As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Entendendo-se

Enquanto eu não souber te ouvir
Não mais te falarei
Não mais te deixarei sem graças
Não mais te roubarei as palavras
Antes de serem pronunciadas

Não existe sentido assim
Ambos mundos mudos!
Devolva o meu silencio de trovão
Em seu doce áspero e cortante som de rabeca.
Eu devolverei tua ladainha
Tua voz entre abismos de orgulho, cega

Devolverei todas as flores numa chuva de fim de tarde
As poesias recitadas, nunca escritas
Devolverei tua ingenuidade
Devolva a minha, a vontade
De seguir sem rumo!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Transmutando-se



Porque tantos pensamentos arredios?
Estou confuso
O cheiro mutilado da saudade agredida por um temporal de lagrimas.
Agregadas pelo Meio.
Feridas pelo homem.
O quê colher dessa tristeza?!

Inunda-me os sentidos a tua ausência

Vim aqui, te trouxe lembranças
Caminhei léguas de esperança
Sem nem ao menos uma promessa
Um gole frio de um beijo não dado
Por meus delírios de sede, guardados
Amores.
De paixões que fossem (das dores)
- uma rima desnecessária...
Uma explicação pra esse fenômeno sobrenatural de meu peito
Porque o solstício dos olhos se aproxima
Minha mente entrará em conjunção com minh’alma
E a profecia de dentro de nós se realizará
Transmutando essa realidade

O fogo que me queima é interior, por fora, apenas reflito a beleza da flor que observo
Nos dias distantes à minha natureza...

Alquimia e destino
Fundindo-se em meu peito.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Contradição

Ela disse adeus
Mas a voz é de quem vai voltar
Ela nos perdeu
Mas pra poder se encontrar

E o que vou cantar
É pra lhe dizer
O que não consigo falar

Eu lhe disse adeus
Mas num tom de quem vai cantar
E o que se perdeu?
Ai! meu Deus
Me dói lembrar

Queria estar sorrindo
E até tento
Mas os meus olhos
Insistem na verdade
E a boca sem vaidade
Nem tenta disfarçar

Quem dera estar chorando
Talvez fosse melhor, quem sabe?!
Mas minha face se perde sem semblante
A luta entre palavras sem alma
E um olhar que não se acalma
Distante.

Desencontrado jasigo

Descanso, não muito em paz
Em meu eterno repouso inquieto
No socorro
Meus restos mortais
Fundem-se a terra
Minha alma
Sem calma
Clama o céu

As chamas das velas
Os pés descalços
As promessas...

Ouço as preces
Elas me acalantam
Sem me deixar dormir

Antes fosse o limbo, o purgatório
Minha desencontrada estadia nesse mundo, aqui

Porque ando confundindo
Vida e morte.
Existo sem saber
Com lembranças
Guardadas em minha essência

Nem mente ou coração
Vivo-morto numa singela saudade
Vagando pelas ruas da cidade
Uma alma servindo-se da razão
Cantando uma renitente ladainha
Aboio de alma vaqueira, sozinha
Pra suportar a solidão

Hoje só acredito no que não vejo.

Na romaria de desafinados
Ouço teu nome ser
Meus desejos não realizados
Esperar, é o que posso fazer.
Enquanto isso canto essa canção.

Porque alguns acham que me escutam, outros não.
Mas isso não sou eu quem decido...

Palavra da salvação.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Entre idas e vidas

Ando assim
Pedinte
Como o olhar de uma criança
No colo da mãe
Na Rua do Lavradio num dia domingo

Vou seguindo
Construindo
Admitindo
Minha insegurança

Haja-me curiosidade
Mas que me caia o bom senso
Que me sirva de algo, a idade
O martírio do tempo
A sagração da memória
A espiritualização da razão
Sem o clássico medo da morte e do fim dos dias
Que os deuses tenham piedade de mim
Pois acredito neles
Mas tenho andado assim
Perdido...

Pecado?!

Tento recordar as orações
Ensinadas por meu pai
Que me acalmavam nos balanços de rede, solitários
Embalados por ninguém
Ou alguém querendo me dizer coisas do além
E eu não dei atenção

Pendente

Como o olhar da criança
No colo da mãe
Na rua são domingos
No Franciscanos
Em frente à praça das cacimbas
Numa lembrança em super 8
Num dia lavradio

Trago em minhas mãos
Sementes de esperança
Pra plantar aqui
E colher em outras vindas

Quer me ajudar?

- Toma.

Criança-eu
Peço-te perdão.
Prometo não mais fechar
Os olhos pra tua solidão.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Re-sentimentos

Por aqui, me beija o calor de novembro
E eu me curvo a soberania do sol
Nos avermelhandos clarins do arrebol
As aves de fim da tarde desenhando uma saudade
Que se confundi entre aqui e ali, qualquer lugar.

Os caminhos que tomamos
Ainda não mataram nossa sede
Nos aventuramos nesse Rio
Rumores, amigos e amores por um fio
De esperança e ânsia costurando realidades
Os sonhos deixo pra o destino e suas fatalidades
Desencadeando uma dança entre os sentidos

A distancia entre a lagrima e o sorriso
São as travessias desses mundos que se cruzam
E que tornam possíveis as reinvenções do amor
Intervenho essa poesia urbana com uma flor
Que trouxe comigo em palavras que lhe canto
Do meu sertão, tome pra ti este acalanto
Uma sombrinha em teu peito, amenizando essa dor

E tudo o que eu falar daqui pra frente
Será uma meia lua de contentamento nos dentes
Querendo transmutar como uma paixão nascente
Exercendo poder sobre tuas águas
Os outros elementos não te trazem magoas
E reconhecem tua poesia insistente

A terra, o fogo e o vento
E tudo o que reinvento
A razão e os delírios do corpo
Sim, tudo re-sentimentos!

Iansã


Bons ventos
Bons tempos e destinos
Os dias e noites
Sentidos
Sopro ou ventania
Brisa, que seja
Mas que nos leve daqui
Nos mova daqui
Pra qualquer lugar
Que não esteja fora de nós!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Insônia


Tua agre-mão não mais
Lavrará meu peito
Nem mais há de ferir
O meu elemento terra

Quebrando minha voz
Deixando-me sem canção
Roubando-me a palavra.
Toda a palavra...

Não quero chorar
Pra não regar
A semente de solidão
Que plantaste em meu sorriso
Espero não ser preciso
Sonhar essa estação

Vivo numa insônia dos sentidos

Ai! Pudesse dormir,
Quem dera!
Pra só acordar
Com um beijo sem mágoas
Na primavera.

domingo, 2 de novembro de 2008

O passeio das almas


De paixão ela nada entendia ou sentia
E ignorava meus bel-desejos.
Vestindo cinza nas noites sextas
Fugia da incerteza dos sábados.

Ela não lia os olhos, mas tudo bem...
Pois não se encantava com ninguém
Que fossem inodoros os cheiros
Que fossem galantes os silêncios

Fique com minhas flores
Eu aceito suas dores

(E todos os seres de imaginação pintados
Ganhando vida em outros corpus
Dominando as peles que os vestem)

Sempre que te vejo calada
Apenas concordando com os absurdos
Escuto vontades em clarins, taróis e surdos
Desfilando como num sete sem setembro
Em arranjos de luz, teu pensamento
Seduzido azuis, meio des-dobrados
Num confuso domingo agoniado
Em que o peito explode calado
Alvoroçado com a fanfarra dos sinos
Num fim de tarde eterno franzino
Solitário, sem noite, madrugada
Sem segunda feira, sem nada!

No Juazeiro, nos franciscanos
O passeio das nossas almas,
Penadas

A manhã não vem?...


Ouço o canto abafado das árvores
Através dos muros que criei
Pelas portas e janelas que cifrei
Pra nos afastar

Ouço o tempo sem passar.
O som do silêncio entrecortado em suspiros
Enquanto adormeço.

Um estrondo rompe o martírio dos cílios,
Quebrando o cristal de sereno nos olhos!

Estou em transe...
Misturam-se sonho e realidade,
Sigo pelas ruas da cidade
O meu corpo são palavras
Minha alma, são canções.

No socorro
Acendo velas e angustias
O incenso nas narinas me causa aflição
Te rezo, e tenho uma leve impressão
De ouvir tua gélida voz me consumindo o juízo

Pra enlouquecer de vez
Tudo o que precisava agora
Era desconfiar que ainda habitas em meu peito
E eu fico assim sem jeito
Tua presença me apavora

Os pássaros, onde estão?
A manhã não vem?!...

sábado, 1 de novembro de 2008

Tormentas


O que você quer de mim?
Quer que eu lhe conquiste?!
Mas como posso fazê-lo se você não insiste?

Quem me dera, me banhar
Ou que fosse apenas navegar nas tuas águas!
Dançar com a fúria e beleza de um ciclone

Calmaria ou tempestade

Só não quero ficar aqui
No porto seguro da saudade
Entre canções atuantes
No precipício dos amantes
Que não expressaram suas cores
Com o corpo, com os olhos
Todos os sentidos!

Esta inércia me atormenta
Eu mesmo prefiro as tormentas
Temporais são necessários

De teu amor serei corsário
Sendo água, és sereia, me encante!
Pois sem terra, sou marinheiro errante

Que teus olhos me vejam e sejam
Meu farol, minhas candeias, e que eu cante!
Os ciclos da tua natureza!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O que lhe fiz sentir


Minha vinda aqui
Foi pra te encontrar
Te encantar, te conquistar, é levar...
Mas, uma pequena solidão veio e ensinou-me
Com aquele mesmo carinho com o qual você me abraçava

Uma estrela no céu do sudeste
O silencio ritual que me deste
Pra pensar melhor
E cantar as coisas que não falo.

Eu que já estive pior
Hoje tenho tua lembrança ao menos
Tenho tua esperança ao menos.
Recordo da tua bagunça na hora de amar
A inquietação das perguntas.

O que lhe fiz sentir
O que me dei a ti

Como o meu cheiro te marcou
Como o meu beijo te desarmou
Como minha existência te afetou
O amor que te seqüestrou e devolveu
A um mundo que não mais era meu

Tua voz e palavra recriando tudo o que existimos

Devagando


A impressão que tenho
É que tudo está diferente
Não distinguo o que se coloca como antigo ou recente
Uma ênfase à um suspiro inesperado
Sabia e propicia oportunidade
De dramatizar minhas perceopções

Em meu peito
Não há mais espaço pra esses interlúnios
Inexplicável forma de se permitir
Que nos conscientizemos de nossos sonhos
E sua importância.
Vago, vago nesse vago vagão de rostos inertes
Círculos isolado de distintos e solitários desejos,
Todos num coletivo, porém
Desolados de qualquer pensamento em comum
Eu aqui e você aí, ao lado um do outro
Em universos paralelos que criamos
Com a anti-matéria dos fugidos olhares fingidos
Em nossos infinitos particulares

Em meu céu eu sou a lua
E teus raios solares chegam mim
Tocando meu rosto
Mas como você não se toca
Eu mingüo.

sábado, 18 de outubro de 2008

Estação


Esperamos tanto...
Saudosistas
Com as imagens da infância nos acompanhando
Num devaneio sonoro de fim de tarde
Os vagões reverberando no encontro dos trilhos

Chega um momento em que não importa mais
A tristeza que errante se entrelaçando
Seguia a vida aparentemente contente
Entre os bons dias que escapavam da prisão dos dentes
E as automáticas respostas de "tudo bem".

Mas hoje meu bem
já nem leio ou escrevo em coletivos
Nos movimentos sinuosos de idas e vindas
Já não sou mais apenas aquilo que penso
Sou aquilo que sôo, pronuncio, exponho...
Tudo mudou
Quando você me ensinou a falar cantando

Nas linhas férreas de meu destino
O Trem enfim voltou
Por mim passou e me atropelando
Esmagou meus planos
A vida me feriu em toneladas de sonhos (de aço) sobre mim

No turvo céu do sudeste uma solitária estrela brilhou
E me espiando cintilou uma saudade

Eu estava ali, entre os mundos
Esperando uma passagem pra outros planos
Porque enfim, o trem voltou e passou por mim.
Na estação, me atropelando.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O compasso dos meus passos

Tenho meu ritmo
Quem quiser me acompanhar
Que siga em meu andamento
Seja na desconstrução de sonhos
Ou mesmo nas ruínas da fé

Tenho pulso e argumentos
Para qualquer desilusão que se coloque
Entre eu e minha tristeza!
Deixem-me!
Deixem-me morrer aos poucos
Como os loucos, os poetas
Sentindo tudo o que devo cantar ou calar mas não posso.

Só assim renasceria
E cresceria, sem elogios pra alma
De karmas superados
Na estupidez vencida dos anos
Entre estios e chuvas de meu peito

Compondo o passado
Vivendo o processo dos dias infindos
Só.
Sozinho
Como tiver de ser, ou não
Não mais existe questão
Respondi as minhas duvidas pra mim mesmo
Em silêncio
Nos idos anos em que estive fora de mim
Ou dentro de mim
Perdido

Enfim, caminho.

Seguindo em meu andamento
Quem quiser me acompanhar
Que descubra meu sentimento.

Interpretando


Roubarei seus mitos
Vestirei as mascaras de seus ídolos

Revestirei teu corpo de mim
E assim, serei teus sonhos não realizados

Teus medos transparentes
Transpassados
Transmutados

Tu me odiará
E me adorará
Sem diferenciar
Fé e descrença

Porque eu te darei minha cena
E esta não será uma participação pequena! Não!

Na nossa banda de cá do mundo
Não serão feitas marcações
Não serão lidas partituras

Sentiremos a dura vida
E improvisaremos

E nos tocaremos
E tocaremos

Da forma que quisermos!

Eu nunca lhe disse
Que só acredito no que toco
Que só interpreto o que vejo
Allegro-me
Presto atenção no que faço
Mas não me prendo aos compassos
Da canção entre minha voz e teu beijo

Amanhã outra dança


A noite segue em seu curso de sonhos
Como um rio de águas barrentas e revoltas
Fio-me em minha humilde morada
Ao som do canto fortuito dos pássaros
Melodias madrugais cruzando o espaço tempo.
Entre novelos de estradas-labirintos
De uma arredia chance sincera
Reinvento contos de uma primavera inesperada
Ansiando uma manhã de olhos alquebrados e ofuscante luz!
Em plena meia-noite.

Uma estrela me conduz, e é assim que sigo...
Um dia após o outro, absorto, lúgubre, Ferraz e tênue!
Absurdamente despreparado pra outra tarde
De cafés e diálogos prósperos
Uma vida inteira
Em segundos
Debulhada como um terço, e uma cega fé em nós mesmos
Pra todas as nossas novas possibilidades
Encantando futuros
Escrevendo-lhe versos
De um entendimento momentaneamente delicado
Quem sabe depois, sentindo?!
Sentimentos, ressentimentos?!...
Tempo pra pensar
“Horações” pra antes de dormir e sonhar!

Amanha é um novo dia.
Hoje agora é aqui.
Amanhã outra dança.
A existência
Esperança

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Caboclo de Asas

Sigo a voar pelo mundo
Acompanhando o sol
Num eterno meio-dia

E no espaço de sonhos
Onde as poesias do tempo
São de minha autoria

Pouso no Araripe
E ao aterrissar nos olhos
Cariri que sôo
Logo me toco!
E te realizo.

Minha artesã-nata-canção
De terra, semente e esperança
Adivinho o que virá pela frente
Como um ritual de pajelança

Logo te toco
E me realizo...

E então somos verdade
Num transe
Anunciada
Escrita e cantada

A duas vozes e quatro mãos
Beijos ofegantes de paixão
Minha centelha da Mãe D'água
Envolvida em capuchos de algodão

Sou um caboclo de asas
E minhas palavras de fogo
São profecias Cariris
Varando a tristeza
E a maldade do mundo

Realizando-nos!

domingo, 5 de outubro de 2008

Ethereos

O que faz de nós seres humanos?
Qual'a essência que nos torna ethereos?
O espírito, a alma? O raciocínio, a consciência?...
Tantos corpos sem idéias que vagam vazios
Sem um mínimo de paixão, ao menos, que lhes preencha
Sendo assim, não ha ciência, nem magia
Não ha poesia
Nada que nos guie em alguma verdade.
(Mesmo pra quem não acredite ou queira alguma)

Olho as estrelas.
Tento desenhar nas constelações
O que poderia ser do alem-céus
Navego meus desejos, sem beijos, sem abraços, sem sexo
E não encontro entre meus versos, algum nexo que eu possa cantar
Assobiar, ritmar, harmonizar.
Lapidar.

Parece um velório
Porém, sem choro nem rezas
Pêsames ou incelenças
Meus sentidos estão mortos
As vezes quando tenho fé, creio em Deus, e peço que impossivelmente
Como num passe de mágicas
Um milagre aconteça!

Até onde será possível
Fugir os olhos pra um futuro qualquer
Perdido entre nossas tantas procissões?
Meu manto azul e branco, a cruz e o rosário
Meus cabelos e barba voando num vento cósmico...
Arrastando meu juízo e me trazendo delírios
Com os quais em transe rogo:

-Minha senhora!
Uma esmola de inspiração!
Pelo amor de Deus!
Qualquer sentimentozinho me serve!
Por caridade, ajudai esse irmão seu!
Que pena, que pena
Sem um amor em seu peito!

Não tenho fome
Não tenho sede
Não tenho nada
Alma sem corpo, desenganada.

E assim como o vazio do mundo
A falta de amor nos corações
As palavras ditas sem um cuidado pequenino que fosse!
Sonho pra que versos ressuscitem
E que tragam paz pra os que aqui habitam
Entre uma e outra eternidade que transponha limites
Da vida ou da morte que nos tocam incansáveis
Somos instrumentos conscientes de nossa liberdade
Então porque sempre nos isolamos?
Existe uma imensidão de veredas infindas
Cruzando nossas idas e vindas
Não podemos continuar como estranhos
Perdidos nesse universo em expansão!

Se o que vejo são duvidas no coração
O que posso fazer, então
É sofrer, seguir, viver
Com as certezas cegas da razão?!

Sem fome
Sem sede
Sem nada
Alma sem corpo, desenganada.

Solidão.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Inventemos-nos

O que eu poderia te desmentir que você não soubesse?!
Alias tudo que te falo inexiste

E por isso que acredito, tanto, nos sonhos.
São minhas formas de dizer o que não pronuncio!
É o que tenho e deixei guardado
O que te dei e ficou comigo
O que chegou mas é sempre esperado

A omissão da verdade não é um silêncio
A palavra não dita, não escrita
Não existe pra nós, lembre-se!

Ela fica entre a primeira e a segunda pessoa
Do singular pronuncio do desejo. Realidade!

Sim! Realizaremos todos os nossos anceios

Se tu acreditar que o que construo
É tudo que te injurei ser mentira

Viverei e morrerei
Reinventando encarnações
Pra te encontrar!

Verdade ou não.

Inventemos-nos!

domingo, 7 de setembro de 2008

Todo sempre agora

A vida já me passa a ser tãobém lembranças

Memórias a dançar num entremeio das mãos
No corpo trêmulo de umas dezilusões
A juventude(,) as exposições
Do Crato, as paixões
A fé, a pé, pelas praças da cidade
Os pátios milenares, a igreja da sé

Quanta saudade...

O Belmonte
O Granjeiro
O Serrano
O Lameiro

As águas místicas e seus ciclos em mim
Deusa-mulher, serpente de caldas sem fim

As mil e uma noites (e dias)
Os desejos no rosto
As loucuras sãs da idade latente
Vivi tudo, sim!
E hoje recordo contente.

O sorriso caboclo em câmera lenta, guardado
Que ainda me atenta ao pecado.

Profano e sagrado, caminhos
Sejam’os juntos, ou sozinhos

Tudo o que por mim passou
Ficou! Não foi embora.
Minha razão e juízo cantando
Os delírios eternos do todo sempre agora!