As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Interlúdio Silêncio

Um leve frio dança noctívago
Anunciando o confortável abraço
Calor nos passos.
A lembrança veio a mim e voou
Como na voz de Iansã
Folhas e pétalas a colorir calçadas
E o som em perfume
Antes lento, agora alvoraçado
Esvoaçado
Dominando a madrugada
Inspirando a mim e a namorada
A bailar aos beijos
     Interlúdio silêncio
A embriagar-nos de poesia
Quem sabe ate o nascer do dia
Seremos novas melodias
Desenhadas em aquarelas de desejos?!
Feito a menina que não dorme,
A nos espiar pela brecha da janela
Sorrindo assim, bobos, somos como ela
O amor predomina nessa madrugada
Eu e tu aqui, cúmplices, em nossa arte entrelaçada
E ela agora, também sonhadora, inspirada!
A suspirar femininos desejos
Pela lua
Apaixonada

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Relatividade

Agora, a pouco, o relógio olhou pra mim
Como se eu fosse um corpo estranho a pulsar
Ele me resmungou por uns segundos

Algo que de qualquer maneira, só entendi no instante em que passou.
Eu respirei, suspirei, e entre seus tic-tacs, entrei no ritmo do vento
Parti seguindo, sentindo essa natureza, porque já era hora.
Antes sempre do que nunca...

Então percebi que a manhã se foi
A tarde
A noite se foi
Na madrugada

Fiquei pensando, inspirado
Na relatividade dos sentimentos

Enquanto o amanhã tornava-se hoje.

domingo, 4 de agosto de 2013

Devaneio III


Caminhava

Com o olhar atraído pelo vento,
E um tempo delicado passou por mim
Feito uma borboleta

Pairando vôo em meus desejos de música
Dançou uma valsa etérea em meu juízo
E seguiu
Transversal

Fiquei assim
Me sentindo
Uma lagarta
Sonhando
— com Geraldo Junior.

sábado, 3 de agosto de 2013

Um

Eu e você
Somos tanto quanto
Eu, e vc
Tanto somos quando
Eu e vc
Somos tanto

Somos tantos quantos um

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Capciosa

Mas vamos deixar desmarcado
Pra uma horação de descuido.

Assim como quem quer tudo
Assim como quem quer nada
Como se por um acaso,
Se for o caso, um descaso,
E a falta de razão,
Seja uma possibilidade de poesia

Me dê um pouco de intimidade
Um olhar perdido que seja
Pra que eu possa escrever
Uma canção que seja atemporal

Interprete a música
Eu canto o movimento
Dançaremos em busca de algo
Que não necessariamente exista

Nas coxias a conversa é outra
Os gestos, o silêncio
Estamos dos mesmo lados, opostos, apostos
As vezes a tragédia
Por vezes comédia
Mas nunca num entremeio comedido

Sem querer
Exponho a alma que se veste dessa paixão
E quem se emociona com as personagens
Que nos permeiam os contos
Talvez nem imagine o que ha delas em nós
O que há delas em nós?
O que nos faz atuantes

O desencontro desmarcado
Improvisado
Acontecerá
Nem que eu e você sejamos o palco
Pois que o nosso amor seja o teatro

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Transversos

As vezes nossas artes nos atravessam
Mas de algumas formas tão intensa
Que na distância, quando nos falta crença
Inspiração, tinta ou palavra ou cor
Parece que as saudades ficam as avessas
E é como se eu homem fosse a poeta
É como se ela mulher fosse o pintor

Dados Democráticos

Ontem-amanhã-hoje
Não me peçam votos
Apoio
Não me impeçam

Sou o mais forte?
O mais fraco?

Quem me impõe o juizo?
Onde fica minha loucura?

O que mais eu posso dizer?
Calo? Os calos?

Quem me ama? Me odeia?
Quem de mim precisa?
Me usa, me descarta,
Me tortura, me mata,
Me desmata
(Mas antes de tudo), me maltrata
Como um trator, trucidando,
Devorando os índios, as matas

Quem me defende? Quem me ataca?

Quem são meus amigos?
Meus inimigos?

Quem sabem quem são?
Quem não sabem?

Por coragem ou covardia
Por sabedoria ou desconhecimento
Por ignorância ou utopia

De quem é? O que é?
Pra quem é a democracia?

Que bandeira levantas ao deitar?
Qual é o estado do nosso coração?
Quais as fronteiras do espírito?

Porque não parece evolução,
O caminho que segue a humanidade
A cultura se transforma e sempre e agora?!
Quem será o próximo
Deus?!

Um palhaço?
Um ator de cinema?
Meu ex-cristão-gay?
Uma negra, loira, nua lésbica?
Um índio vestido, ateu,
Um pastor travesti?
Um sem futuro presidente evangélico
Isso seria ruim?
Pra onde vamos?
Que planeta é esse?
Quais são os meus direitos, humanos?
Ficamos presos aqui, assim?
Por tudo o que nos resta? Do nada?!
Louvemos às senhoras
Os senhores todos
Já estão descansados

Vandalizemos
Anarquizemos
A falsa paz burocrática
Vendida ou trocada
Por favores
Marcados
Dados
Sujos
Com'o
Jogo

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Desabrochar

Porque não desabrochar?
As pétalas de qualquer forma irão ressecar
São ciclos. Faz parte da beleza da rosa,
Abra-se, receba as cores do sol,
Mostre-se ao mundo em todo o seu esplendor
Doe o seu vermelho amor aos desaventurados corações
Com sua beleza cure a dor de quem na vida só sentiu espinhos,
O rancor dos que não se apaixonaram
Talvez por passarem desapercebidos
Pelos coloridos jardins, sem fins
Da poesia, dos sentidos

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Corriqueiro

Agora me deu uma vontade súbita de rir!!!
Eu ri! Estou rindo!!!
Aí lembrei de quando alguém posta algo corriqueiro
(acho isso normal, mas, é engraçado)
Tipo:
Acabei de entrar em casa.
Vi uma barata.
Escorreguei.
Boa noite.
Vou dormir!...
Só falta dizer:
(Como um bom cearense)
Oi! Estou indo cagar.
kkkkkkkk
Estou me acabando de rir!!!!
Rsrsrsrsrsrsrsrs
E estou sóbrio!
Isso é ainda mais engraçado!
Hahahahahaha

Não sei se estou rindo de felicidade
Não sei se estou rindo pra não chorar
Talvez eu chore de tanto rir!
Talvez eu esteja sonhando de tanto dormir
Quem sabe eu esteja acordando de tanto sonhar
Enquanto não sei,
Rirei!
Escancaro a boca a florir
Porque essa dúvida,
Que não me assola,
Não me importa!
Coma torta!
Como um palhaço, estou a me sentir
E talvez eu ria por me achar sem graça!
E essa lúcida gratuita felicidade
É mesmo uma linda desgraça
Estou quase pra me acabar
Mas não consigo parar de sorrir!

domingo, 16 de junho de 2013

Estrelas

Quando quero te encontrar
Sigo tua voz divina
Ondas desenhadas em pontos luminosos
No oceano eterno do tempo

E por alguns instantes sem fim
Estou contigo a cantar no firmamento

Os apaixonados suspiram o olhar pro céu
Alguns vêem estrelas cadentes
Outros, constelações
Ou o luar sorridente
Outros mundos a partilhar nossa intimidade
Em uma só felicidade e sentimento
Em mais um intimo ínfimo último beijo
O recomeço do universo

domingo, 9 de junho de 2013

Religião

Trago a bandeira verde
De penitência e missão
Caminhos dentro e fora de mim
Veias, veredas, coração

Às manhãs numa flecha de luz
Minha alma se transporta
Comunga a paz da minha terra
Fortalecida, irradiada retorna

Sigo a estrada dançando
Pregando poesia
Cantando
Essa é minha oração

Meus deuses!
Me tenham carinho e amizade
Não careço dó nem piedade
Louvo o Jesus sorridente
Sou crente no amor
Não sou católico
Não sou cristão.

As vezes entremeio
As vezes figurado
Vivo feito reisado
Livre! Bailo no salão
Essas máscaras são reais
Meus teatros rituais também são

Indio
Em transe
Em partes
Consciente
Meio-caboclo
Meio-negro
Meio-cigano
Meio-romeiro
Assim sou inteiro
E esse três pés de juazeiro
São três pontos no universo
Me dando direção

Sigo a estrada dançando
Pregando poesia
Cantando
Essa é minha religião

sábado, 8 de junho de 2013

Descansaço

Espero que estejas a dormir
Descansando a paixão que te aflora
E que o sonho seja o teu porvir
No momento sagrado da aurora

Quando o mundo amanhecer
Na luz-poesia que nos agora
Que a natureza tua possa dizer
Na voz do grande espirito 

Vem o tempo, vão as horas,
Mas o amor
Quando tem de acontecer
Sempre encontra suas formas

sábado, 1 de junho de 2013

Composição


As vezes busco palavras
Na ânsia de preencher o mundo
Porque estou vazio-cheio de tudo
Colorir vida nos olhos, como sonha o pintor
E me deparo com o absurdo
De tentar compor uma nova canção
Mas te confundo, não sei se danço
Enquanto toco a música que preenche a cena
Quadro a quadro...
Mas, não me enquadro
É maravilhoso e estranho.
Sou comum.
Como o azul-branco do céu
E complexo,
Como o canto escravo da oração do poeta
Em sua fé, pra os deuses, as deusas que ele mesmo inventou...
E as tristezas do mundo que ele toma pra si

Sou a ferrugem que corroe as correntes da língua
Sôo a voz que estronda
No coração, outrora bruto, da fera
Que me dominou
E assim, componho a atmosfera:
Cinjo a luz da minha terra
Fundindo os tons da aurora
Em imagens, em canções, no movimento das frases,
Assumindo o papel do artista
Que nunca acho que sou.
Quando te encontro e roubo as palavras
Que sempre foram tuas
Por desejo

quarta-feira, 29 de maio de 2013

A roda

Eu aqui só no Ratatat!
Pum pum pá!
Em delays e bits violados
Geraldo é dois?!
Quem veio primeiro
Quem veio depois?
Quem sou eu, que vos fala, dos dois?

No que dará essa simbiose?
Realismos virtuais?
Uma paixão musicada?
Amor dividido por dois
É igual a amor ao quadrado
Pelas contas muito tempo passou
E quantos andamentos?
Caí (e me levantei) na estrada
Enquanto sempre
A roda nunca saiu de moda
Mas, isso já nem importar,
Agora podemos voar

Cantar de outras formas!

Artesanato

Não gosto de ser enquadrado
Com um rótulo, industrializado
Almejo meus nomes
E-feito as mãos,
Desenhados
Mesmo que sintetizado
Artesanato! Madeira, cera, barro
Que sejam cacos de vidro, arame farpado!

Penduricalhos e flores nunca são demais
Pra quem tece sonhos e sons na vida
Construindo a sorte de quem sabe o que quer.
Se for preciso renascer, que assim seja,
Reexisto em você, mulher

Se um dia faltar voz, saúde
Mas, me sobrar saudades
Eu irei te procurar
E se você não me atender
Me retorne ou não, quando bem entender.
Sei que estavas ensaiando teus teatros
E eu gosto disso.
Invente uma boa desculpa pra mim
E ficamos tudo bem.
Acredito em suas mentiras, assim,
Quando bem atuadas, entoadas.
Que assim seja, se essa também é tua arte.

Uma dança resolve tudo
Ainda mais se for improvisada
Não percamos tempo
A não ser que seja por tudo,
Mas nunca. Nunca meu amor por nada.

Eu faço meus passes e trejeitos
E você segue em seu bailado
Eu puxo a sua peça de entremeio
E você vem, invade o terreiro do peito
Como a rainha do reisado

domingo, 5 de maio de 2013

Aos Gritos

Não consigo sentir falta
Do pedaço de mim que te pertence

De minha parte
De minha arte
De tua parte
Sei que sou sempre bem cuidado
Mesmo quando me descuido
E me esqueço
Que te lembras de mim
Quando a saudade canta
E o amor se faz sentido em silêncio
Ao prenunciar
Ao pronunciar
Ao renunciar
O que fica dito pelo não dito.

Sabemos onde isso vai dar
Nem precisamos nos preocupar
A paixão da suas voltas
(Ja rimos muito com isso)
Porque ela é espalhafatosa!
Vai sem avisar, misteriosa
E volta inconseqüente
Aos gritos!
Carente, carinhosa
Cantando rock'n roll
Declamando poesia em prosa
Declarando seus desejos
De mudar o mundo

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Alma Cigana II

A vida passa
Nossa! Vidas passam!
Existências inteiras em segundos pela metade.
Como silênios mudos.
Nascem mundos
Dançam, gozam
Choram, cantam
Morrem, sonham
De eternidade em eternidade,
Efêmeros além de tudo

Passeiam nossas almas
Por corpos diferentes
Em paralelos, universos
Poesia é o que fica em nossas mentes
Partes dos eus
Nossos elos

O corpo é apenas uma estrada
Por onde trafega o espirito
E a partida e a chegada
Requerem de incerto, sacrificio
Um sorriso, um suspiro, uma lagrima
E assim, enfim
Recomeçamos.
Outro ciclo.
Outra vida

Alma cigana

segunda-feira, 15 de abril de 2013

sexta-feira, 29 de março de 2013

Quem manda em quem?

Foi brincadeira?! Ah tá. Quem bom...
Pois não era pra você ter vindo
De tão longe
Aqui!

Eu sei
Me perdoa! Mas tudo que eu queria era sentir
Você.
Sorrir.

Talvez
Seja tempo de ver de ser visto
De outra forma o amor!

Quem sabe essas canção nao nos diga
O que nao soubemos dizer
Ou ouvir
Admitir
Que passou.

Mas então, o que foi tudo isso?
Que nos re-voltou?
Voltamos?!
Apenas transamos?!
O que é isso em teu rosto?
Em teu pescoço
Saudade? Amizade?!
Carência? Demência?
Encosto? Macumba?
Obsessão?
Meu corpo no teu
Dançando.
Zabumba tocando
Minha alma de ateu!
Meu coração
Teu peito no meu
O suor que escorreu
Lavou a saudade
Levou a razão!

Assim pelo jeito
Pra falar sou suspeito
Mas creio que quem manda mesmo
Na gente, menina...

...É a paixão!

quarta-feira, 13 de março de 2013

Lugar

Sempre conto com você
Quando estou assim meio triste
Sonhando acordado
Num dia encantando de um futuro qualquer
Com a esperança e a sorte que me atropelam
É assim hoje, essa vida corrida.
Esteja onde estiver,
O tempo voa em sua razão
Nem importa tanto
Deixamos o coração nas mãos da poesia.

O velho sorriso enferrujado no canto da boca,
Feito máquina de sorvete de circo, insiste,
Como o olhar pedinte ao disfarçar tranqüilidade
Pelas ruas do Cariri em romaria.

Sigo caminho, sou um cantador errante
Brincando de equilibrar-se nos trilhos.
Quando as memórias, indo e vindo
Se confundem com a fumaça e o apito do trem
Te reencontro na estação mais propícia.
Na próxima parada onde o destino
No meio da multidão, desapercebido,
Me entregará em mãos outro suspiro
Num reflexo desonesto comigo mesmo
Ainda duvido:
- Pra quem será?!

terça-feira, 5 de março de 2013

Luar

Onde estão meus amigos agora?
Por onde sonham?
Por onde? Dormem?
Que ares respiram?
Que amores lhes tomam? Quais paixões?
Curtindo? Compartilhando? Virtualidades?
Trafegam por quais realidades?...
A noite me trás, me atrai vossas lembranças.
E sempre que me pego dividindo meus desejos com o tempo,
Sei que me exponho, e que fico de alma nua
Sem lugar. Em qualquer lugar,
A ponto de voar do mais alto aranha-céu,
Ou vagando pelas ruas a pensar em vocês em mim.
Aqui ou ali. Me vejo assim.
Porém, sei que todos nos encontramos
Onde quer que estejamos.
Feito crianças ou poetas,
Olhamos pra o céu, a sonhar
E damos aquele mesmo velho sorriso
Quando nos deparamos com o luar