Acredito
Não cegamente
Ou num devaneio lógico
Numa certeza mística
Ou surpresa matemática
Escolho
Não temo a decepção
Não me consome
A fome do verso
A triste sutileza da apatia
Nem a descrença da meia idade
Meu coração resiste
Ao degredo da dúvida
A fragilidade do tempo
A rigidez das notas ocidentais
Ou o peso cristão que me almeja as costas
Essa é minha verdade
Não precisa fazer sentido
Não temo o silêncio da noite
O perfume do dia
O infinito das tardes
Essa canção não tem pressa
É uma poesia comum
Uma dança ordinária
Uma brisa suave
Sem alarde
Amor