendo vôu, assim
Seguindo a caminhada
Da estrada que está em mim

Ilusão Sonora

Não se engane,
Esses olhos quase
Ou nada vêem!

A luz refletida em teu corpo sonoro,
Toca-me mais os ouvidos e coração
Me iluminando os sentidos
Na velocidade do sonho,
E não nos transformaria em nada
Que não pudéssemos existir aqui
Nesse plano. Nesse meio, tempo.
Mesmo que mudemos tudo de lugar
Pedras, águas, ventos. O fogo transformador...

Palavras e idéias
Vividas, pronunciadas
Sentidos diversos
De versos sentidos
Incontidos,
DeCantados

Em meus poros
Em tuas narinas
Minhas premonições
Teus instintos,
Felina.

Não nos des'enganam, os sentidos?...
O que é meu, o que e seu?
O que ficou desencontrado
No espaço-vento, intocado
Entre o meu corpo e o teu?

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Alma Moderna

Tenho pra o agora
Na luz dos antepassados, uma janela
De onde tão bela-e-tempestuosamente
Observo e sofro a acção do tempo e do vento
Esse sopro que não é de hoje, as vezes do ontem. Quase sempre do amanhã...
É a voz dos que me circundam.
Cada pessoa que tenho conectada, só me faz crescer. Soma. Fortalece.
Contínuo-ando. Cada célula em mim, que morre, faço questão de torna-la eterna.
Pois aos poucos, meu corpo, se transforma, e cede a condição humana, ao ciclo natural da existência.
Tão pouco, falo de ciência, ou meramente, da poesia que digitalizo e rompe a frieza dos bytes
Talvez alquimia, ou algo que esteja mais no plano do encantado
Um transe, tecnologia que seja...
Mas, independente dos fins, vivo aqui com vcs, :) em abreviatura de chats e essa nova relação com o meio, os meios, em processo.
A virtualidade, como extensão da realidade
Não diminui ou substitui o que que fomos ou o que seremos
Em meu ver, apenas amplifica, e leva a outros, novos planos,
Os sentimentos.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Olhar

Se ele não vê além do preto e branco
De nada adiantaria o seu vestido florido
A não ser que ele encontre no caminho
O imprevisto, sábio olhar de carinho
Que enxerga
 no mundo o colorido
De quem não se limita à visão dos olhos

domingo, 4 de setembro de 2011

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Choveu


Choveu neblinou, minha criança
E eu sai na rua a brincar
Feito louco, mateus, feito menino
Imaginando que você estivesse lá!

Mas se foi a chuva, passageira
Só deu tempo mesmo de sonhar
Que cada gota d'água era uma escada
Em que eu subia o céu pra lhe encontrar!

Agora ficou só o frio e a saudade
Virgem Maria que eu to pra padecê!
Porque o frio do corpo, eu até passo
Mas minha alma só se aquece com você!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Idade


De uma certa forma, abstratas
Um nosso amor ainda existe
Só que o meu peito resiste
Em requerer teu coração.
Pois se não fosse a idade, a razão
Outras tantas paixões me sustentando,
Inda hoje eu estaria sonhando,
Nos teus beijos, teu olhar,
Me em cantando
Hoje ao olhar pro tempo,

Nada estranha a mente,
Sei que na tua prosa
Sem ter um nome,
Minha saudade
Te consome,
Silenciosa.

sábado, 27 de agosto de 2011

Natureza


Eram tantos os sinais de tua natureza
Anunciando as chuvas, os estios,
Em seus ciclos, os fins e recomeços.

Não sei porque insisti
Não observei o meio.
- Talvez abrupto, pela ação do tempo
Ou quem sabe em transe,
De som em sonho, encantado.

Observando as estrelas,
Segui, fiz meus sacrifícios.
Sangrando em tua dor
Ou cantando em teu sorriso,
Fiz tudo o que foi impreciso.
Não me arrependo por isso.

Vez em quando ainda pendo
Mas tenho teu equilibrio
E solidez, e esperança
Estou na maciez de tua lembrança
Acalentado. Amamentado
Como uma criança.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Verbo Sentido

Aquela lágrima,
Não.
Não era uma lágrima de alguma liquida incerteza
Vento caído, terçol, nem de irritados ou mal-olhados, ou mal-amados, olhos.
Nem por mó da poeira da estrada, de alguma desadespedida tarde.

Nem da borrada maquiagem,
Que se aqüefez, n'um soluço que também não, não era de embriaguez
Nem da incerteza bebida, ex-tragada
Nem muito menos, dos anos, fingidos, fingida, ou inventada.

Aquela lágrima, solitária, não era de rijeza.
O suspiro realmente, não! Isso não, essa não, não era de tristeza

Aquela lágrima, era de fato.
De alguém que percebe a cena,
Na triste sina de Cassandra
Na constatação de um coração partido, atrasado.
Porque sempre, há um tempo ido, nunca ainda vivido
Na conjunção de um verbo sentido, mas, quando impronunciado.