As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Dúvida

Agora a pouco senti falta de algo que não sei
Que desconheço? Inadimito?!
Uma coisa essa estranha
Ancestralidade?
A voz do infinito?
Ouço o som do tempo passando em minha mente
Talvez seja você simplesmente
Me falando ao pé do ouvido
Talvez seja eu mesmo
Imaginando, substanciando
Surtando, na abstinência de ti
E eu não sei se canto uma canção pra você ficar
Ou se bato um tambor pra você partir.

Sina de Tocador

Foi no Cariri que eu nasci e me criei
E bem novo eu botei na cabeça: - Eu vou tocar!
Eu tive que lutar pra poder se tocador
E a vida me ensinou a ouvir tudo e cantar

A minha sina é a sina nordestina
É o verso, é a rima do meu canto popular
E o cantador que não esquece sua gente
Sempre leva em seu repente o valor de seu lugar

Posso até ser um cantador sem muita sorte
Mas se a vida fez um corte no meu peito penitente
Trago essa dor e a canto com alegria
Essa é a sabedoria que ilumina o meu presente

sábado, 25 de junho de 2011

Amálgama

O que ficou de nós foi apenas uma vida inteira
De duas partes, a ser vivida, num só corpo.
Pois hoje eu acho é pouco
O que restou foi tudo
Um todo, um sonho realizado
Sem motivos pra voltar atrás
Tudo ficou pra frente
Em meio a tantos amigos
Familias
Tanta gente...

Estranha-me

A forma como tudo começou em um fim.
Esse é um recomeço que temos
Num fracasso bem sucedido,
Bem resolvido
Bem vivido
Ao menos.

Hoje, depois de tudo dividido
Apenas ficou o que juntamos
Essa vida
Inteira
Parida

Nossas velhas lágrimas.
Nossos novos sorrisos.
Dividindo um mesmo rosto

Estás aí?

Não consegues ver? Sentes?
Estou a cantar outra vez, como nunca
As mesmas palavras de sempre, mágicas
Nas cores que circundam teus eternos versos.
Seja numa roda de poesias que te faço
Ou numa valsa que apenas sinto
Eu lembro de ti, e pronuncio teu nome
Mesmo quando não posso

Querida, ainda estás aí?!
(- Prefiro não abrir os olhos...)
Vamos, diga pra mim uma coisa, tranqüila
Uma daquelas suas histórias tão lindas
Pra que eu possa voltar a lhe sentir
Mesmo que nunca tenha estado acordado
O que seria pra sempre
Ou pra o agora?

Agarrado em tua lembrança
Queria sonhar pra te ver sorrir
Mas a saudade, menina
É uma senhora
Que não quer dormir

Passou

Não.
Não falo do que eu tinha pra ti
A questão era sobre
O que tu tinhas pra mim.
Tudo.
A luz que transpassava tua aura
O som que ecoava na tua alma
E a certeza da felicidade.

Acontece sem querer
Guardei também, todas as respostas enfáticas, atordoosas, maltratantes
Até as silenciosas

Sim. Tudo bem, eu sei que passou, não é?
No fundo o que trago essencialmente comigo,
Talvez, além da dúvida,
Seja a certeza do melhor pra ti
Teus conselhos sempre, presentes.
Engraçado falar hoje no tempo passado.

(Em meu peito musicado uma saudade-violão
Me assola quando emsagrado sangro um solo
Quando acordo e acordas,
Empunho um vento-garganta
E sopro a poeira emlembranças
Do meu coração.)

E enlouqueço quando tento
Tua ausência enfrentar
Em minha fome, minha sede
Lhe transformar

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Harmonizado

- Sem você, minha música
Corria a gritar silêncios insensatos.
Mas em sua presença, vivo, num transe divino,
Rodopio e traduzo sonhos!
Quando em vez, rogo o futuro
Sintonizo em teu templo sagrado
E ouço o som dos antepassados
Em canções de bençãos e sabedoria.

domingo, 12 de junho de 2011

Reencontro

Ela retornou, trazendo nos olhos, claridade
Cantando em trovões e estrelas cadentes
Riscando o céu, com seus lábios
Pronunciando lunares encantos

Eu tinha sua razão em mim
Encimando-me, ensinando-me, existências.
Na face, o sorriso de quem ama
Com uma paixão que sustenta-se,
Na realidade virtuosa dos poetas

Ela falava na voz dos astros.
Com todo seu corpo
Sentindo o tempo
Nos dedos,
Pincelando cordas
Desenhando músicas
Lendo mãos.

Nos olhamos
Suspiramos
(eu senti sua respiração)
Seu hálito quente beijando meu rosto

Ela falava de infinitos na língua dos ventos.
Arrebatava meu peito, a flor de seus gestos
Silenciava meu canto, a cor do seu sorriso

Eu fiquei ali como uma criança
Em sua voz, em seu colo, embalado
Dominado por sua luz intensa
E feminina presença,

Apaixonado.

Antes eu desconfiava
Toda minha vida era você

Agora
Tenho certeza
Ao te rever

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Afinal de contos

Nas noites acesso
Na incerteza dos dias
Recompus a paisagem que me distraía
Num transe, ao som da tua impresença
Soando com a banda de mim, que te recebia em euforia
Nos festejos dos nossos santos dias.
E tudo isso o que eu não sei mais se existe
Mesmo de uma forma comum, ou um simples desejo
O admitir da insistência, ou da saudade permitida.

Arranjo uma loucura qualquer que restou de nossa paixão
E o canto?
De onde vem?
De onde venho? isso!
Pra onde vou?!
Pra onde vais?
Eu insisto,
E assisto!
Minha postura imprecisa, imprevista!
Eu nem se quer esperava mais isso de mim!
Mas foi. Fui. Sou essa palavra crua buscando rimas
E falo repetidamente, como se não tivesse mais o que dizer!

O que fazer?!
Silencio ou esbravejo minha falta de inspiração
Guardo pra mim ou dou pra todos
Essa acidez a corroer o passado?
É. Mas tudo isso é bom...

Afinal de contos,
Aquela velha história,

O fim é um recomeço

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Soando

Agora penso que sou simplesmente aquilo que canto!
Mesmo quando calo ou despronuncio silêncios!
Meu olhar quando interpreto, meu movimento
Os gestos, o trupé dos meus passos
Nada teria sentido
Tudo estaria incompleto.
Se não fosse a música em meu peito
Minha alma já teria partido sem jeito
Por não encontrar vida em meus versos

terça-feira, 19 de abril de 2011

Infelizmente,

A liberdade não nasce do silêncio.

O próprio direito do silêncio,

É uma conquista do grito.

Meus Versos

Que segredos são esses que te vestem,
De quando em vez, quando me despido?
Quando desperto e me disperso em teus versos,
Ao provar dos desejos de tua pele?
Que voz é essa que te encanta e cala
Que estronda feito beijo e profecia
Nos finais de todas as nossas noites
De todos os nossos dias?

Que amor é esse que te distrai e atrai a confiança
Quando se sentes criança a brincar em meus braços
Que te rabisca, te colori os traços, que te balança

Quem é você que me lê?
Quando quer me entender
Que me consome
Quando, da forma que quer
Quando bem-me-quer,
Me interpreta
Me recita
Me excita
A palavra
Em versos
Os sons
Em canção

Os sentimentos que descrevo
Ou os que não me atrevo
Ou os que não consigo.
Não

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Entregue

Admiro tua simplicidade
E a cada momento de descubro mais assim
Complexa como a força de tua beleza
Cantiga de roda, loa, peça de reisado
Feito lua, estrela, cigana ou borboleta

Nada de complicado em seus exigentes cuidados
Tudo de suave em suas certezas de menina
Doce em teu silêncio
Tempestuosa em tua voz cantante.

Tua gentileza chega a ser agressiva
Quando defendes o que acreditas
Impondo teu olhar de felina

Teu perfume chega a ser um abuso
Quando te recolhes em teu mundo
Mas deixa soar pelo vento
As cores de tua alma-rosa

Exalando essa nobreza pelos poros
Espalhando pelo tempo, timidez
Teus mistérios que me envolvem, carinhos.

Se eu te trago um sorriso entre os dentes
Meio bobo, ou menino palhaço mateus
É porque te vejo e de alguma forma lembro dos meus
Dos dias mais lindos que pude viver e sonho
E lembro e penso que tudo pode ser melhor
Que você pode ter consigo
Os sinais que busco pela existência

Um amor tranquilo, uma paixão que seja
Mas sempre uma poesia, e que nos dê certeza
Que não é atoa que tua beleza me encanta.

Em teu silêncio, te vejo canção
O teu olhar de imensidão
Teu cheiro dominou meu instinto
Assim entreguei-me ao que sinto
Me chego e nos deixo em tuas mãos

quarta-feira, 23 de março de 2011

Dois

Uma das mãos acenava
A outra guardava uma flor
E o sorriso era de quem tinha saudade
Um dos olhos estava no tempo em que nos conhecemos
Ou outro me fitava, querendo me despir
Num ouvido ela tinha o vento
A canção que sempre lhe guiara
No outro, meu beijo a lhe enlouquecer
Em uma das narinas ela tinha o perfume
O lugar que nunca deixou
Na outra, meu cheiro a lhe descontrolar
Num seio ela tinha meu coração
Que muito além do prazer
Sentia pulsar a paixão a povoar os sentidos
No outro ela tinha meu amor jurado e desejado
Na boca ela tinha carinhos
O prazer se fazendo canção
E o meu corpo vibrava no seu
Uma linda melodia, numa leve tensão

E a cada respiração diminuíamos
A saudade e também todo medo
Os sentidos já estavam perdidos.
Só sabíamos o que precisávamos,
Vivermos como nunca e sempre
E refazer exatamente tudo diferente
No abraço sentimos o mundo
Lembrando-nos que éramos
Apenas duas crianças crescidas
Se reencontrando a brincar

Nada, é impossível!
A realidade vivendo e sonhando
Dois corpos num mesmo espaço habitando
Um só lugar

segunda-feira, 14 de março de 2011

Representando

Amei tudo o que vi
O que senti
Era real, era verdade!
Treinei, para manter-me na felicidade
Compreendi a dor
A dor humana
O amor e o suor
Técnica e evolução
De dentro para fora
Foi uma revolução 

Resisti, a lágrimas
As lágrimas minhas!
Éramos atores,
Brincantes, cantadores!
Numa cena simples:
Você me sorria
E com os olhos
Me oferecia flores
Assim, sorrindo, florindo
Indo e vindo
Nas vidas, nos resquícios da alma
Éramos sonho nas verdades
Tudo antes, tudo agora e assim sempre!
Nossa vida
Nossa arte.

Os aplausos fazendo festa!
Era tudo o que precisávamos
Que fossem vaias, não nos importávamos
Pois o apoio, era a segurança que tínhamos
Criticas e falsas tranquilidades
Não me faziam desacreditar
Naquilo que a princípio, e por fim,
Sempre seríamos e estaríamos
Juntos a representar

O palco, a platéia
Nossas músicas
Nossas interpretações
Nossa arte, nossas idéias
Transformando corações

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Transfiguração

Espero que eu não tenha sido tão seco,
Ao pressentir que fosse apenas mais um
Espero que tudo tenha sido um desengano
Quebrando os planos de quem não se apaixonou
Tudo bem, que você vá embora, mas não assim, escancarando,
Não encarando tudo que aconteceu, e o que já passou.
Pois que o tempo seja tão bom conosco
Como é com quem foi, e não deixou de ser amor.

Hoje sou um corpo sonoro a mercê de tua voz, abusada
Uma alma penada no desejo de tua boca, vazia
Sem gestos, logo depois que tudo se acaba.
Que eu seja calor, que eu seja frio, intenso!
Algo que vá aos extremos da matéria.
Que eu me decomponha em tua presença, já tão seria
E renasça mais vivo, talvez, no Araripe
No sentimento sereno das árvores
Ou na poesia e perfume de flor.

Que eu siga nas partículas levadas pelo vento
No canto de qualquer poeta estradeiro
A varar sertões e cidades, alegrias e tristezas.
Caia na imaginação do povo simples, “comum”
E me transforme em versos e prosas sob o luar
Que o orvalho da noite banhe minha alma
Essa essência andarilha, errante, multicolor.
Que venha o sol! O tempo!
E eu caia no suor sagrado da gente trabalhadeira
E acabe sendo novamente uma paixão matuta, verdadeira
De qualquer ingênuo e inocente cantador

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Uma canção ou você!

A dias que te procuro, procurava!
As noites em que o escuro me assombrava.
Da dúvida, e em divida com a solidão,
Na saudade, pensei no que existi.
E além,
Na amizade.
A lembrança de teu sorriso, e adormecido.

Em um som que desistiu de ser silêncio
Impondo a voz que me resta em um pêndulo compasso
Vou me afinando, e desafiando essa distância e gravidade
Pra que num inesperado movimento, rompendo os planos presentes,
Eu me ajoelhe, juntando as mãos, esperando que ela sinta, sei que ela se sente.
Minha voz entoando uma prece.
É o que parece.
Amém.

"Onde você estiver, que minha oração, cantada em benditos, te encontre e acompanhe teus passos.
Lembre-se de nós, e de quando caminhávamos descalços por nossos jardins de sonhos.
No fundo tu sabes, que sempre me entrego a ti mais uma vez,
Como sempre, pela última vez,
Como se fosse sempre,
A primeira vez."

Vou acordando, retomando os sentidos
Retornando aos escritos, e cantando.
Caio em minhas inspirações, observando
Que fico assim, de cara com o tempo
Com vontade de gritar, de correr. E admito
Outra paixão qualquer não me acalma!
Pois só me refaz a alma,
Uma canção
Ou você.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Fundição

Sou um filho do sol. Necessito do fogo, seu calor, sua luz
Pra fundir os fragmentos que ficaram de tantos, de sentimentos, poesias e transcendências.
Almejo uma liga leve e forte que sustente minhas palavras e sons, minhas canções, existências.

No momento exato da criação, posso até transbordar de tanta inspiração
Mas o que respingar na terra ou evaporar nos ventos, como partículas de amores,
Não poderia ser outra coisa, além do perfume das flores.
E claro, isso nunca agrediria nosso meio.
Estamos conscientes.

Desconfio que a maior parte dessa matéria incandescente virará poesia,
Mesmo que silenciosa ou opaca, como o tempo, consumindo-me.

Se vier o brilho, o som, ou as cores em uníssono ou refratadas
Que eu mereça os segredos das matrizes em fim, em mim, resignificadas,
O amálgama dos sentimentos que reencontro, mesmo nunca estando pronto
Cada gota de suor que me resfria o corpo máquina, e me purifica a alma,
Num movimento de transpiração.
Pra que eu esteja untado, para receber a divina energia celeste,
Em sua conjunção com nossa natureza terrena, e seus elementos
A alquimia dos sonhos das realidade.
E tudo o que eu precise pra me transformar no que sôo
Algo entre a ciência e magia
Que a humanidade
Embrutecida
Renegou

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Sintonia

Hoje não quero mais
Apenas aqueles sons de ontem!
Quero a música do amanhã, agora!
Que seja um estrondo rasgando saudades
Ou o silêncio do passar das horas!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Memórias?!

Cariri dos Encantados - Foto de Thailyta Feitosa
Exatamente agora, sinto falta das paisagens verdes das estradas do Cariri, transformadas pelas chuvas. Na memória, sigo atravessando a colina do horto, subindo a serra de são pedro. (Num devaneio, como um sonho dentro de outro, Saudade também do sitio cipó, minha infância, e de mestre Pedro Oliveira, rabequeiro) Me atino pra estrada, cruzo a saudosa Caririaçu, dos pequenos indios, dos franceses, do Pe. Cícero. passo pelos Caboclos e chego no lugar de onde nunca parti. Estou sonhando? O que é real? Minha mesa de papeis e carimbos e virtualidades ou a cascata que perfura a rocha a milhões de anos onde me banho, exatamente agora?!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Treme-Terra (ou Grito de Guerra)

Cada dia é mais um dia de mistério
Sei que vai ficar mais sério
Vamos ter de conversar
Sobre o destino de tudo
As nossas vidas o mundo
Pois sem amor onde é que as coisas vão parar?

Esse teu beijo é pecado na boca de quem lhe roubou
Esse teu cheiro me invade lembrando o que passou

Até parece saudade
Nem posso acreditar
Que ainda penso em você
Depois de tanto penar

Essa paixão é canção de louvação ao passado
Essa paixão é zabumba dançado improvisado
É uma pareia de pife tocando bem afinado
É um chiado de prato num contra tempo danado
Meu peito é paixão, é revolução
Minha voz canção, é grito de guerra
Descendo a serra, subindo ladeira
Fazendo zoeira em meu peito se encerra
Levanta poeira amor treme-terra

Ainda penso em você

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Impaciência

Um dia desses eu me desespero
Não mais te espero!
E sem pensar, faço mesmo! Isso! Me desfarço.
Invento um loucura pra te ver
Pego meu violão
Te canto uma canção
Uma dessas antigas,
Que agente diz que acabou de fazer
E fingindo um tipo meio desafinado,
Admito que estou apaixonado!
E que quero você!
Mesmo sabendo que pode ir tudo por agua abaixo
E que poderei te perder!