As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

domingo, 21 de dezembro de 2025

Brincando

As vezes a gente para 

E repara no tempo passando

O vento parado ou soprando

O sol brando ou rachando

O barulho mouco

Do sussurro dos vizinhos

A gritaria das crianças

Nas tardes de domingo 


O bater das asas da borboleta

O grunhido da gata sonhando 

O tilintar dos talheres a mesa 

O bailados das roupas no varal

A música silenciosa do quintal 


O estrondo da paz momentânea

Na tentativa da poesia

Sem compromisso 

Brincando

terça-feira, 29 de julho de 2025

Intenção

Mesmo nas nossas
Faltas de tempo
Sútil cuidado
Presença e alento
Havia vida de sobra
Pra se sonhar 

Sono e cansaço
Acordos e descansos 
Conversas, silêncios 
E acalantos 

Canções pra cantar
Sorrisos pra oferecer
Marcas pra se dançar
Caminhos a percorrer 

Mas ainda assim, 
Com toda vontade
A poesia da realidade
Se escreve na verdade
Com tempo e espaço 
No prazer e na dor 

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Reversos

Brincar nos libertar

Da oxidação das células


Dobrar a ação do tempo

Transformar em leveza

O peso da gravidade


Reversar poesia

Em ondas luminosas

Recriar o espaço

Em movimentos de dança 


Propagar sorrisos

Cantar onde o vazio

Preenche o peito
Antes da respiração


Explodir a voz docemente

Expandir delicadamente 

Como a palavra divina

Recreando


Em verso e reverso

O universo

LUAR

No céu aberto 

Ou por entre as nuvens 

Ela nos espia

Nos inspira

Nos protege 

E nos inquieta 


A lua 


Tão perto

E distante 

Tão bela 

E brilhante

Como o sonho

E o despertar

Amantes

quarta-feira, 28 de maio de 2025

FUNDIÇÃO

Não controlamos o tempo

Mas andamos ao seu lado

Guardando na luz 

O calor do momento

Nas lembranças acesas

Em ferro e brasa

Em cobre e estanho 

Em chumbo e aço


No cadinho a transmutação

Da matéria incandescente

O barro grafitado

A urna, o receptáculo

Dos sons divinos

Dos adornos finos 

Em sinos e aço curvado


Trabalho, estudo e leveza

Ofício pesado e delicadeza

Dividindo um mesmo espaço

Tudo o que era ruim, eu passo

Tudo o que era bom, eu guardo

Na poesia da metalurgia

Me ilumino, me aqueço, me refaço

domingo, 16 de fevereiro de 2025

Desando

Quando tudo começou a ficar distante?
Quando a grandeza do amor se conformou
E a eternidade transformou-se em instante?

Quando os livros começaram
A apenas acumular poeira na estante?
Quando o desejo ficou inconstante?
Quando a euforia virou calmante?
Quando a vontade ficou incoerente?

Quando a imagem do rosto, nos sonhos,
ficou sem semblante?
Quando a dúvida virou “tanto faz”?
Quando a certeza ficou irritante,
E o sentimento não mais 
Trouxe aquela doce vontade 
de dançar livremente?

Pra onde foi a inspiração 
Que te batia a porta pra cantar
E dizer as coisas sem pensar
No risco de se viver 
Plenamente?

domingo, 26 de janeiro de 2025

Inspiração

Normalmente 

Sou um desconcerto

Não acerto a nota

Não encontro o tempo

Perco a palavra

Sem momento


E fico ali, de canto, olhando o céu

Como que rezando pro alto

Mirando a estrada, sentindo o vento 

Essa é minha qualidade

Ou talvez meu problema 

Tenho poder sobre o nada 

Até parece encantamento

 

De um pensamento aleatório

Que transcende dimensões

Misturo minhas questões 

E elevo o padrão vibratório 


Seria um milagre, ou só confusão?

Quando suspiro, eu puxo o ar

E me vem uma canção

Ou no mínimo algumas palavras

Que ficam agrupadas sem intenção


Eu falo quando não canto

Escrevo porque preciso

Me devo isso e não nego

Mas não deixo prejuízo

Botar pra dentro o que nos alimenta

Botar pra fora o que não nos cabe 

Sentindo isso, me pego


O que posso fazer? 

Nem quero chamar atenção…

Mas alguém uma vez disse:

Cutucando a intenção 

De onde vim, antes de nascer

Chamam isso de inspiração  

Sorriso

LUm gesto simples, gratuito 

Encanta a alma, ilumina o dia

Uma ida, uma pausa, uma volta 

Uma vida 


A necessidade 

De encontrar razão

Pra reinventar o mundo

Tocar, cantar, dançar, 

E ouvir silêncios


Poder perceber

(Poder é perceber) 

Receber

Da voz da Terra 

Com hálito de floresta

Os ensinamentos do tempo


Como a simplicidade 

De um sorriso fortuito

Mostrando Levemente

A curvatura da língua 

A doçura dos dentes

Da boca entreaberta


Os músculos do rosto 

Inventando moda

Enfeitando a face

Inspirando o corpo


A ciranda dos olhos

Fazendo festa 

domingo, 12 de janeiro de 2025

Veredas Celestes

Caminhos abertos

Nas veredas celestes

Que os astros se alinhe 

Com os pensamentos


Sentar nas nuvens

Sorrir pra chuva 

Sonhar a rota

Sentir o vento


Viver o tempo 

Em liberdade

Tragar saudades

E soltar sorrisos


Cantar a sorte

Dançar o corpo

Tocar a vida

Seguir seu rumo