As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Esperança em Lá Menor

Vou chamar minha menina
Segurar na sua mão
Lhe dizer coisas tão lindas
De tocar o coração

Vamos la, minha pequena
Segura na minha mão
Que lhe fazer poesia
E voar na imensidão

Momentos tristes
Atravessamos
Mas mesmo assim
Sempre sonhamos
Pois pra vencer essa aflição
O amor será nossa oração

E lá do alto
Vou cantar nossa canção
Acalmar a tempestade
Do olho do furacão

E assim olhando o mundo
Em tão calma sensação
Teu olhar é de esperança
O meu de contemplação

sábado, 9 de abril de 2016

497 - Cosme Velho

Aguardar o 497
É padecer na esperança 
É duvidar da inabalável fé
É dormir e sonhar 
Adolescentemente 
Acreditando no perfume
Distante do tempo
Misturando-se 
À fragrância madura das laranjeiras
É viver a vida é seguir
Compor poesias
E rejuvenescer
Saudoso desejando
Encontrar o velho Cosme
Ainda vivo

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Saudade

A madrugada pode não ter suas cores
Em cinquenta tons de cinzas não lidos
Cegueira que estremecem os olhos
O aperto dos dentes travando a língua
Em susurros ou berros dos mais diversos amantes
Do copo quebrado à freqüência que escapole dos velho estereofones
Os sons perdidos por algum descuidado bêbado
Ou a fugitiva trilha da insone minissérie do apartamento vizinho
Confundindo-se com os felinos que percorrem os telhados sem medo
E os pré-históricos veículos a combustão
Rasgando a paz dos que abstraem ou bem convivem com sua intranquilidade

Se mantenho a luz acesa, vejo você claramente
Se apago as luzes
Ouço a dança dos seus passos no escuro do quarto
Sinto a melodia do seu cheiro
O peso leve do seu corpo em pele em mim
A harmonia do seu amor presente
Mesmo distante fisicamente

O zumbindo do silêncio em sua canção de mistério
É na verdade suave, a sintonia de minha confidencia
Minha consciência numa frequência divina feminina
Que me envolve em fé, segurança e desapego

Eu em um franco diálogo com minha individualidade
Em meu pretérito espírito e mente presente,
Não sei se estou domingo ou acordado
Por quantos segundos ou milhões de anos
Estou assim, sorrindo feliz ou brevemente agoniado
Talvez em transe pela abstinência que vibra meus neurônios
Elevando-me a um lugar encantando
Unindo dois pontos do universo
Se abro os olhos, e me cubro dessa verdade?
Se fecho os olhos, e sonho teus beijos?!
E se tudo isso for apenas na verdade
Uma poesia que lhe faço
Na saudade que me ensina
Que me inspira
Que me incita
Os desejos?

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Promessas

De meus pedidos
Como os três nós
Da mal colocada fita
Reinvento minha crença
Na poesia do sertanejo
Desfaço os laços
Então refaço
Os desejos



Avenida Paulista

No fim da tarde
A canção prisma no horizonte 
Ignorando os carros
A luz que reluz
(Seduz, deduz o transeunte)
Escorre por entre
As partículas subatômicas dos desejos
Sejam ou não egotistas
Os olhares se refletem
No dia que vai, que se esvai
Trazendo seus ais,
Na noite que vem
Trazendo ausência
A saudade do meu bem
Tocando minha paciência
Que pedala apaixonada
Pela avenida paulista
Como quem sai pra comprar pão francês
Na esquina de casa

terça-feira, 8 de março de 2016

Nossas Idades

Nas vaidades éramos mais que pelo menos
Mas foi chegado amor em sua barca
E já não carecíamos dizer nada
Depois de incontáveis incertezas
A sintonia habitou a morada de nossos sorrisos

Agora encontrado um ponto de verdade
Assim pudemos recomeçar
E traçar um novo destino
Seguindo pelas magnéticas ondas
Os caminhos
Em pulsos sinuosos e retilíneos
A menor distância entre dois tontos
À mais próxima estrela que nos ilumine
Se até à luz se curva
Porque eu não nos curvaríamos?!

No espaço rabiscamos sonhos
Na tridimensão que re-sentimos
Universos, dimensões 
Buracos negros
No céu infindo

E eu aqui catando notas
Juntando sons
Buscando rimas
Como uma cigana lendo mãos 
Eu olho pros veios do tempo
E interpreto a poesia das estrelas
É tudo uma questão de vento
A sombra o eclipse a gravidade
A lua reinando na maré cheia
Eu canto aqui de onde venho
Ela dança lá de onde veio
Tocados assim pela eternidade
Nos conectamos com nossas individualidade
Não importando os fins
E sim o processo dos meios
Porque todos soamos um
As cores, os sons
Desde o início
Até o berço
Partimos de uma
Singularidade
Na busca da evolução
Inventamos essa sutil forma de revolução, a canção
Pra poder vibrar nos desejos sintonizados

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Folguedo

Vem! Me dá tua mão
E se perderes o momento
De entrar na roda
De marcar a dança
E responder o refrão

Sem problema

Isso tudo é uma brincadeira
O importante é dar as mãos
Tocar, cantar e dançar
Abrir o coração, seguir a vida
O mundo gira, a roda roda
O espaço do círculo cresce
O tempo vira, no céu,
O sol refaz sua rota
A lua cresce, fica cheia e míngua
O amor pode até morrer
Mas sempre há de renascer
Como quem aprende uma nova língua
Como quem compõe uma nova canção

E num piscar de olhos
Já será novamente
Um novo momento
De entrar na roda
De marcar a dança
De responder o refrão

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Incandescentes

Seduzidos pelo prisma da colorida luz
E - feitos psicodélicos vagalumes
Compusemos sambas Virtuais
Na madrugada chuvosa
Que nos beijou a face

Vimos a santa pela janela
Teresa chorava, mas não era só tristeza
Foram lembranças e alegrias formando
O leito e às margens do tempo
Entre um desgosto e outro da vida
O amor é um milagre que se faz
Candeia inocente
Indecente
Incandescente matéria em chamas
Lume em vela de sete vidas
E nossas almas cantam e dançam
Apaixonadas
Ofegam saudades
Gozam reecontros

Até que a morte nos re-úna
E outra realidade
Nos ampare

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Rock'n roll

Quebrem as amarras
Gritem!
Chorem!
Liberem a emoções
As tenções
Libertem-se
Dos gêneros
Dos preconceitos

O melhor discurso até agora 
Ainda é o "paz e amor"
Sãos e salvos, loucos ou não
Façam a revolução
Sonhem
Protestem
Toquem, dancem, cantem
Interpretem com toda a alma
Façam música com o coração
Como quando éramos adolescentes
Sem se preocupar
Com o que vão falar
Sigam seus instintos
Mas não deixem dominar-se
Assim logo eles evoluirão
Para a intuição

Mude o mundo
Antes que o mundo mude você
Mude o mundo
E lembre-se disso quando envelhecer

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Descanso

Os sonhos dormem
Acordam
Amanhecem conosco

Engatinham
Caminham
E até rastejam
Insones na madrugada

Vivenciam a solidão
Na liberdade e temor da estrada
Entresaudades e reencontros
O caminho me cansa o corpo
As voltas me deixam tonto
Por isso danço
A voz quase falha
De tanto que falo
Por isso canto
E me recompondo penso
Tudo o que sinto
E mesmo o que não digo
Vai além do físico
Reverbera no espaço
Desafia o tempo
Porque minha alma
É eterna enquanto música
Ressoa
Amor
Esperança
A tristeza se muito é uma pausa
O silêncio
Um leve descanso

sábado, 21 de novembro de 2015

À espera

Aqui à espera
Treino a paciência
Em uma quase insistência
Ou anseio pela felicidade
Observo o tempo
Sinto o movimento das pessoas
O sentimento vivo da cidade
O canto invisível das árvores
O tímido verde que transpira
Pra o nosso desafogo

À sombra, projeções de outras vindas
Me fazem sonhar
Me vem um vislumbro
Remonto a lembrança
O calor e a saudade
Testam minha inabalável fé
E essa breve descrença
Me fortalece o espírito
Como quem espera pelo coletivo
Como quem espera por dias melhores
Por vidas melhores

Ao subir a montanha
Por pouco não percebemos
O movimento
Os seres vivos que movem-se
Girando na terra, ao redor do sol
A uma velocidade descomunal
Como todos os outros corpos
Celestes, num caminho de luz
No abraço gravitacional
Da nossa estrela mais próxima

Durante bilhões anos
Em infinita espera
Minha tolerância e paciência
Agora parecem fazer sentido

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Alimento

Contrariando os céticos
Me alimentarei de amor
Sim. Esse será meu alimento.
Matarei a tristeza
A fome de desejo
A sede de carinho
Devorando a saudade
Acompanhada da solidão
Bebendo do vinho da amizade
Pelo gargalo! Sem temer embriagar-me
Como um tolo que foge dos sonhos reais
Depois de servida a poesia
De sentido o gosto da paixão
Podemos pensar melhor,
Mais claramente,
Sobre as necessidades do corpo
Agora não,
Agora minha alma está satisfeita
E paira na leveza da luz mineral
Puro, meu hálito e voz, suor e lágrimas
Expiram, vibram,
Transpiram
O inconfundível perfume
De tua fotossíntese

Alguém me falou que havia terminado uma relação. Disse que dentro do possível estava tudo bem, mas, que sentia algo que não sabia o que era, que não sabia se ainda era alguma forma de amor ou a inevitável dor de um fim. Pra começar, eu acredito que por fim, tudo é um processo, ai pensei assim:

- FIM
Sinto falta de algo
Que não lembro se é lembrança
Mas esqueço de esquecer.
Mal-bem querer? Fal'sesperaça?
O que o tempo tira
O tempo dá
O vento traz, o vento leva
Marés, luas, sentimentos...
É tudo natureza
É como tecer uma canção de amor
Pra alguém que nos faz sofrer
E que nos deu tanto prazer
Mas que também nos faz crescer
Na inevitável dor

- INÍCIO
A saudade é insistente
Fica na boca da gente
Como quem não come nada
E fica co’a fome entre os dentes

A saudade é estranha
Se esconde nas entranhas
Finge ser tranquilidade
Ao planejar mil artimanhas

A saudade é profética
Dorme e sonha em sua poética
E mesmo quando não tem rima
Segue em sua prosa estética

A saudade é desordeira
Quebra tudo, faz asneira
Grita pela madrugada
Que o amor é uma besteira

- MEIO
A saudade é afiada
Feito gente desamada
E se junta a solidão,
Essa velha desalmada
A sombra, o corpo, assombra a alma
Mesa, roupa, arma branca
Punhal, Faca, beijo-espada
Unhas, Línguas, dentes, mágoas
Sexto sentido, olhos e ouvidos,
Espaço-tempo, ciclos de lágrimas

domingo, 25 de outubro de 2015

Estrada

A estrada é um longo caminho curto
De uma simplicidade complexa demais pra quem não sente
Tão solitária e povoada como as lembranças
Cheias de coisas boas e ruins 
Entrecorta sons e silêncios
Vara sertões e metrópoles
Serras e mares
Desertos e matas
A estrada é cheia de tudo. Até de vazios.
Cheia de pedras, de espinhos
Mas também é enfeitada de flores
Pelo caminho
A estrada é um longo caminho curto
Onde trafego meus sentidos
E me deparo com meus instintos
E por mais que pareça não ter fim
Depois de atravessar
Tantos rios, pontes, túneis
Veredas e encruzilhadas
Sei que não conheço tanto
Que não conheço nada
Talvez apenas um pouco mais de mim
Que insiste em seguir dançando 
Compondo espaços tempos e gravidades, vidas
Por entre retas e curvas
E infinitos fins de linhas
Onde recomeçam as novas jornadas
Tão sedutora, tão forte e acolhedora
Mais parece uma entidade feminina
Uma deusa que nos acolhe
E que as vezes até parece nos maltratar
Mas nos faz crescer.
Sem saber se há início ou fim
O que existe mesmo é o meio
O processo enfim 
O desejo
A necessidade de seguir
De migrar
Ir e vir 
A esquerda a direta
Pra cima ou pra baixo
Tudo depende
De onde vens e pra onde vais
Às vezes eu nem me lembro
E sigo cantando
E tudo é saudade e reencontro 
Nessa vida
Na estrada

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Sóbrio

A vontade de embriagar-se
E esquecer os problemas do mundo
É menor que a necessidade
De estar sóbrio
E viver os amores a fundo

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

#OsOlhos

Na falta da gravidade
Ou na fluidez da luz que se ia
Sobre o corpo deitado
Que reluzia
Uma gravidez imprevista
Às ideias
Delineando
Melodias
Contornando e entrecortando
#os olhos
Estáticos
A fotografia de si
De cima
No meio do dia
Como Caetano cantando Sampa
Atraindo Narciso à um contrariado samba:
- O que não é espelho e nem belo pode ainda ser poesia
Dependeria apenas do olhar?
Do desleixo da imaginação?!
Porque até então,
Se houver alguma voz
Estaria ela guardada
Atrás das pálpebras
Talvez dançando a parte
Onde o devaneio resista
Ao barulhento silêncio da tarde
De minha odisséia Paulista

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Dona dos Ventos

Lá vem setembro
Em sua glória
A dona dos ventos
Já bem sabe os meus segredos
Todas as cores viram encantos
Prenunciando o perfume das manhãs

Lá vem setembro
Doce mistério
A minha amada
Corresponde aos meus desejos
E me dá flores quando lhe canto
E assim trocamos sorrisos pela estação

Vamos seguindo caminhos
Nunca estamos sozinhos
Entre a saudade e o reencontro
Entre as vidas em confronto
Que veem em vão
Gozamos todo amor
Dançando quando há dor
No coração

Lá vem setembro
Em sua glória
A nossa história
Renasce na primavera

sábado, 19 de setembro de 2015

Vamos Dançar

Não fique triste assim
Porque se foi o verão
O frio que está por vir
Não chega ao teu coração

Pois tens o meu aconchego
Todo o calor dos meus braços
E entre beijos e abraços
Virão outras canções

Não tarda o sertão fulora
Virá o canto dos pássaros
E brincarão os reisados
Não mais seremos tão austeros
Teremos muitas histórias
Lembrando nosso passado
Então seremos memória
Como nossos antepassados

Agora vamos dançar
Pois só amor transforma
Desde as leves desilusões
Ao ódio das tristes almas
Das agitadas guerras de outrora
Às atuais depressões mais calmas

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Intercâmbio

Leve
Levo a inspiração
O ritmo, as batidas do teu coração
Deixo um pouco da minha voz em teu corpo
Que te passei quando beijei teu rosto
O som na língua nas mãos
Trago o bailado fino de tua dança
E o encantamento de quando te toquei as pernas
Como se fossem meu violão
Deixo um tantinho assim dos meus desejos
Como se fossem desvendados segredos
Dedilhados do pescoço até o tendões 
O desenho de tuas costas
O antigo mapa e rosa dos ventos
Onde escrevi essa canção
Por fim a dança a troca
Deixei muito contigo
Deixaste tanto comigo 
E decifrando versos eu sigo
Em todo impossível amor que de tão antigo
Em seus círculos, vida morte e ressurreição 
E tão honesto, tão íntimo, tão amigo
Transmuta-se como a lagarta em borboleta
E segue sua evolução
Não tivemos nada e tivemos tudo
Música dança teatro e poesia
Tudo se funde se confunde
No ensaio das vidas
Respiro
Suspiro
Me inspiro
No ritual da paixão

sábado, 29 de agosto de 2015

Como Não se Diz

Meu espírito se balança 
Fita o céu
E num dervixe
Em centrífuga dança
Se lança no vácuo
Despido do corpo
Numa forma ancestral 
Essencial
Se divide em quatro
Direções-estações 
Em sete forças
Em luz e sombra
Em todas as cores
Em doze tons 
No espaço tempo 
E eterno sonho
Retorno a mim mesmo 
Numa sensação de poesia
E penso nisso
Mas antes de tudo
Sinto um pouco o universo
De onde vim e parti
Onde chegarei com essa conversa?
Nesse monólogo-diálogo
Me falta a palavra
Como explicar 
O que não tem pronúncia
Nem estável padrão vibratório?!
No mínimo,
O máximo que posso
É bem-dizer
Como se diz,
O que não se diz
Se canta

Cadeia Elementar

O que nos tornaria heróis?
Ou vilões?
O que faz de nós
Bons e maus
Jogadores
Campeões
Perdedores?
Predadores
Caça ou caçadores?
Mártires sonhadores
Ou carrascos ditadores
Símbolos de fé
Ou descrença
O que nos pode salvar
Ou condenar?!
Qual a diferença
A relação
Entre amar
Ou odiar?
Cantar vitória
Ou silenciar
A derrota
A paz
A guerra?
Os conflitos de dessa terra?
O livre arbítrio que nos prende?
O pensar?!
Ao pensar
Logo existo
E insisto
Sonhar
Acho que estou
Tendo a certeza que sou
Um desconfiado escritor
Acidentalmente tecendo 
Sobre o que poderia estar nos fazendo
Mudar de lugar na cadeia elementar