As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Relatividade III

Trate tudo com carinho. Não custa nada. O amor não é apenas uma realidade romântica distante, é uma pratica simples. Os sentimentos tidos como negativos, ódio, vaidade, ciúme, existem, claro. Mas, incentivar o bem, é antes de tudo admitir o "mal", e assim, neutraliza-lo. Na busca do tão falado equilíbrio. A dinâmica do universo não distingue tais forças. Aquela velha história, a relatividade.
As pessoas, sua família, seus amigos, seus inimigos! As flores, as pedras, os animais, os vegetais, seus alimentos, excrementos, seus sonhos, seus pesadelos, seus deuses e seus "demônios", seus luxos e seus lixos. Trate todos e tudo com amor, ao menos pra equilibrar um pouco a existência... Tudo faz parte do universo e é matéria prima pra o amanhã agora.
Entende?
Sente?!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Descanso

Podes descansar
Cada amanhã tem seu dia
E os sonhos nunca dormem

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Casamento

Ele queria chorar
Ela não se deixava sorrir
Ele queria pintar
Ela não pensava em florir
Ele queria descer
Ela só pensava em subir
Em voar
Ele queria cantar
Ela não sabia
Que sabia ouvir

Depois de tanto se olharem
E imagens imaginarem
Não lembram bem, quem, ou o que gerou
O beijo que calou, os pensamentos,
Mas nem importava mais, agora era real
Eles queriam juntos coisas diferentes
E a vida era simples, não por acaso
Como brigar pela tampa aberta do vaso
Ou pelo aperto no meio da pasta de dentes
Ao mesmo tempo em que sentiam a injustiça dos homens
Encontravam-se quase sempre felizes e contemplados
Pelo saber feminino ancestral, natural das mulheres
Enquanto isso, Ana menina subia e descia tocando sua flauta
E Inspirado talvez, Pedro criança, aprendendo a saber ouvir
Pintava as paredes da casa

O mais novo, sendo tão novo
Ainda não sabia o que era nascer
E eles nem imaginavam
Que iriam discutir
Por mais um nome de bebê

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Devaneio III (Warakidzã)

Deixei soar o acorde até o último instante
Alimentei a chama que dormia em meus lábios
E dei um trago, profundo na noite

Escorado ao violão que agora então repousava
Olhei pra o relógio a marcar zero hora
A fumaça me escapava dos dentes,
Eu senti o tempo quase pairado.

De repente, o som do freezer rompeu o silêncio,
Estrondou como um baixo de acordeão contando o ar
Sem fome, e sem pensamentos
Abro a porta da geladeira e num movimento de degelo automático
E em transe, pegando a caixa de leite,
Encadeado com luz que atravessa o vão semivazio da câmera fria
Vislumbrei um futuro e tornei a si

Durma ou madrugue
Entre o hoje e a manhã
Sempre me ressoa o corpo
E eu fico de alma tocado
Em alguma nova canção
Entoado

Movimento II

As vezes paro
(Num movimento de cena)
E me vejo a tragar o momento
Com o olhar mirando o infinito

Em câmera lenta
Envolto na fumaça
Consigo perceber
Que estou pensando no nada
E de certas formas esse vazio me preenche
Me enche
Até transbordar

"Revolto", ao tempo das mulheres
Desaguo a cantar e dançar
Sem saber ao certo se entrei ou sai de um transe
Sinto que me expresso
Na verdade
Com essa eterna dúvida passageira
E assim,
Minha arte se constrói
Da incerteza

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Distrações

Os opostos se atraem
Os dispostos se traem
 

E os dispositivos?
Nos distraem?!...

Música II

Tocar-me-eleva
A um estado divino
Me sinto um velho
No corpo de um menino

Busca

Se tudo está imperfeito
Imagina quando a canção estiver
Às horas
No perfume, inevitável
Na poesia de compor
De tocar.

Ficamos em silêncio
E tocados, sem conseguir esconder,
Almas, mentes e corações, em uníssonas dissonâncias
A tecer as ânsias,
Nossas artes sendo uma em umas
Fio a fio
Notas?!
Pincelamos as notas
Tons e tons.

Nos perdemos naquilo que achávamos
Quando imaginamos que acabávamos
Sentimos um começo.

Pra nossa surpresa,
Uma colorida incerteza.

Vai ver, 
É isso que buscávamos

domingo, 6 de outubro de 2013

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Honra e Política

Tomado por um sentimento de pertença
No calor da batalha
Eu beijo a lâmina, e abraço a bomba
E minha língua prova o sabor do mal
A espada banhada em sangue real
Sem divindade
Honra
Nada de majestade
Apenas o real e cruel poder que obscura o homem.
Eu louvo a vida e a realeza simples do tempo
Nos anciãos sem ansiedades
A vagar pelas cidades
Nos líderes verdadeiros, que morrem ainda crianças
Sem infância.

Desintegro o asfalto e o concreto que soterraram minhas memórias
O medo ignorante e a coragem consciente e covarde do opressor
Que escraviza os sonhos, às religiões, as tribos!
E as transforma em nações
Em mercados (de almas) apenas!

Não. Não são minhas essas bandeiras, os símbolos, os hinos.
É vermelho, o sangue que corre em mim
E tantas vezes lavra a terra que insisto em ser nossa,
Assim como é verde meu espirito.
Minha mente é incolor.

É veneno teu sangue! E tu mesmo que te condenas
Azul, minha boca amarga de tua arrogancia
Nem teu espirito mais te pertence
E sua mente, sua consciência
São das cores que você nega
Perante a justiça dos homens
E há de negar
Muito mais que três
Milhões de vezes

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Caboclo de Asas II

Um dia, uma noite, eu sonhei com um anjo
Ele tinha as feições de um índio
E suas asas eram coloridas como o Araripe
Suas vozes eram suaves como um trovão
Seus olhos eram d'água nascente
Seus cheiros, de terra grávida


Ele me apontou a Iara. Sua mãe.
E eu me apaixonei.
Ou me encantei
Ou enlouqueci
M'olhei meu rosto na fonte
E Cariri,

Me vi

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Percepção

Quando escuto,
Fico pensando na cor, no cheiro
Na textura, no movimento,
O gosto que tem
A música
Nos sons perdidos e encontrados por ai...
Pelo caminho
Dentro e fora
Espaço
Tempo.

Pinto
Interpreto
Danço
Cozinho
Leio
Teço
Esculto
Exalo
Durmo
Sonho
Acordo
Rezo

(minha)
Música
É teatro

Não sou músico
(Até por respeito aos que me tocam)
Me sinto livre disso
Minha função
É intercalar os silêncios
As vezes, pode parecer com o que dizem ser arte
As vezes, pode até soar com o que dizem ser

Isso! Pra mim simplesmente importa o ser.
E o que manifesta minhas ideias
Por mais absurdo que apareçam
Não importa-me o que acham
Mas, a procura, a busca alheia
Me incentiva
A deixar-se achar.
O meio é apenas
Um rio
Por onde corre minha alma fluida
Da nascente
Até o poente

Do ar, da terra, do meu pé-de-serra
Até o mar e o além-céu

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Desentendimento

Diz o poeta
Na dor da saudade
Nos confusos carinhos
No aperto das mãos
No beijo que beira a boca
Na respiração inspirada
Que eleva o perfume da flor

Insiste,
Que prefere não chamar de dor
A falta da rima que lhe falta
Nem de canção pelo pesar enarmonizado, dissonante.

O amor fere
Mas,
Cura
E é sempre maior que qualquer tola paixão...
Felizes nós, que preferimos a amizade da dança
A vida nos movendo com poesia.

E assim cala
Que não quis dizer nada
Quando não disse tudo
Porque é simples
Na poesia, como no beijo
Fica tudo subsentido.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Inspiração II

(para Mestre Aldenir, Beto Lemos e Hermeto Pascoal)

I
Por que negar a paixão?
Fingir esse sentimento tão real?
Tão verdadeiro...
Algo me paralisa por alguns eternos, segundo
Deixando meu cantar gritando mudo
E fico a escutar uma sanfonia
Que me enlouquece, e quase me deixa surdo!
Ouço as vozes. Tambor, batuque, terreiro
Nos confins do universo
Em lingua Cariri
Em meu juazeiro

II
Olhando daqui até parece
Que eu pedi a deus sem querer
Numa prece
Que ele te mandasse à mim
Essa canção que me veio
E desceu como santo a me possuir
E mesmo que por pur-pura inspiração atéia
Em semitons o meu peito se desmantela
E o pulsar é mântrico
Em subgraves quânticos
Manifestação divina
Em minha mente
Em sinais eletântricos

III
A deusa do bem
Que me fez cantar em abril
Em dias perdidos no calendário
Se manifesta
Em canções ingênuas de criança
Ou nas ruas, revolto, a explodir mudanças
Em mim no mundo
É meu amor profundo
Pelo o que parece que desconheço
Mas sinto,
Como sendo
Sempre O começo
Da febre que me toma os sentidos
E mesmo quando adormeço o corpo
E meu espírito desinbesta louco
A voar pelo infinito
É quando mais estou aqui
E percebo que está tudo dentro de mim
Por fora somos todos meio ocos
A paixão é assim
Um outro me toca
E eu toco o outro
Um pouco morremos
Mas muito vivemos
Renascendo
Numa polirritmia
A dançar de mãos dadas numa roda
A cantar singelas melodias
A sonhar Herméticas harmonias

Dueto

Vamos cantar algo juntos?!
Eu não ouvi sua voz (cantando), mas,
Vc também não ouviu a minha
Assim, fica um pelo outro
Num silêncio que advinha
Qual música será tocada
Um baião, um samba,
Uma suave marchinha?!
Tanto faz,
A música por si
Já fala por nós,
E vale por nós
Sendo poesia
Duas melodias numa só voz
Se vestindo de harmonia

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Por Dentro

Penso em você
Assim, do nada
Simplesmente
Parece poesia

É algo que não sei dizer...
Pois que me soa o corpo
E me faz cantar
Por dentro

Interlúdio Silêncio

Um leve frio dança noctívago
Anunciando o confortável abraço
Calor nos passos.
A lembrança veio a mim e voou
Como na voz de Iansã
Folhas e pétalas a colorir calçadas
E o som em perfume
Antes lento, agora alvoraçado
Esvoaçado
Dominando a madrugada
Inspirando a mim e a namorada
A bailar aos beijos
     Interlúdio silêncio
A embriagar-nos de poesia
Quem sabe ate o nascer do dia
Seremos novas melodias
Desenhadas em aquarelas de desejos?!
Feito a menina que não dorme,
A nos espiar pela brecha da janela
Sorrindo assim, bobos, somos como ela
O amor predomina nessa madrugada
Eu e tu aqui, cúmplices, em nossa arte entrelaçada
E ela agora, também sonhadora, inspirada!
A suspirar femininos desejos
Pela lua
Apaixonada

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Relatividade

Agora, a pouco, o relógio olhou pra mim
Como se eu fosse um corpo estranho a pulsar
Ele me resmungou por uns segundos

Algo que de qualquer maneira, só entendi no instante em que passou.
Eu respirei, suspirei, e entre seus tic-tacs, entrei no ritmo do vento
Parti seguindo, sentindo essa natureza, porque já era hora.
Antes sempre do que nunca...

Então percebi que a manhã se foi
A tarde
A noite se foi
Na madrugada

Fiquei pensando, inspirado
Na relatividade dos sentimentos

Enquanto o amanhã tornava-se hoje.

domingo, 4 de agosto de 2013

Devaneio III


Caminhava

Com o olhar atraído pelo vento,
E um tempo delicado passou por mim
Feito uma borboleta

Pairando vôo em meus desejos de música
Dançou uma valsa etérea em meu juízo
E seguiu
Transversal

Fiquei assim
Me sentindo
Uma lagarta
Sonhando
— com Geraldo Junior.

sábado, 3 de agosto de 2013

Um

Eu e você
Somos tanto quanto
Eu, e vc
Tanto somos quando
Eu e vc
Somos tanto

Somos tantos quantos um