As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

ESTRADA

Não siga na linha
Faz a tua trilha
Sem se importar
Seja reto ou torto
Estação ou Porto
Terra, Céu ou mar

Olhe pra trás
Mas siga em frente
Entres flores e espinhos
Não importa o destino
A partida ou a chegada
O que importa é o caminho
A estrada

sábado, 1 de outubro de 2022

À Noite

Eu sei o que excita

O que te apaixona

E que te aflita


Eu sei o que te envaidece

O que te apetece

O que te irrita


Eu sei o que te enfurece

O que te dói

O que te grita


Mas teu amor é confiança

É cuidado

É aliança


Venha cá

Vou aí

Pra te alegrar

Pra te ver sorrir


De tudo o que podemos ter

Nada é mais belo


Fica tranquila

Mesmo que eu vacilasse

Que eu tropeçasse

Que eu caísse


Eu sei que você sabe

Eu sei que você sabe

Eu sei


Que a tua voz ressoa em mim

Como o clarão da lua

A luz da alvorada

Como o vento na calçada

Varrendo as folhas

Como o suspiro na madruga

Desabrochando a noite

Em nossa caminhada


Dorme bem, meu bem

A canção nos acalentará 

A poesia nos libertará

Como anjos dos Campos Ricardos

Nas cores que nos convém

Os juazeiros nos protegem

Aliviando os nossos fardos

Para sempre, amém

terça-feira, 14 de junho de 2022

Brinquedo

Colorir os dias

Com poesia 

Viver os ciclos

Da natureza

Com maturidade

Na esperança

Que só é plena 

Quando a criança

Que há em nós

Desata a brincar

Preenchendo os sonhos

Com sorrisos divinos

Toda a algazarra que couber 

Nos jardins desse mundo

Sempre prontos

Pra renascer

segunda-feira, 23 de maio de 2022

Consciência

Na busca por algo leve
Nos deparamos
Com o peso das coisas
O tempo
A gravidade
O espaço curvando-se
Em seu objetivo destino
Cíclico e eterno

A poesia poderia mear-se
Densa ou niilista
Mas porque trazer
Certezas herméticas?
A luz viaja a qualquer
Lugar que a receba
Trazendo todas cores
Impossíveis

Porque não enfeitar o trajeto
Com flores e canções?
Porque não dançar
Enquanto se caminha
Ou mesmo aguardamos
Uma próxima decisão de trajeto?

Respiro
Encho os pulmões e canto
Nada está vazio
Tudo é impressão
E depende do que decidimos
Enquanto vivemos
O vazio
É um lugar cheio
Basta abrir os olhos
Ficar de pé
Soltar a voz
E sentir o vento
Mudando

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Noturna Solitude

A noite me tranquiliza
Mas nem sempre
Ao ponto de dormir
Ou simplesmente descansar
Sonho acordado
Com a claridade das horas
Alvoroçando minha ideias
A gravidade
Pesa meu corpo a cama
Que sustenta o chão
Mas minha alma não
Ela canta, pula, dança
Faz poesia, amizade
Com as sombras que me cercam
E que rodopiam na escuridão
Com a luz que adentra o quarto
Pelas frestas da janela
Converso, brinco, faço canção

sexta-feira, 22 de abril de 2022

No Coração de quem Canta

No coração de quem canta
Há sempre um sentimento alheio
Um grito de empatia

Na voz de quem canta
Há sempre um silêncio
Revestido de canção

Em todo silencio
Há sempre uma voz que ecoa
Tocando o horizonte
Além dos céus em enumbramento
Mesmo em dias cinzentos

Nunca nenhuma arte será atoa
Enquanto houverem
Silêncios a serem cantados
Muros a serem pintados ou derrubados
Corações a serem libertados
Espíritos carecendo de rezo e poesia

Antes dos Muros

Esses muros
Ja foram cuidados
Rebocados, pintados
Por necessidade e delicadeza
Entre essas paredes houve amor
Mistérios expostos
Segredos guardados
Entreparedes

Havia proteção, medo
Liberdade e posse
Ganchos de rede

Desenhos de crianças
Desgastes do tempo
Banhos de chuva
Raios solares
Brandos e violentos
Sopros de ventos

Canções que batiam
E se dissipavam
Em seus relevos

Hoje tudo isso é poesia
Mas antes?
Quando não haviam muros
E reinava sem barreiras
A vastidão sem cercas
Da natureza
Seria a pré-história
Da beleza?
A alegria a dor e a morte
Dos que habitavam
Essas redondezas?

O que dizer acerca
Dos não-muros
Do que aconteceu
Antes das paredes?

A quem pertenceu (pertence) o chão
O solo - a matéria prima
Desses tijolos?
Quem os fez?
Que mãos
Que vidas
Pagaram
Por essa
Tez

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Sensibilidade

Eu gosto
Do gosto
Do seu bom gosto
Da sensação que me trazes
Como a música que ressoa
De sua gentileza
Da sua sutileza
Essa beleza real
Cheia de incertezas
Que transpõe melodias
Em versos e canções
Problemas complexos
Transformando problemas complexos
Em simples questões
Que podem vir a ser resolvidas
No compasso de um ritmo qualquer
Que nos induz a dançar
Livremente
A alma que veste o corpo
Como quem sai por aí
Para passear simplesmente
E cruza ruas, pontes e jardins da cidade 
Para sentar a beira do abismo
Sorrindo, sem medo
E se danar a cantar
Esperanças

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Notas da Noite

Debruçar-se sobre a existência
Conversando sobre coisas simples
As músicas que nos inspiram
A dança livre do tempo
E as formas de mudar
O mundo por dentro

O que vai e o que fica
De cada experiência
O que nos torna maduros
Se não a essência da poesia
Que nos liberta em seu acolhimento

O equilíbrio de tudo talvez esteja
Nos momentos eternizados
De sorrisos que dialogam
Com a tranquilidade
Dos sonhos que nos completam
A realidade

domingo, 5 de dezembro de 2021

Romaria de Fim de Tarde

Nossa loucura se lança
Na longitude do dia 
Tão perto e distante
Do sonho infinito

Alem do horizonte
Onde o sol descansa
E a lua se encanta
Nos mistérios da noite

Desejos em reza
E sagrados quereres
Em cantigas forjadas
No início dos tempos

E se o futuro profana
Nossos corpos em transe
O feitiço se lança
Na dança dos ventos

Lembranças
Transmutam-se em poesia
Enquanto fitamos o céu, despidos
Cantando o amor que praticamos

Seguimos
Assim, fazendo arte
Pelo caminhos tortuosos
Do coração da incansável cidade

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Matriz

Aqui tudo é fake
Seja bom ou ruim
Dê o primeiro deslike
Quem sempre acertou
A rede é esse lugar
Belo e perigoso 
Nessa realidade estranha
Seguimos a evolução
Qué nos conecta e condena à fé?
À morte que nos engana

Fora do stories, da internet,
todo mundo é real.
Qualidades e defeitos,
caminhos de poeira e poesias,
pedras, flores, ladeiras e romarias
pra dentro de si.

Aqui tudo é fake
Seja bom ou ruim
Dê o primeiro deslike
Quem sempre acertou

O horizonte em dias tristes
É uma televisão fora do ar
Os sonhos se projetam
No entardecer da rede
O degradê desmonta os dados
Ficamos à mercê da sorte
E o tempo se torna a morte
Além da noite há quem desperte
Se desconecte dos logaritmos
Para o renascimento

Notas Sobre o Amor

Fazer amor
Dormir tarde
Sonhar bastante
Até acordar
Ver o sol nascer
Tomar um café
Ir de bicicleta trabalhar
Beber água
Sorrir pras pessoas
Comer salada
Rir sozinho
Comer um doce
Beber mais água
Passar no mercado
E comprar coisinhas
Arrumar a casa
Tomar um banho
Fazer comida
Tomar um chá
Caminhar à noite
Pela madruga
Sem se preocupar
E em cada intervalo
Disso tudo
Lembrar o quanto é bom
Ter encontrado você
Pelo mundo

domingo, 21 de novembro de 2021

Oração do Agora

Que o mundo gire
E o tempo traga tranquilidade
E o vento sopre pra longe
Tudo o que não nos cabe

Que tudo o que foi vivido
Vire poesia e nos alimente
Com a força e a delicadeza necessárias
Para que encontremos o equilíbrio

Que no momento do descanso
Nossas mentes vibrem
Na sintonia de quem canta
Com fé e questionamento

Que a paz da vida
E os mistérios da noite
Inspirem os nossos sonhos
E nos fortaleçam para que sejamos
Tudo aquilo que somos
Tudo aquilo que quisermos
Dentro do impossível

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Na Amplitude da Onda

Veja através dos olhos
Atravesse as portas
Pule as janelas
Salte sem medo
 
Monte os ventos
Desvende os segredos
Desande na música
Invente folguedos

Cante suas orações e rezas 
Dance quando não puder
Brinque sem perder o tempo
Encontre o seu espaço

Desafie a gravidade 
Desverticalize-se
Horizonte-se
Harmonize-se

domingo, 24 de outubro de 2021

A poesia

Ela sempre nos acolhe
Nos mostrando o óbvio
Na confusão dos sentidos
No desequilíbrio da percepção

Nos abraça e lembra
O quanto o nosso espírito
Não pode estar dissociado
Da mente e do coração

Lutemos sempre, claro!
Qual pessoa apaixonada
Em sua causa, não guerrearia? 
Mas, que nunca percamos
A capacidade de amar
De sorri e sonhar
De fazer poesia

sábado, 18 de setembro de 2021

Viver

É só um passeio na noite
Até o dia acordar
Sentir as pedras
Tropeçar nas flores 
Sentar à beira do abismo
Conversar sobre autruismo
Se entender no mundo
Encontrar o lugar
Fortalecer esse lugar 
Dentro da gente
Lembrar de dançar
Perdoar a si mesma
Cantar quando
Não for preciso
Empunhar o sorriso
Sempre depois de chorar

Viver
As estrelas do céu 
A lua a brilhar
Um livro, um filme
Um beijo
Tudo o que
Nos faz sonhar

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Voo

“Quantas vezes já cai?!
Mas compreendi, agradeci
E insisti em me desprender do chão
Me ataque, me critique, ignore minha canção
Mas não, não me julgue por sonhar
Por seguir em frente
Por cantar minha gente
Empunhar sorrisos
Por tentar voar”

sábado, 19 de junho de 2021

Direitos Humanos

Não façam
Expectativas
Façam amor
Não endeusem
Humanizem
Não façam guerra
Façam revolução!
E o mais importante
Não percam a poesia
O afeto, a empatia
Em tão poucos carácteres
Desses nem preciso lembrar
Sim! Façam o que tiverem de fazer
Mas nunca deixem de sonhar

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Além da Razão

Descanso a inevitável saudade
Nos aconchegantes braços da relva
Assim penso o caminho, floresço
E nessa estrada verde, me alimento,
Como quem escreve palavras no ar
E que fica à mercê dos ventos
Que sopram desenhando as nuvens
Movimentos que se desdobram
Na gira da roda do tempo
Coisas de ponta a cabeça
Nos seus pés
O teu Céu
O meu chão
Sentimentos
Pensamentos
Muito além da razão

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Palavra dá Salvação

Não se apresse com sua prece
Reze lentamente como quem tece
O entendimento à necessidade
De não desperdiçar palavras

O silencio será sua oração
E quando esse rezo for canção
Grite aos quatro ventos
Alem dessa dimensão

Não meça o tempo, medite
Fale consigo mesma
Tenha fé, sempre acredite
Na reinvenção da delicadeza

Ilumine a si, acenda as velas
Vele por seu verdadeiro amor
A penumbra mostrará o caminho
Desenhando luz em sombras

Não tenha medo. É nesse equilíbrio
Entre a candeia e a escuridão
Onde encontrarás a poesia
A palavra dá salvação